Todo álbum da Copa do Mundo gera reclamações. Isso não é novidade. Sempre existiram discussões sobre figurinhas difíceis de encontrar, jogadores ausentes e até erros de impressão ocasionais. Faz parte da cultura do colecionismo há décadas. Mas a edição da Copa do Mundo de 2026 parece ter ultrapassado esse limite tradicional. Vamos tratar a respeito disso?
Poucos dias após o lançamento oficial da coleção, começaram a surgir nas redes sociais, grupos de colecionadores, fóruns especializados e plataformas de atendimento ao consumidor uma quantidade incomum de relatos envolvendo problemas de fabricação, falhas gráficas, dificuldades de distribuição e questões relacionadas aos kits oficiais da coleção.
E o mais curioso é que tudo isso acontece justamente no momento em que a Panini entra nos seus últimos anos como parceira histórica da FIFA. Após a Copa de 2030, os direitos dos álbuns, figurinhas e colecionáveis da entidade passarão para a Fanatics Collectibles, com produção sob a marca Topps.
A Panini está enfrentando apenas os desafios da maior coleção da história? Ou os problemas da edição de 2026 mostram que algo realmente não está funcionando como deveria?
Quando os erros deixam de ser casos isolados e aparecerem em massa, o colecionador passa a enxergar a coleção de outra forma.

A coleção ficou maior, mas os problemas também
A Copa do Mundo de 2026 representa uma mudança gigantesca para a própria estrutura do álbum, pois pela primeira vez, teremos uma Copa com 48 seleções participantes. Isso elevou significativamente o tamanho da coleção e transformou esta edição na maior já produzida pela Panini.
Mais seleções significam mais jogadores, mais páginas, mais figurinhas, mais impressão, mais logística e mais controle de qualidade. E junto com essa expansão começaram os problemas.
O que inicialmente parecia ser apenas um ou outro caso isolado rapidamente se transformou em algo recorrente dentro das comunidades de colecionadores. Em grupos especializados (Eu faço arte de varios!), vídeos de unboxing e redes sociais, começaram a surgir relatos muito semelhantes entre si.
E quando diferentes consumidores, em diferentes regiões, começam a relatar problemas parecidos, naturalmente surge uma preocupação maior.
A maior coleção da história aumentou a exposição dos erros!

Falhas de corte, impressão e acabamento
Talvez a reclamação mais frequente envolvendo a coleção de 2026 esteja relacionada à qualidade física das figurinhas. Diversos consumidores passaram a mostrar figurinhas com cortes desalinhados, margens irregulares, falhas gráficas e problemas de acabamento.
Alguns relatos apontam inclusive diferenças perceptíveis no encaixe das figurinhas dentro dos espaços destinados no álbum.
Em alguns casos, as imagens chegaram com cortes que avançavam pelas margens ou comprometiam elementos visuais importantes. A situação ganhou repercussão para que a própria Panini se manifestasse orientando consumidores sobre a troca em casos de defeito na fabricação.
É importante dizer que erros de impressão existem há décadas no mercado de colecionáveis.
Mas existe uma diferença importante entre erros raros e erros recorrentes!
Quando os relatos passam a surgir em volume elevado, a discussão deixa de ser curiosidade de colecionador e passa a ser uma questão de controle de qualidade.
O problema não é existir uma figurinha defeituosa. O problema é quando muita gente começa a encontrar a mesma situação.

Os kits também entraram na discussão
Outro tema que começou a gerar reclamações envolve alguns kits da coleção. Colecionadores passaram a relatar situações envolvendo divergências de conteúdo, dificuldades relacionadas à composição de determinados kits e expectativas frustradas sobre itens promocionais anunciados.
Parte dessa insatisfação vem justamente da evolução do próprio mercado.
Hoje o colecionador não compra apenas um álbum, mas compra versões capa dura, edições especiais, boxes, produtos premium e itens voltados para preservação e coleção de longo prazo.
Com isso, a expectativa sobre qualidade e consistência dos produtos também aumentou.
O consumidor atual observa detalhes que talvez passassem despercebidos há dez ou quinze anos. E quando o produto assume um posicionamento mais premium, a cobrança naturalmente cresce na mesma proporção. E confesso que também penso assim como um colecionador!
Quanto mais premium o produto, menor fica a tolerância para falhas.

A polêmica dos lotes e das figurinhas repetidas
Nenhum assunto gerou tanta discussão quanto os envelopes. Nas últimas semanas surgiram inúmeros vídeos mostrando aberturas de grandes quantidades de pacotes e comparações entre diferentes lotes de fabricação. O motivo? A sensação de que alguns lotes estariam produzindo repetições excessivas ou padrões considerados estranhos por parte dos colecionadores.
É importante deixar algo claro: não existe comprovação oficial de irregularidade na distribuição.
Mas existe uma percepção crescente dentro da comunidade de colecionadores. E, no universo dos álbuns da Copa, percepção importa. Porque ela influencia diretamente a experiência de quem está tentando completar a coleção. O problema é que essa sensação acaba gerando desconfiança.
Quando um colecionador abre dezenas de pacotes e continua encontrando repetidas em grande quantidade, a frustração aumenta rapidamente. E mesmo que parte disso seja consequência matemática do tamanho gigantesco da coleção, o impacto na experiência continua existindo.
Nem todo problema é comprovado. Mas quando muitos discutem o mesmo assunto, isso ganha força própria.

Logística, distribuição e a sensação de desorganização
Outro ponto bastante criticado envolve a distribuição dos produtos. Enquanto algumas regiões receberam reposições rápidas e grande disponibilidade, outras enfrentaram dificuldades para encontrar determinados itens nos primeiros dias da coleção. Além disso, muitos que realizaram a compra no início da pré-venda receberam seus produtos depois de outros que compraram após o lançamento oficial. Isso não é novidade, mas é decepcionante!
E a dimensão da edição de 2026 tornou essas diferenças muito mais visíveis!
Hoje, qualquer problema local rapidamente aparece nas redes sociais. Uma falta de reposição em uma cidade deixa de ser um problema regional e vira discussão nacional em poucas horas. Além disso, o aumento da procura por versões especiais do álbum também ampliou a pressão sobre a distribuição.
O resultado é uma sensação de desorganização que acabou se somando às outras críticas.
Em 2026, a logística também virou parte da experiência!
Outro ponto levantado por colecionadores e, abordado no vídeo (abaixo) da Rádio BandNews FM, envolve as projeções feitas pela Panini para as seleções nacionais. Como o álbum precisa ser produzido muitos meses antes das convocações oficiais (não foi o caso desse ano), a empresa trabalha com estimativas sobre quais atletas estarão na Copa do Mundo. No caso da Seleção Brasileira, parte dos jogadores acabou não aparecendo na lista final de convocados.
Não se trata exatamente de um erro de impressão ou fabricação, mas de uma limitação histórica do processo editorial da coleção, que todos os anos gera comparações entre o “time da Panini” e o time que realmente entra em campo após a convocação oficial elenco e a definição da equipe titular.
Curiosidades relacionadas
A Copa do Mundo de 2026 é oficialmente a maior coleção já produzida pela Panini em toda a história do torneio. O Procon-SP registrou um aumento expressivo nas reclamações relacionadas ao álbum e às figurinhas, apontando crescimento de mais de 200% nas queixas desses produtos.
Erros de impressão e cortes incorretos podem se tornar itens valorizados em alguns nichos específicos do colecionismo, embora isso normalmente aconteça apenas em casos extremamente raros.
A parceria entre FIFA e Panini continuará até a Copa do Mundo de 2030. A partir de 2031, os produtos oficiais passarão a ser desenvolvidos pela Fanatics Collectibles sob a marca Topps.
Conclusão e reflexão
A coleção da Copa do Mundo de 2026 está longe de ser apenas mais um álbum pois representa uma das maiores operações já realizadas pela Panini e também uma das mais questionadas pelos colecionadores nos últimos anos.Parte das críticas pode ser consequência do crescimento da coleção. Mas parte delas também aponta problemas reais que vêm sendo relatados por consumidores em diferentes regiões. Ignorar essas reclamações seria um erro.
Porque o que está sendo discutido não é apenas qualidade gráfica ou logística. É confiança.
Talvez o aspecto mais interessante de toda essa situação seja perceber como o colecionador mudou. Hoje ele não apenas coleciona, mas compara, analisa, grava, fotografa, denuncia problemas e cobra respostas. E isso faz com que empresas tradicionais precisem operar em um nível de transparência!
A Panini continua sendo uma das marcas mais importantes da história do colecionismo esportivo e a Copa de 2026 mostrou uma coisa de forma muito clara: o colecionador moderno aceita pagar caro por uma coleção. O que ele não aceita mais é pagar caro por uma coleção cheia de problemas!











