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A Síndrome De Down E Os Jogos Eletrônicos: Reabilitação E Inclusão

A Síndrome De Down E Os Jogos Eletrônicos: Reabilitação E Inclusão

Olá, queridos leitores. Hoje venho aqui abordar um assunto que, acredito, interessará a muitas pessoas. Com certeza, vocês já ouviram falar na Síndrome de Down. O assunto que trago hoje, aborda a eficácia do uso de jogos eletrônicos, para o auxílio no desenvolvimento da criança com Síndrome de Down. Curiosos? Vamos lá!

Em primeiro lugar, o que é a Síndrome de Down?

Síndrome de Down é uma alteração genética causada por uma mutação no cromossomo 21 que faz com que o portador dessa alteração, ao invés de ter 1 par de cromossomos, tenha 1 trio de cromossomos, totalizando 47 cromossomos e não 46.

Essa alteração faz com que a criança nasça com algumas características específicas, como: os olhos puxadinhos para cima, a língua um pouco maior do que o normal, uma implantação mais baixa das orelhas, além de o portador apresentar um atraso no desenvolvimento motor, fraqueza dos músculos, apenas 1 linha na palma da mão e a estatura mais baixa. Por se tratar de uma alteração genética, não uma doença, não existe cura. O que existe são tratamentos de Fisioterapia, estimulação psicomotora e Fonoaudiologia, para auxiliar no desenvolvimento da criança portadora da trissomia 21 ou, como todos conhecemos, Síndrome de Down.

Claro que não é regra. Não necessariamente, a criança portadora dessa mutação terá todas as características das quais acabei de falar. Pode ser que tenha só uma característica ou duas, como pode apresentar todas. Além disso, cada criança tem uma característica única, ou seja, em algumas, o grau da mutação apresentado pode ser leve ou moderado; em outras, pode ser mais acentuado.

Cada caso deverá ser analisado individualmente!

O diagnóstico dessa alteração genética é feito ainda na gravidez, através de alguns exames como: ultrassonografia (morfológica), translucência nucal (medida tirada na região da nuca do feto, no ultrassom morfológico), cordocentese (amostra de sangue fetal) e amniocentese (amostra de líquido amniótico).

Figura 3 e 4 300x140 - A Síndrome De Down E Os Jogos Eletrônicos: Reabilitação E Inclusão

Ultrassom Morfológico (à esquerda) e Translucência Nucal (à direita).

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Figura 5 e 6 300x157 - A Síndrome De Down E Os Jogos Eletrônicos: Reabilitação E Inclusão

Cordocentese (à esquerda, exame feito através da coleta do sangue do feto) e Amniocentese (à direita, exame feito através da coleta do líquido amniótico materno).

Terapia para pacientes com Síndrome de Down

Como já disse acima, a Síndrome de Down não é uma doença, mas existem alguns tratamentos recomendados para auxiliar no desenvolvimento do indivíduo portador dessa alteração.

A Fisioterapia, a estimulação psicomotora e a Fonoaudiologia são vitais para auxiliar no desenvolvimento da fala e da alimentação, melhorando assim, a qualidade de vida da criança.

No caso dos bebês, devem ser acompanhados periodicamente e pelo resto de suas vidas, pois existem alguns riscos associados à Síndrome, como: doenças cardíacas, alterações respiratórias, apneia do sono e alterações da tireóide. Embora seja possível essas crianças estudarem em escolas normais, o ideal é que elas frequentem escolas especiais, mas também tenham uma ótima integração social.

Reabilitação e Inclusão com o Uso de Jogos Eletrônicos

Muitos especialistas já testaram a fisioterapia através de jogos eletrônicos e o procedimento foi visto com sucesso. A dificuldade de aprendizado para as crianças, principalmente na área de exatas, tornou-se um desafio para escolas e educadores.  A matemática, por exemplo, além de ser uma ciência básica, suas relações cognitivas dão suporte a outros tipos de aprendizagem, além de ser de extrema funcionalidade para um indivíduo na sociedade.

Os Jogos Sérios (JS) são uma vertente dos jogos digitais, que almejam um propósito educacional ou de treinamento. Apesar de existirem várias iniciativas voltadas a esse objetivo, muito pouco material é disponibilizado para atendê-lo e essa situação se agrava quando se trata de crianças especiais. Uma criança com Síndrome de Down, por exemplo, requer abordagens específicas em função de suas condições físicas, motoras e cognitivas apresentadas.

O profissional deve dar uma ênfase a psicomotricidade, ou seja, associar habilidades motoras e cognitivas, pois facilitará a aquisição de outras habilidades, como as sensoriais.

Porém, conceber um jogo assim não é algo comum, uma vez que não existe uma metodologia aceita, a qual possa ser usada em sua concepção.

A Universidade do Estado de Santa Catarina, em 2015, em seu Seminário de Iniciação Científica, apresentou um projeto onde seria desenvolvido um conjunto de jogos sérios (JS), ou suíte de jogos, o qual auxiliaria às crianças, com ou sem Síndrome de Down, na alfabetização de conceitos matemáticos. Um dos jogos é o Move4Math, em sua versão beta, onde o profissional à frente da terapia ou o educador em questão, faz um cadastro do jogador, indicando suas habilidades cognitivas matemáticas iniciais. A seguir, uma tela de calibração é apresentada, permitindo ajustar o jogador à tela, de maneira que ele vá conseguir completar todos os desafios. O resultado: o software encontra-se disponível em sua versão 1.0, para o uso de profissionais da educação, para crianças portadoras da Síndrome de Down.

Já se encontra, inclusive, em uso, em algumas escolas públicas da região.

Figura 1 - A Síndrome De Down E Os Jogos Eletrônicos: Reabilitação E Inclusão

Tela inicial do jogo Move4Math.

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Figura 2 300x170 - A Síndrome De Down E Os Jogos Eletrônicos: Reabilitação E Inclusão

Tela de calibração, onde o jogador precisa se posicionar de maneira que consiga cumprir os desafios.

Estudos atuais mostram que algumas características apresentadas pela criança com Síndrome de Down persistem na adolescência, como déficits de equilíbrio, destreza e coordenação motora. Existe uma constante preocupação da parte dos profissionais que elaboram programas e estratégias de estimulação para garantir a permanência do paciente em situação terapêutica. Por isso, o uso de videogames interativos se apresenta como um recurso motivador e, ao mesmo tempo, pode proporcionar o desenvolvimento das habilidades motoras e cognitivas.

Equipamentos assim, que trazem o lúdico e ao mesmo tempo deixam o paciente à vontade para se movimentar, desenvolvendo atividades prazerosas, são reconhecidos pela literatura específica, nacional e internacional.

O console mais utilizado nessa questão, como já abordei em artigos anteriores, é o Nintendo Wii, mas apesar de existirem resultados de sucesso comprovados, não existe ainda muitos trabalhos que fundamentem a prática terapêutica de jogos interativos no auxílio do desenvolvimento das crianças e adolescentes com SD. Algumas práticas ainda estão sendo investigadas.

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Fisioterapia para trabalhar equilíbrio e fortalecimento, com uso do NIntendo Wii.

Suellen Lorenzo, mestre em educação pela UNESP, com o auxílio das pesquisadoras Lígia Braccialli e Rita Araújo realizaram um estudo para mostrar quais tipos de intervenção o uso da Realidade Virtual (RV) apresenta como forma de reabilitação física, cognitiva ou psicológica em pacientes com Síndrome de Down.

Através do console Xbox 360, com sensor Kinect, com o jogo “Adventures”, feitas 20 sessões com duração de 40 minutos, foram realizados estudos com os participantes. O paciente escolhido para ser o objeto do estudo foi um paciente de 10 anos de idade. Dentro das sessões de 40 minutos, ele fez um intervalo de 10, mediante sinais de fadiga. O paciente apresentava histórico de problemas escolares. Bem, apesar de o desenvolvimento da motricidade fina (pequenos movimentos do corpo) e da linguagem temporal permanecerem estáveis, foi constatada melhora nas habilidades motoras globais (grandes movimentos, como chutar, saltar, pular), equilíbrio, esquema corporal e organização espacial. O que as pesquisadoras perceberam é que talvez, para potencializar as áreas estáveis, fosse necessário o uso de jogos específicos ou de outras intervenções.

Figura 8 1 300x271 - A Síndrome De Down E Os Jogos Eletrônicos: Reabilitação E Inclusão

Trabalho de psicomotricidade, envolvendo principalmente a espacialidade.

Claro que só a terapia não surte resultados muito grandes. É necessário o trabalho em grupo de pais, parentes próximos, terapeutas e todas as pessoas que fazem parte do ambiente dessa criança, adolescente ou adulto.

A escolha de uma criança e não de um adulto, se deve ao fato da preferência dos pequenos pelo console em questão, porém, elas deixam bem claro que esse estudo pode ser realizado em qualquer faixa etária, porém, o desenho do projeto precisará ser adaptado.

Para encerrar, estudos mais recentes demonstram que crianças com Síndrome de Down e autismo que fazem uso da franquia Minecraft, demonstraram uma melhora no desenvolvimento das atividades escolares e motoras; simplesmente demonstraram uma capacidade melhor de absorção do conteúdo ensinado em sala de aula, desde a criança que está em fase de alfabetização e desenvolvimento de escrita, até um adolescente que está em uma fase de aprendizados mais complexos. Embora muitos não gostem da franquia e não entendam porque as crianças ficam horas presas ao jogo, a explicação é muito simples: o jogo exige concentração e elaborar as construções não é uma tarefa fácil. Além de um fator chamado “socialização”.

Bem, vou ficando por aqui! Espero que tenham gostado! Até a próxima!

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Paula Souza

É Editora e Autora do UniversoNERD.Net, Professora de Língua Portuguesa e Inglesa, amante de leitura e Literatura, além de gamer nas horas vagas.