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Thi Bui Nos Faz Refletir Sobre O Melhor Que Podíamos Fazer Em Uma HQ Que Sensibiliza

Thi Bui Nos Faz Refletir Sobre O Melhor Que Podíamos Fazer Em Uma HQ Que Sensibiliza

É muito interessante escrever sobre uma HQ (História em Quadrinho) que acabo gostando, mas principalmente se a mesma possui um conteúdo que retrata uma história de vida real, com fortes emoções, mesmo que sejam tristes, pois refletem uma experiência única e sincera do autor/autora. E obras como essas me atraem para leitura, pesquisa e escrita de um artigo a respeito. Hoje, trago para vocês um texto sobre um HQ muito especial da Thi Bui e que se chama O Melhor que Podíamos Fazer.

É uma HQ que classifico como adulta e indico para quem curte uma graphic novel de qualidade.

O Melhor que Podíamos Fazer nos coloca no lugar da própria Thi Bui

Em nenhuma guerra existe um “lado vencedor”, pois existem indivíduos que ficam marcados pela dor, sofrimento, sequelas físicas e emocionais, dos sobreviventes. O historiador Paul Veyne afirma na obra, “A História da Vida Privada”, que para se conhecer realmente a trajetória de uma civilização, não deveríamos focar seus líderes, imperadores e generais; temos que observar o povo, o homem e a mulher comuns. Da mesma forma, em O Melhor que Podíamos Fazer, a vietnamita Thi Bui construiu uma história baseada em uma perspectiva particular, essa tal que está intimamente ligada à maneira como a guerra e as agendas políticas interferem na continuidade da vida de não apenas um indivíduo, mas de gerações inteiras.

Esta é uma história sobre a busca por um futuro melhor e saudosismo pelo passado. Explorando a angústia da imigração e os efeitos duradouros que o deslocamento tem sobre uma criança, Thi Bui documenta a difícil fuga de sua família após a queda do Vietnã do Sul, na década de 1970, e as dificuldades que enfrentaram.

O Melhor que Podíamos Fazer traz à vida a jornada de Thi Bui em busca de compreensão e fornece inspiração a todos aqueles que anseiam por um futuro melhor.

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Uma graphic novel que possui traços marcantes e que destacam muito bem sua história de vida até se tornar adulta.

A sensibilidade e sinceridade de Thi Bui

A HQ, lançada no ano passado pela Editora Nemo, segue uma longa tradição de graphic novels que usam elementos visuais característico da nona arte para potencializar a exposição dos sentimentos. E, sem receio de fazer comparações, esta obra está a altura de muitas outras de grande destaque, porque conta com um mesmo elemento comum à todas: a sinceridade. Mas não apenas a sinceridade está no relato dos fatos; não uma objetividade fria, pois a autora demonstra sensibilidade em relação às suas memórias e às de seus pais. Embora a HQ evoque um contexto histórico específico, seu foco é uma breve e despretensiosa análise da condição humana em seus diversos níveis; algo que só é possível devido à vivência que ela possui de uma realidade que não condiz com a maioria da população brasileira e mesmo de outros países.

Tendo nascido no Vietnã, no início da década de 1970, Thi Bui ainda pegou o final da guerra que se desenrolava desde 1959. Como toda vietnamita do período, se via presa em um conflito que tinha questões ideológicas, mas como em toda guerra, também objetivos mais nefastos. De certa forma, a obra “O Melhor que Podíamos Fazer” mira justamente no que acontece quando pessoas têm qualquer possibilidade de decidir questões de suas vidas limitadas por forças que mal conseguem compreender de fato.

A trajetória de Bui não é a daqueles que “venceram” ou “perderam”; é daqueles que ficaram pelo caminho.

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Repleta de momentos marcantes, tristes e que mudam completamente sua vida e de sua família.

Um pouco sobre O Melhor que Podíamos Fazer

A HQ representa uma autobiografia de Thi Bui. A autora vem nos contar a sua história de quando era apenas uma pequena criança no Vietnã, isso por volta do ano de 1975. Thi Bui vivia com a sua família no Vietnã do Sul e eles pretendiam fugir do país para os Estados Unidos da América (EUA) em busca de melhores condições de vida, mas também para viver em um regime democrático, para terem a sonhada liberdade.

A história tem início no dia 28 de Novembro de 2005, na cidade de Nova York onde, nesse dia em específico, Thi Bui entra em trabalho de parto pela primeira vez sendo, segundo a própria trama, muito complicado e sofrido. Porém, ela conta com a presença do seu marido Travis e de sua mãe Má, que veio da Califórnia para ajudar a filha nesse momento muito importante em suas histórias de vidas.

Desse momento em diante, somos conduzidos pela autora em uma viagem para o passado, onde ela resgata suas raízes e os laços de família. Passamos a conhecer a infância sofrida dos seus pais, como se conheceram e como foi o nascimento dos seis filhos do casal que precisou enfrentar situações adversas para sobreviver e seguir adiante. O Vietnã caracterizava-se por ser um país extremamente pobre e para piorar, o caos estava instaurado no conflito civil que ficou conhecido como Guerra da Indochina.

A família de Thi Bui consegue rumar para os EUA em 1978 e lá continuam enfrentando diversas dificuldades, pois o pai de Bui não consegue arrumar um emprego e sua sua mãe apenas um bem simples e modesto. A relação entre Thi Bui e seu pai era distante e ela sempre quis saber sobre o passado dele, algo que o próprio relutava em contar. A infância do seu pai foi repleta de sofrimento e lágrimas, pois ele presenciou diversas agressões do seu pai com sua mãe, onde cresceu sem receber carinho e amor, além de dormir no frio e passar fome. A relação entre Thi Bui e sua mãe já teve uma condição melhor, pois ela veio de uma família financeiramente estável, era estudiosa e recebeu uma boa educação.

Contudo, por causa de seu pai, tudo na vida de Bui mudou e começou a ficar mais difícil.

Aos poucos, Thi vai relatando todas dificuldades e sofrimentos que várias gerações da sua família precisaram enfrentar, desde os anos de 1930 no Vietnã até chegar em sua geração no EUA.

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O HQ possui muita qualidade e uma história muito impactante.

O horror e O Melhor que Podíamos Fazer

Os seus pais, mesmo na sua terra natal, viveram vidas bem diferentes. De fato, seu pai e seu avô conheceram de perto os horrores do regime comunista e sua relação com seu próprio pai, dentro desse contexto social e histórico, influenciou e afetou profundamente sua personalidade. Sua mãe teve uma vida oposta (como dito no texto acima), pois estudou em ótimas escolas e tinha, para os padrões vietnamitas, um prognóstico abastado de futuro. Mas, assim como a realidade de seu pai era brutal e visceral, sua mãe logo descobriu que a sua era uma frágil ilusão. Quando adultos, entenderam com clareza que aquilo tudo seria uma terra arrasada durante muito tempo e decidem ir para os EUA em busca de um futuro melhor.

O problema começa quando sua própria definição de existência é marcada a fogo pelas circunstâncias na sua memória, pois você pode deixar um lugar, mas o lugar não deixa sua memória em paz. Exatamente por isso, Bui cresceu entre os “mundos” de seu pai e sua mãe, e o do Oriente e o do Ocidente. Com tudo isso, cresceu sem referências; não porque não existissem, mas porque é difícil discernir o certo do errado, fato de memória, quando ninguém se atreve a falar sobre nada. Apenas já adulta, quando da ocasião do nascimento do seu filho é que começa a pesar sua própria trajetória em contraste com o pouco que sabe sobre os pais. E a partir dai uma compreensão mais coerente e apropriada começou a “surgir” em sua mente.

Essa trajetória triste e trágica rende muita história para reflexão. O que não deixa de ser absolutamente apropriado, pois retomando as colocações no início do texto, quando falamos em guerra e conflitos, nós nos reduzimos a pensar nos vencedores e perdedores. Raramente pensamos que praticamente nenhum de nós estaria entre o punhado privilegiado que passaria por tal processo incólume; raramente pensamos em quem e no que perderíamos pelo caminho. O fato é que a vida de Bui é definida pelo que e por quem seus pais perderam; uma trágica e contundente lembrança de que a guerra afeta.

Thi Bui (foto abaixo) também estudou Arte e Direito e considerou se tornar uma advogada de direitos civis, mas se tornou professora de escola pública e mora em Berkeley, na Califórnia, com o filho, marido e sua mãe.

O Melhor que Podíamos Fazer é sua primeira graphic novel.

O Grupo Autêntica realizou um ótimo trabalho, pois a HQ está caprichada, as ilustrações são marcantes, os traços contém diversos detalhes e a tradução ficou ótima. O projeto, como um todo, merece grande destaque!

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Opinião a respeito

A HQ de “O Melhor que Podíamos Fazer” é uma graphic novel realmente incrível, sincera, marcante, brutal de certa forma e ao mesmo tempo sensível. A autora nos conta todos os problemas que gerações da sua família precisaram enfrentar durante as guerras que ocorreram no Vietnã. Nos emociona através do seu relato tocante e envolvente. É muito interessante acompanhar as descobertas que ela realiza sobre o passado dos seus pais e até um pouco dos seus avós. Além disso, ela demonstra todas as dificuldades e condições precárias que sua mãe precisou enfrentar no nascimento de cada um dos seus seis filhos.

Por fim, sua mente faz com que suas experiências retornem para atormentá-la, em função de sempre ficar com medo de passar para o seu filho toda essa bagagem e experiências tristes. E é nesse momento de sua vida que passa a perceber e entender todas escolhas e atitudes. Confesso que não conhecia a autora e nem a obra em questão, mas solicitei essa obra na forma de HQ, pois fiquei super interessado pelo que pesquisei a respeito. Indico para todos que curtem uma HQ de qualidade, que representa uma história real, com sinceridade, sensibilidade, mas também com conteúdo marcante. Fica a reflexão… 🙂

E sempre busque o melhor que possa fazer para você, seus familiares e amigos!

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Reinaldo Vargas

Professor, Colunista do Arena Xbox e XPGG, Idealizador do http://UniversoNERD.Net e Streamer do #TeamSparkers na MIXER. Curte Games, Tech e Ciência.. Um Xbox Gamer, Insider e Preview, adora a Bethesda e a Rock Star e ama produzir conteúdo. Gamertag: reavargas

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