Quem viveu a era dos cartuchos lembra bem: assoprar a fita, encaixar com cuidado e torcer para funcionar. Os jogos não eram apenas experiências digitais, pois eram objetos físicos para guardar e/ou colecionar, quase relíquias. Com o tempo, os games passaram por CDs, DVDs, discos ópticos, cartões proprietários e arquivos para downloads digitais até chegar ao streaming em nuvem.
Mas a mídia que carrega o jogo sempre contou uma parte importante da história da indústria. E com certeza você, que viveu parte dessa época, possui sua história com seu jogo favorito.
Mais do que uma evolução técnica, a mudança das mídias revela transformações culturais, econômicas e até emocionais. Cada formato trouxe vantagens, limitações e um jeito diferente de se relacionar com os jogos. Do peso do cartucho na mão ao simples clique para iniciar um game via streaming, a experiência também mudou.
Este artigo é um passeio por essa trajetória: das primeiras mídias físicas ao futuro do streaming. Um olhar histórico, mas também humano, sobre como jogamos e como consumimos ao longo do tempo.
A história dos games não é só sobre gráficos e consoles, mas é também sobre onde os jogos estão.

A era dos cartuchos: quando o jogo era um objeto
Nos anos 1970, 1980 e início dos 1990, o cartucho dominava. Consoles como Atari, Master System, Nintendo (o NES), Mega Drive e Super Nintendo (o SNES) usavam cartuchos com chips internos que armazenavam os jogos. Nessa época, eles já eram resistentes, rápidos e praticamente instantâneos: nada de telas de loading longas. Mas os cartuchos tinham limitações, pois o custo de produção era alto e o espaço de armazenamento, reduzido. Isso obrigava desenvolvedores a serem criativos!
Muitos clássicos “nasceram” dessa necessidade de otimização.
Mesmo com limitações, havia algo especial na fisicalidade. A capa, o manual, o ritual de colocar o cartucho no console. Para muita gente, essa relação tátil com o jogo criou memórias afetivas duradouras. A Nintendo manteve cartuchos por mais tempo que outras empresas, inclusive no Nintendo 64, enquanto concorrentes migravam para mídias ópticas. Era uma escolha técnica e estratégica!
O cartucho transformava o jogo em um objeto que cabia na estante.

CDs, DVDs e o salto de capacidade
Nos anos 1990, o CD (Compact Disc) revolucionou a indústria. Estava presente no Panasonic 3DO, no Sega CD e no Sega Saturn, mas foi o primeiro PlayStation que popularizou essa mídia óptica, oferecendo muito mais espaço de armazenamento e custo menor de produção. Isso permitiu jogos com trilhas sonoras completas, vídeos e mundos mais complexos quando são comparados com cartuchos.
O DVD (Digital Versatile Disc) ampliou ainda mais essa capacidade de armazenamento. Consoles como PlayStation 2 e o primeiro Xbox aproveitaram o formato para jogos maiores e mais cinematográficos. Além disso, o DVD transformou os consoles em aparelhos multimídia, capazes de reproduzir filmes.
A mudança para discos também trouxe novos desafios: tempos de carregamento, maior fragilidade física e dependência de leitores ópticos. Ainda assim, o salto em conteúdo e narrativa foi enorme.
A mídia física continuava central ao redor do mundo, mas o jogo começava a se tornar mais “imaterial” em sua essência, pois o disco era apenas um meio para acessar algo muito maior.
Com os discos, os jogos deixaram os chips e passaram a caber em mídias inteiras.

Cartões e mídias proprietárias: o caminho da Nintendo
Enquanto outras empresas apostavam em discos, a Nintendo voltou aos cartuchos em formatos mais modernos (cards). O Nintendo DS, o 3DS e o Nintendo Switch (tanto 1 quanto o atual 2) utilizam cartões de memória proprietários, que são menores, mais rápidos e também mais resistentes.
Esses cartões combinam vantagens dos cartuchos antigos com capacidades mais modernas. Menos tempo de carregamento, maior durabilidade e portabilidade. No caso do Nintendo Switch, a escolha também ajudou no design híbrido do console atrelado com a estratégia de mercado da empresa.
É curioso perceber como a indústria não segue uma linha reta. Às vezes, tecnologias retornam em novas formas. Os minicards da Nintendo mostram que nem sempre o disco era a solução.
O importante era como a mídia se integra ao design do console e à experiência do jogador.
Na história dos games, algumas tecnologias não desaparecem rápido, apenas evoluem e prolongam suas vidas.

Downloads digitais: quando a mídia virou invisível
Com a expansão da internet, os jogos começaram a ser distribuídos digitalmente. É nessa parte da história que diversas plataformas online permitiram comprar, baixar (download) e atualizar sem precisar de mídia física. Isso trouxe conveniência, acesso imediato e atualizações constantes. Mas além disso, mudou o mercado com menos custo de produção física e mais controle das lojas digitais, mudando também o padrão de consumo.
Ao mesmo tempo, surgiu um debate: se o jogo é digital, é realmente “nosso”? A posse física deu lugar a licenças digitais. Para alguns jogadores, isso é liberdade; para outros, a perda do objeto.
A biblioteca de jogos passou a existir mais na conta online do que na prateleira.
Quando os jogos viraram downloads, a mídia deixou de ocupar espaço, mas deixou de ser tangível!

A nuvem e o streaming: o jogo sem mídia
Hoje, o streaming de jogos representa a etapa mais recente dessa evolução. Em vez de rodar o jogo localmente, roda em servidores remotos e é transmitido para o jogador.
Não há cartucho, disco ou download.
Esse modelo democratiza, permitindo jogar títulos pesados em dispositivos simples. No entanto, depende de boa conexão e infraestrutura. Em países com internet desigual, ainda é um desafio!
A tendência parece ser híbrida: jogos locais coexistindo com streaming, pelo menos a curto e médio prazos. Nesse ponto da história atual, indico outro artigo que escrevi recentemente para complementar a leitura: “Entre O Console E A Nuvem: O Futuro Do Hardware Gamer“. Para ler, CLIQUE AQUI.
Mas seguindo com esse texto, posso dizer que a mídia física pode se tornar nicho, enquanto a distribuição digital e a nuvem ganham espaço. O futuro, pelo menos até médio prazo, não é necessariamente sem hardware, mas com menos dependência dele.
A longo prazo os avanços tecnológicos e a IA mudarão esse mercado!
Talvez o próximo formato de mídia seja… não ter mais mídia!


Pontos importantes:
- O primeiro PlayStation ajudou a popularizar CDs nos games.
- Cartuchos tinham carregamento quase instantâneo.
- O PlayStation 2 foi um dos players de DVD mais vendidos do mundo.
- O Nintendo Switch ainda usa cartões físicos.
- Hoje, muitos jogos já são comprados sem mídia física.
- O streaming de games ainda depende muito da qualidade da internet.
Conclusão e reflexão
A história das mídias de games é, na verdade, parte importante da história da própria indústria. Cada formato refletiu o momento tecnológico e cultural de sua época. Cartuchos trouxeram velocidade e identidade. Discos trouxeram escala e narrativa. Downloads trouxeram praticidade.
A nuvem traz acesso e flexibilidade.
Não existe um formato definitivo, mas o que existe é a adaptação constante, pois a indústria muda conforme a tecnologia, o mercado e, principalmente, o comportamento dos jogadores.
Talvez a pergunta não seja: qual será a próxima mídia dos games?
Talvez a pergunta seja: ainda precisaremos de uma mídia?
Para quem cresceu trocando cartuchos ou organizando CDs na estante, a mudança pode parecer estranha, mas a essência permanece a mesma: jogar, descobrir mundos e compartilhar experiências.
A forma muda.
A emoção permanece.
E no fim das contas, seja em cartucho, discos, download ou nuvem, o que importa nunca foi a mídia que armazena o jogo, mas foi a memória que cada jogo deixou em cada um de nós.
Boa semana, bons jogos e boas lembranças.











