Se você joga RPG (Role-Playing Game ou Jogo de Interpretação de Papéis), certamente já encontrou problemas na hora de organizar uma sessão. Fulano tem que viajar, sicrano tem que estudar. Talvez o mestre teve um imprevisto de última hora, e não tem ninguém para conduzir uma aventura.
A dificuldade de organização e conciliação da disponibilidade de jogadores é um tópico muito discutido (e “memeficado”) dentro das diversas comunidades de jogadores de RPG, onde muitas sugestões são oferecidas como formas de mitigar ou resolver essas dificuldades. Hoje, não irei falar dessa discussão como um todo, mas vou focar em uma solução não tão intuitiva, e pouco popular aqui em terras brasileiras, mas que particularmente tem me interessado muito: Jogar sozinho… ou em cooperação!
Espera… dá pra fazer isso?
Essa é provavelmente a primeira pergunta que surge nas mentes das pessoas quando se deparam com esse tópico. Dá pra jogar sozinho? E a resposta é sim!
Por meio de tabelas, “oráculos”, e sua própria imaginação, é possível embarcar em uma campanha para matar goblins, ou fazer o serviço sujo de uma megacorp futurista.
Soa complicado, e é um pouquinho, mas explico.
O oráculo
O oráculo é a parte mais importante da jogatina solo, e pode ser incluído no livro de regras de um jogo, se ele foi feito para ser jogado sozinho, se possuir a opção de ser jogador sozinho, ou pode ser algo separado que é adicionado a um conjunto de regras. Ele é constituído por um conjunto de tabelas criadas para gerar ganchos de histórias e responder às perguntas do jogador. Por exemplo: em um jogo de fantasia, seu personagem é um ladrão tentando entrar em uma casa pela janela.
Você como jogador, faz a pergunta “a janela está trancada?”, e o oráculo te responde “sim” ou “não” por meio de uma jogada de dados ou um saque de uma carta de baralho. Dependendo do oráculo usado, podem haver graus de certeza para a resposta, consequências inesperadas, resultados intermediários, etc. Tudo depende da complexidade do oráculo e da imaginação do jogador!

Conheça uma TABELA adicional:

Tabelas são a segunda ferramenta mais importante do RPG solo. Por meio delas, é possível adicionar “aleatoriedade controlada” à experiência narrativa do RPG. Seu personagem em um RPG pós apocalíptico tem que passar por um deserto irradiado?
Com uma tabela, você pode “descobrir” o quê ele encontra no caminho!
Matou o inimigo? Pode usar uma tabela para determinar o quê seu personagem achou! Tabelas podem ser usadas para criar elementos em um mapa, nomes, ganchos de história, armadilhas, etc.
Utilizando múltiplas tabelas, você pode até gerar inimigos aleatórios, com objetivos únicos, fraquezas e suas próprias tabelas de “loot”.
Assim como os oráculos, tabelas podem estar presentes dentro do próprio manual de regras ou podem ser adquiridas separadamente. Você também pode criar suas próprias tabelas, customizadas para o seu próprio mundo!
O diário da campanha
A parte final do quebra cabeça que é o RPG solo é o diário de campanha, onde você anota informações como seus objetivos, desenha mapas de locais que visitou, rascunhar a aparência de NPC’s e inimigos, etc. Você também pode relatar o que aconteceu em uma sessão, como se fosse um capítulo de um livro!
O diário também pode ser digital, postado em um blog ou até uma gravação de áudio, dependendo do gosto do jogador.

Considerações finais
Essa foi uma brevíssima descrição do que é um RPG solo, escrita por alguém que está começando a se aventurar por esta nova modalidade de jogo. Gostaria apenas de adicionar que para jogar em modo cooperativo, basta ter mais jogadores e permitir que eles façam perguntas ao oráculo também e que contribuam para a criação da narrativa. E é isto meus caros aventureiros, até a próxima, e lembrem-se:
Às vezes é divertido ir sozinho! (Ainda pode ser perigoso.)











