Olá, queridos leitores!
Hoje, quero contar para vocês sobre um evento muito importante na minha vida, que aconteceu no final do ano passado. Vou fazer desse evento uma série e publicações e espero que vocês gostem. No final do ano passado, tive o prazer inenarrável de visitar um lugar, o qual me surpreendeu. Mais uma aventura proporcionada pelo meu amado esposo e, devo dizer que parar mim, foi a melhor de todas.
Tudo começou quando recebi o seguinte convite: “Quer ir para o Chile?”. Bem, nem preciso dizer o que respondi, né?
Estivemos em visita ao Chile, nos dias 17 até 22 de dezembro e devo dizer que foi uma viagem maravilhosa. Tinha uma ideia totalmente diferente do país e me surpreendi.
Muito bonito! Muitas cores, muita música, comida boa e paisagens incríveis.
Aqui, não pretendo falar não somente sobre aspectos geográficos, mas apresentar a vocês lugares únicos que visitamos e que, um dia, se puderem, visitem. Não vão se arrepender!
Chile: Didático e Poético
Para quem não conhece, o Chile está na costa oeste da América do Sul, espremido entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes. É um país longo e estreito, com mais de 4.000 km de comprimento, mas em média apenas 180 km de largura. Ao norte, está o Deserto do Atacama, um dos mais áridos do mundo. Ao centro, está a região mais fértil do país, onde se concentram vinícolas e a capital, Santiago. Ao sul, lagos, florestas e fiordes, até chegar à Patagônia e à Terra do Fogo.
Culturalmente, existe uma mistura de tradições indígenas com influências espanholas. As tribos indígenas Mapuches, Aymaras e Rapa Nui contribuíram para o desenvolvimento e crescimento do país através da língua, rituais e artes próprias. Já a colonização espanhola trouxe o catolicismo, a arquitetura colonial e os costumes europeus.

Sua independência fortaleceu a busca por uma identidade nacional, valorizando as tradições locais.
- Economia: Forte em mineração (cobre é o principal), agricultura e vinhos reconhecidos mundialmente.
- Símbolos: A cordilheira, o condor e a estrela solitária da bandeira refletem sua identidade.
Um olhar poético
Chile é como um poema vertical, um fio de terra que se estende ao infinito, abraçado pelo mar que canta em ondas e pelos Andes que sussurram em neve.
No norte, o Deserto do Atacama é um livro aberto de silêncio, onde cada grão de areia guarda segredos antigos e o céu noturno se transforma em catedral de estrelas. O silêncio do deserto é uma biblioteca de estrelas. No sul, a Patagônia é épica, onde o vento escreve sua própria canção nas geleiras e nos lagos cristalinos como espelhos, geleiras que respiram lentamente, e o vento que escreve poemas invisíveis nas montanhas e nos fiordes.
E no centro, vinhedos se abrem como versos, e Santiago pulsa como coração moderno, rodeado por vinhedos que se erguem como estrofes vivas, transformando o sol em vinho, e o vento em canção.
E no fundo de sua alma, vive Neruda, que ensinou ao mundo que até uma pedra ou uma onda podem ser poesia e que cada maré, parece guardar um poema escondido.
Imagine uma fita de terra estendida como um pergaminho, onde o mar escreve versos em espuma e a cordilheira desenha muralhas de gelo e pedra.
Desvendando esse país maravilhoso
Em nosso primeiro dia de passeio, fizemos um City Tour pela cidade é sobre alguns pontos turísticos desse passeio que tratará nosso primeiro artigo sobre desta série.
Começamos passando pelo Parque Bicentenário, um local com muita área verde, onde pudemos observar as pessoas passando um tempo de lazer, fazendo piquenique, conversando, andando de bicicleta entre muitas outras coisas. Essa é uma cena rara de ser ver hoje em dia, seja pela violência nas ruas, ou por falta de tempo das pessoas ou até mesmo por um pouquinho de preguiça, mas que ainda conseguimos ver em alguns lugares e em alguns momentos.
História do Parque
O Parque Bicentenário, localizado em Vitacura, Santiago do Chile, é um dos espaços verdes mais modernos e bem cuidados da cidade, ideal para caminhadas, piqueniques e contemplação da natureza. Com lagos, aves, áreas de lazer e restaurantes próximos, tornou-se um dos destinos favoritos tanto de moradores quanto de turistas.
O Parque Bicentenário nasceu em 1998, quando o município de Vitacura lançou um concurso público para revitalizar a área conhecida como Parque das Américas, situada na margem sul do Rio Mapocho. Mas ele foi inaugurado em 2006 como parte das comemorações do bicentenário da independência chilena. Tornou-se um dos maiores e mais modernos espaços verdes da capital, com mais de 30 hectares de áreas verdes e lagos artificiais.
Fica localizado na Comuna de Vitacura, em Santiago e é considerada uma das áreas mais nobres e modernas da cidade. O acesso a ele é fácil tanto de carro, quanto de bicicleta ou transporte público.
As principais atrações desse parque é o Lago Norte, que abriga gansos de pescoço preto e diversas aves aquáticas; e também o Lago Sul, mais tranquilo, com menos aves. Além disso, conta com uma ampla área verde, perfeita para caminhadas, corridas e passeios de bicicleta, playground e espaços infantis, como opção para famílias com crianças. O parque ainda conta com esculturas e arte ao ar livre, reunidas no “Parque das Escultura”, que se conecta ao Parque Bicentenário, ao longo do Rio Mapocho. E, claro, para combinar, o entorno do Parque possui várias opções gastronômicas, como café e docerias, combinando esse clima descontraído com o prazer de um cafezinho.

O Parque foi reconhecido por veículos de mídia internacionais, como o Tripadvisor, e premiado com o Traveller´s Choice Award, por estar entre os 10 primeiros melhores pontos turísticos da cidade.
Como dica, posso dizer a vocês que os melhores horários para visita são pela manhã e nos fins de tarde, quando o clima é mais agradável. O ambiente é seguro (isso não quer dizer que voc~e pode descuidar dos seus pertences pessoais), limpo e tranquilo, perfeito para relaxar, como já disse logo acima e, se posso dar uma sugestão, leve manta ou toalha para um piquenique e aproveite a vista dos Andes ao fundo. Maravilhosa, diga-se de passagem!
Se você estiver em Santiago, o Parque Bicentenário é uma parada obrigatória: combina natureza, lazer e cultura em um dos bairros mais sofisticados da capital chilena.
Curiosidades sobre o Parque Bicentenário
– O paisagista chileno Teodoro Fernández foi responsável pelo desenho e planejamento do parque.
– Ele foi inaugurado em duas etapas: primeira etapa aberta em 2007; segunda e última etapa concluída em 2011, totalizando 314.314 m² de áreas verdes.
– O parque faz parte de uma rede de áreas verdes ao longo do Rio Mapocho, conectando-se ao Cicloparque Mapocho 42K, ao Parque Monsenhor Escrivá de Balaguer e ao Parque Titanium.
– Representa o esforço da comuna de Vitacura em oferecer espaços públicos de qualidade, sustentáveis e acessíveis.
– É considerado um marco da arquitetura paisagística contemporânea no Chile.
– Além de lazer e esportes, o parque é palco de eventos culturais e atividades comunitárias.
– Inclui áreas de reciclagem, manejo de águas e preservação ambiental, reforçando o compromisso da comuna com a sustentabilidade.
Só para encurtar, o Parque Bicentenário é fruto de um projeto urbano iniciado nos anos 1990 e consolidado no bicentenário da independência chilena, tornando-se hoje um dos maiores símbolos de modernização e qualidade de vida em Santiago. Além disso, mostra que o Parque Bicentenário não é apenas um espaço verde, mas também um símbolo histórico e cultural de Santiago.
Fizemos uma parada no Cerro Santa Lucia, um dos lugares mais icônicos de Santiago, no Chile. Trata-se de um morro localizado bem no centro da cidade, com cerca de 70 metros de altura, que oferece uma vista privilegiada da capital e da Cordilheira dos Andes.
Originalmente chamado Huelén pelos povos indígenas, foi rebatizado em 1540 por Pedro de Valdivia, o conquistador espanhol que fundou Santiago. Durante o século XIX, o espaço foi transformado em parque, com jardins, fontes e construções em estilo europeu, tornando-se um ponto cultural e turístico.
Entre os destaques do Cerro estão:
- O Castelo Hidalgo, construído em 1816 e hoje usado para eventos culturais;
- A Fonte de Neptuno, um dos locais mais fotografados;
- Diversos miradouros, que permitem observar o centro histórico e a modernidade da cidade;
- Trilhas e jardins que tornam o passeio agradável e tranquilo.

A entrada é gratuita e o acesso é fácil, já que fica próximo à estação de metrô Santa Lucía. Normalmente abre das 9h às 19h, sendo uma visita que pode durar entre uma e duas horas.
É considerado um dos pontos turísticos mais populares de Santiago, justamente por unir história, natureza e vistas panorâmicas em um só lugar.
Em seguida, voltamos ao centro de Santiago onde continuamos nosso tour a pé. Mas, no caminho, passamos pelo Museu de História Natural, o Museu La Chascona (que era uma das casas de Pablo Neruda no Chile). Chegando ao centro, continuamos nosso passeio a pé, passando pela Plaza de La Constituición e o Palacio de La Moneda. Pudemos passear pela praça, tirar algumas fotos e visitar a feira de artesanato local. Ver as marcas históricas desse local foi muito interessante.
A Casa Museu La Chascona foi construída em 1953 por Pablo Neruda para Matilde Urrutia, sua companheira. O nome “La Chascona” significa “despenteada”, em referência ao cabelo volumoso de Matilde. Localizada no bairro Bellavista, aos pés do Cerro San Cristóbal, a casa guarda objetos pessoais, obras de arte e ambientes que refletem a vida e a criatividade de Neruda. É uma visita intimista, que conecta literatura, política e amor, permitindo conhecer mais da personalidade do poeta.

A Plaza de la Constitución fica em frente ao Palácio de La Moneda, no coração do bairro cívico de Santiago. É uma ampla praça cercada por edifícios governamentais, como o Ministério da Fazenda e o Banco Central. O espaço abriga monumentos de figuras históricas, como Salvador Allende e Diego Portales, além de bandeiras que representam as regiões do Chile. É um local simbólico, que transmite a importância da vida política e democrática do país.

O Palácio de La Moneda é um dos edifícios mais emblemáticos do Chile. Construído no início do século XIX em estilo neoclássico, foi originalmente a Casa da Moeda, de onde vem o nome. Hoje, é sede da Presidência da República e de alguns ministérios. O palácio tem grande valor histórico, especialmente por ter sido palco de eventos marcantes, como o golpe militar de 1973. Além de sua função política, o espaço oferece visitas guiadas e exposições culturais, permitindo ao visitante conhecer tanto sua arquitetura quanto sua relevância histórica.

Andamos um pouco mais e experimentamos uma bebida local: Mote com Huesillo, feita com pêssego, suco de pêssego e trigo. Gostoso, mas um pouco enjoativo. Continuamos a caminhar e chegamos a Catedral Metropolitana e a Plaza de Armas, que é muito bonita, e tiramos algumas fotos. Encontramos a van novamente e nos dirigimos ao Mercado Central, nosso ponto final do passeio.
O Mercado Central de Santiago é um dos lugares mais tradicionais e históricos da capital chilena. Sua construção começou em 1869 e foi inaugurado em 1872, projetado pelo arquiteto Fermín Vivaceta. O edifício se destaca pela estrutura metálica em ferro fundido, considerada inovadora para a época, e foi erguido para substituir a antiga Plaza del Abasto, destruída por um incêndio em 1864.
Desde então, tornou-se o principal espaço de comércio de alimentos frescos, especialmente peixes e frutos do mar. Com o tempo, ganhou fama internacional por seus restaurantes típicos, onde se pode provar pratos como o congrio frito, o ceviche e a tradicional paila marina (sopa de frutos do mar).
Em 1984, o Mercado Central foi declarado Monumento Histórico Nacional, reforçando sua importância cultural e arquitetônica. Décadas depois, em 2012, foi reconhecido pela revista National Geographic como um dos cinco melhores mercados do mundo, colocando Santiago no mapa da gastronomia internacional.

Hoje, o Mercado Central é muito mais que um espaço de compras: é um ponto de encontro, onde se respira a vida cotidiana, se aprecia a arquitetura histórica e se saboreia a culinária local.
É um passeio que mistura tradição, cultura e sabores em pleno coração da cidade.
Como já era horário do almoço, aproveitamos para conhecer o Mercado Central e almoçar por lá. Entre algumas opções, escolhemos um restaurante bem recomendado: El Galeón. O atendimento foi excepcional e a comida maravilhosa, muito saborosa mesmo. Experimentamos um peixe local, do Oceano Pacífico, Reineta. Muito saboroso. E nosso prato estava uma delícia. O restaurante nos presenteou com Pisco Sour, uma bebida local similar a uma caipirinha.
Vou ficando por aqui, mas não acabou. Estou só começando a reviver essa viagem maravilhosa.
Até a próxima!











