No domingo passado, 22 de fevereiro, eu e meu marido tivemos uma experiência memorável no Teatro Bradesco com a execução da 9ª Sinfonia de Beethoven. Neste artigo, vou trazer um pouco sobre a história dessa sinfonia e sobre minha experiência em particular. Vamos lá?
Para mim, foi especial, pois foi minha primeira vez em um teatro do porte do Teatro Bradesco. Fiquei deslumbrada com a beleza e imponência do local. Muito lindo! Preciso dizer que, com certeza, voltarei mais vezes e tenho que agradecer essa experiência ao meu amado esposo. Estar presente nesse momento, ao lado do Reinaldo, tornou a noite ainda mais especial. O concerto não foi apenas uma apresentação musical, mas uma experiência de emoção compartilhada, que ficará guardada na memória como um encontro entre arte, amor e celebração da vida.
O Concerto
O concerto da 9ª Sinfonia de Beethoven, realizado no Teatro Bradesco, foi uma celebração grandiosa da música clássica. A atmosfera da sala, repleta de expectativa, preparava o público para uma das obras mais emblemáticas da história. Desde os primeiros acordes, a orquestra conduziu a plateia por uma jornada intensa, marcada pela força dramática dos movimentos iniciais e pela delicadeza dos trechos mais líricos.

A 9ª Sinfonia de Beethoven é mais do que música: é um hino à humanidade. Escrita quando o compositor já vivia em silêncio absoluto, ela nasce como um grito de esperança e fraternidade.
Os primeiros movimentos nos conduzem por paisagens sonoras de drama e contemplação, até que, no final, surge o coro com o célebre “Ode à Alegria”, baseado no poema de Friedrich Schiller.
Nesse instante, vozes e instrumentos se unem para proclamar uma mensagem universal: todos os homens são irmãos, unidos pela força da alegria.
Esse ponto célebre trouxe ao palco o coro e solistas, enchendo o espaço com uma energia arrebatadora. A união de vozes e instrumentos transmitiu a mensagem universal de fraternidade e esperança que Beethoven eternizou em sua obra.
Ouvir essa obra é participar de um ritual coletivo, em que cada nota nos lembra que, mesmo diante das adversidades, a arte pode transcender e nos aproximar uns dos outros.
A Obra
A 9ª Sinfonia de Beethoven é uma das obras mais célebres e revolucionárias da música clássica. Foi composta entre 1818 e 1824, já em uma fase em que Beethoven estava completamente surdo. Sua estreia aconteceu em 7 demaio de 1824, em Viena, no Kärntnertortheater, teatro famoso na região.
Opus (do latim “obra”) 125, em ré menor, foi dedicada a Frederico Guilherme III, rei da Prússia, de 1797 a 1840, puramente por razões políticas e de prestígio. Beethoven buscava reforçar laços com a corte prussiana, que tinha grande influência cultural e política. Como tradição na época, compositores frequentemente dedicavam obras a nobres ou soberanos como forma de obter patronagem, proteção ou simplesmente prestígio. Em 1824, quando a sinfonia foi concluída, a Prússia era uma potência emergente no cenário europeu, e Frederico Guilherme III havia desempenhado papel relevante na derrota de Napoleão e no Congresso de Viena.

Estrutura da obra
A sinfonia tem cerca de 80 minutos e é dividida em quatro movimentos:
- Allegro ma non troppo, un poco majestoso.
De caráter dramático e grandioso, começa com uma introdução misteriosa, quase caótica, que vai se organizando até formar um tema poderoso. Transmite tensão e luta, refletindo a profundidade emocional de Beethoven. É como uma batalha musical que prepara o terreno para o restante da obra.
- Molto vivace
De caráter rítmico, enérgico e vigoroso, alterna entre passagens rápidas e um trio mais lírico. Funciona como um contraste ao primeiro movimento, trazendo vitalidade e movimento. É quase uma dança, mas com força e intensidade.
- Adagio molto cantabile, andante moderato
De caráter lírico, contemplativo e sereno. Combina variações melódicas e suaves, com momentos de calma e beleza espiritual. Oferece um momento de introspecção e paz, preparando emocionalmente o ouvinte para o clímax final.
- Finale: Presto – Ode à Alegria
De caráter triunfante e universal, é o famoso movimento coral, que introduz vozes humanas em uma sinfonia pela primeira vez. Começa com uma recapitulação dos temas anteriores, rejeitando-os, até surgir o famoso tema da Ode à Alegria. Pela primeira vez em uma sinfonia, Beethoven introduz solistas vocais e coro, cantando o poema de Friedrich Schiller. Celebra a fraternidade e a união dos povos. É um hino à humanidade, que transcende a música e se tornou símbolo cultural e político.
Curiosidades
- Na estreia, Beethoven não pôde ouvir os aplausos. Uma cantora precisou virar o maestro para que ele visse o público ovacionando.
- A obra influenciou gerações de compositores e permanece como um marco da música ocidental.
- Tornou-se um símbolo cultural e político: é usado como hino da União Europeia e frequentemente associado a momentos de celebração e esperança.
Composição da Orquestra
A instrumentação completa inclui:
- Madeiras: 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, contrafagote
- Metais: 4 trompas, 2 trompetes, 3 trombones (alto, tenor e baixo)
- Percussão: tímpanos, bombo, pratos, triângulo
- Cordas: violinos I e II, violas, violoncelos, contrabaixos
Composição do Coral e Solistas
- Coro misto: sopranos, contraltos, tenores e baixos (normalmente com mais de 80 vozes, dependendo da produção)
- Solistas vocais: Soprano, Mezzo-soprano (ou contralto), Tenor e Barítono ou baixo
No concerto a execução contou com:
- Solistas: soprano Jéssica Leão, mezzosoprano Gabriela Bueno, tenor Rafael Stein e barítono Rodolfo Giugliani
- Regência: maestro Abel Rocha
- Corpo artístico: Orquestra e Coro da Cia. UNIOPERA, ligados à Associação Coral da Cidade de São Paulo
Essa combinação de forças musicais é o que tornou a 9ª Sinfonia tão impactante: uma verdadeira celebração coletiva, em que cada naipe da orquestra e cada voz do coro contribuem para a mensagem universal de fraternidade.
Assistir à 9ª Sinfonia de Beethoven no Teatro Bradesco foi muito mais do que presenciar uma obra-prima da música clássica: foi viver um momento de comunhão entre arte, emoção e história. Cada acorde, cada voz e cada gesto da regência nos lembraram que a música tem o poder de unir, de inspirar e de transcender o tempo.
Saí do teatro com a certeza de que essa experiência ficará marcada em minha memória como um encontro entre beleza e significado, e como uma celebração da vida ao lado de quem amo. A Nona Sinfonia não é apenas uma obra monumental; é um convite eterno para acreditarmos na força da alegria e na fraternidade entre os povos.
Naquele palco, entre notas e silêncios, descobri que a música de Beethoven não apenas ecoa nos ouvidos, mas também na alma, lembrando-nos que a alegria é a linguagem universal da vida.
Até a próxima!











