Saudações, meus caros nerds rpgistas de plantão! Tudo bom convosco? Completou um ano que fiz um post explicando e exaltando os financiamentos coletivos em RPG, cujas maiores vantagens por mim citadas eram possibilitar a publicação de novos jogos (principalmente os nacionais) e consegui-los a um preço mais em conta; esse post pode ser lido clicando aqui. Durante esse intervalo, continuei observando a movimentação de várias campanhas: participei de algumas, pulei outras… mas algo que me chamou a atenção e me fez reconsiderar seriamente se vale mesmo apoiar esse tipo de ação é o fato de que:
“A velocidade do surgimento de novas campanhas é muito maior do que a entrega das recompensas das campanhas já finalizadas.“
Conforme abordei no post mencionado, atrasos e imprevistos são comuns nas campanhas de financiamento coletivo. Em boa parte das vezes, a culpa não é das editoras, mas, sim, dos fornecedores, gráficas, empresas de logística, dentre outros agentes que trabalharão na confecção e entrega dos produtos combinados, fugindo, portanto, do controle dos criadores da ação. Todavia, o que me irrita (e muito!) é que, mesmo com prazos estourados em campanhas já concluídas, essas editoras não param de lançar novos financiamentos, que quase sempre acabam tendo êxito também! Isso me leva a outra conclusão, baseada nas minhas observações:
“O marketing das campanhas é altamente profissional e agressivo; já os processos de produção e entrega, não!”
Aqui, sem pudor algum, citarei um caso da editora New Order para exemplificar minhas constatações. Em 14 de janeiro deste ano, fiz o apoio ao jogo Condenados ao Poder, que já tinha sido financiado e agora fazia uma campanha de pré-venda:

Conforme podem observar, a entrega do livro físico estava prevista para março, ou seja, havia tempo suficiente para cumprir o prometido referente a um produto teoricamente pronto que demandava apenas sua impressão. Contudo, foi somente no início de abril que a editora disponibilizou o link para o pagamento do frete. “Excelente!”, pensei eu – “apenas um mês de atraso não é tão ruim assim”. Ledo engano…
A New Order já avisa que uma venda só sairá do status de “em processamento” quando o produto for enviado. Até aí, tudo bem. Entretanto, paguei o frete no dia 06 de abril, mas somente em 10 de junho foi gerada a etiqueta para o envio dos Correios! Para piorar a situação e me frustrar mais ainda, conforme podem ver na imagem abaixo, a modalidade de envio prevê de 15 a 30 dias úteis para a entrega. Vocês podem estar pensando: “Não seja ansioso, Lukas! Daqui a pouco chega!”; mas e se eu explicar a vós que “foi gerada a etiqueta” não significa que o produto está a caminho?! Pois é! Se pudessem rastrear o código que intencionalmente desfoquei, veriam que o pacote está com o status de “Objeto não encontrado na base dos Correios”, ou seja, até o momento, o livro sequer foi postado!

O que mais me deixa furioso é que, se entrarem agora no site da editora, verão que ela está com três financiamentos coletivos em aberto: Salvage Union, dois baralhos e um suplemento de Pathfinder. Além disso, na página do Catarse do Condenados ao Poder, recebi apenas duas comunicações de atualização sobre o jogo desde que fiz o apoio, enquanto divulgações de produtos foram mais de vinte! Em vez de explicações sobre o atraso, era incentivado a comprar diversas coisas de Pathfinder, Salvage Union, EveryDay Heroes, Triangle Agency, dentre outros.
Chatice minha, caros leitores? Acho que não! Se acham que estou de implicância, o que diriam que estou à espera de mais dois títulos da editora? Um deles que certamente atrasará (a última atualização foi em 9 de fevereiro, mas lotado de comerciais de outros jogos!) e outro quase completando um ano de atraso. Posso ficar revoltado?! Ou não?!

Aqui, citei a New Order, mas esse modus operandi também é seguido por outras editoras. Há bons exemplos? Sim, claro que há, vindos, principalmente, de editoras de menor tamanho. Essas, geralmente, focam em apenas um título, partindo para uma nova campanha apenas quando as recompensas prometidas de campanhas concluídas já foram ou estão em vias de serem entregues.
A partir de agora, ficarei mais atento e passarei a separar o “joio do trigo”, dando “nome aos bois”: editoras que cumprem e editoras que não cumprem os seus combinados nas campanhas de financiamento coletivo. Levarei em consideração até as questões da “exclusividade” e “menor preço”, pois nas descrições é comum ver que será impressa a quantidade exata de livros vendidos e que durante a campanha ele custará “X”, mas depois da campanha, custará “X + Y”, e o consumidor acaba comprando em vista desses fatores, querendo economizar e/ou não ficar sem o jogo; quando isso é posto para os potenciais apoiadores, considero desonesto, meses depois, aparecerem outros valores promocionais em campanhas late pledge ou de pre release.
Para tanto, além de ficar de olho nas redes sociais das principais editoras voltadas ao RPG, continuarei acompanhando os canais Rodrigo Ragabash, especializado em trazer as atualizações das campanhas em andamento) e Resenhas – Perdidos no Tempo, onde, no início de uma nova série de resenhas sobre um jogo, Fábio Corrêa traça o histórico de sua campanha até à entrega dos produtos. Fazendo essa verificação, com o tempo pretendo tabular esses dados e, a partir deles, realizar uma análise cujos critérios envolverão: início vs. fim de campanha; data de entrega prevista vs. data de entrega real; valor em financiamento coletivo vs. valor após o lançamento; quantidade de financiamentos em andamento por editora; comunicação com o apoiador vs. marketing de outros produtos, entre outros fatores que julgar relevantes.
Com isso, pretendo construir um ranking que mostrará quais são as melhores e piores editoras. Assim, vocês saberão em quais empresas cumprem o que prometem e quais querem apenas vender, aproveitando todo esse hype do cenário de RPG no Brasil. Talvez, só assim para que as editoras possam ter o mesmo nível de profissionalismo no pós-financiamento que demonstram durante as etapas de divulgação e venda.
Abraços e até breve.











