Em muitos aspectos, a Copa do Mundo da FIFA de 2026 será uma edição histórica. Pela primeira vez, o torneio contará com 48 seleções, ampliando a representatividade de países e culturas de diferentes regiões do planeta. Além disso, a competição será realizada de forma conjunta por três nações anfitriãs (Estados Unidos da América, México e Canadá), consolidando-se como a maior Copa do Mundo já organizada em termos de alcance geográfico, estrutura logística e número de jogos disputados.
Com duração prevista de 39 dias, o torneio promete estabelecer novos marcos não apenas dentro de campo, mas também na forma como o futebol é vivenciado por atletas, torcedores e profissionais envolvidos na competição. Em uma era marcada pela transformação digital, a tecnologia desempenhará um papel ainda mais relevante, contribuindo para aprimorar a arbitragem, a análise de desempenho dos jogadores, a segurança dos estádios e a experiência dos espectadores.

Bolas de jogo equipadas com sensores
A Trionda, nome que remete às “três ondas”, em referência aos três países sede da competição, é a bola oficial da Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos da América, México e Canadá. Mas o que torna essa bola desenvolvida pela Adidas tão especial?
Um pequeno chip sensor de unidade de medição inercial (IMU) está integrado à bola, fornecendo informações sobre cada elemento do seu movimento. Este sensor captura dados 500 vezes por segundo, rastreando a aceleração da bola e seus movimentos precisos em três dimensões.
Essa tecnologia envia dados precisos ao sistema de árbitro assistente de vídeo (VAR) em tempo real, aprimorando a tomada de decisões dos árbitros, inclusive em relação aos impedimento.
Simplificando, como explicou Nicolas Evans, chefe de Pesquisa e Padrões da FIFA, em um vídeo da BBC (ver abaixo) , o sensor informa “o que a bola está fazendo em um espaço 3D (tridimensional)“. Isso significa que cada toque, desvio, cabeceio ou chute pode ser registrado com extrema precisão, fornecendo informações valiosas tanto para a arbitragem quanto para análises técnicas e estatísticas.
Essa é mais uma demonstração de como a tecnologia está transformando o futebol moderno, tornando o esporte mais justo, transparente e preciso, sem deixar de preservar a emoção que faz da Copa do Mundo um dos maiores espetáculos esportivos do planeta.
O vídeo possui tradução automática para o Português-BR quando acionada.
Avatares de jogadores com inteligência artificial
O uso da tecnologia na Copa do Mundo de 2026 não se limitará às bolas equipadas com sensores. Os próprios jogadores também farão parte desse ecossistema tecnológico. Como resultado da parceria entre a FIFA e a Lenovo, considerada a maior fabricante de computadores pessoais do mundo, uma série de inovações impulsionadas por inteligência artificial foi apresentada no início deste ano.
Entre as novidades estão os avatares 3D de jogadores gerados por inteligência artificial, uma ferramenta desenvolvida para aumentar a precisão das análises e das decisões de arbitragem.
Para isso, os atletas participantes da Copa do Mundo serão submetidos a um processo de escaneamento digital capaz de criar modelos tridimensionais extremamente detalhados. Cada escaneamento leva aproximadamente um segundo e captura informações que, segundo a FIFA, permitem obter medidas altamente precisas das diferentes partes do corpo dos jogadores.
Isso possibilita que o sistema acompanhe seus movimentos com confiabilidade, mesmo durante jogadas rápidas ou em situações nas quais parte do corpo esteja temporariamente encoberta.
Os avatares de jogadores em 3D com IA representam um avanço significativo na tecnologia semiautomática de impedimento.
Além de auxiliar a equipe de arbitragem, esses modelos digitais também serão incorporados às transmissões televisivas. Dessa forma, as decisões de impedimento analisadas pelo sistema VAR poderão ser apresentadas de maneira mais clara, realista e envolvente para os torcedores presentes nos estádios e para os milhões de espectadores que acompanharão os jogos ao redor do mundo.
Confira mais detalhes no vídeo da publicação abaixo:
Thank you to @FIFAcom President Gianni Infantino for joining me on stage at Lenovo Tech World to explain how Lenovo AI is enabling a smarter, more inclusive, and more immersive football experience for the FIFA World Cup 2026. #CES2026
— Yuanqing Yang (@YuanqingYang) January 8, 2026
🔗: https://t.co/kDCsvLyerL pic.twitter.com/5trlZA7rrX
Outra inovação prevista para o torneio é a utilização das câmeras corporais dos árbitros. A tecnologia, que já foi testada em algumas das principais competições de futebol do planeta, estará presente nas 104 partidas da Copa do Mundo de 2026. Com ela, os torcedores poderão acompanhar determinados momentos da partida pela perspectiva do árbitro, obtendo uma visão inédita e mais imersiva do que acontece dentro d ecampo.
Essas novidades demonstram como a inteligência artificial, a computação avançada e os sistemas de captura de dados estão transformando a forma como o futebol é jogado, analisado e assistido, aproximando cada vez mais a tecnologia do espetáculo esportivo.
Cães robôs
Para ajudar a combater o crime na Copa do Mundo, a polícia mexicana contará com cães.
Não cães de verdade, mas cães robóticos!
Os robôs quadrúpedes são projetados para entrar em áreas perigosas e transmitir vídeo ao vivo para as forças de segurança, que podem assistir às imagens antes de agir durante o torneio.
Os robôs com formato de animais e adquiridos por cerca US$ 145.000 pela prefeitura de Guadalupe, que faz parte da região metropolitana de Monterrey, serão utilizados “em caso de qualquer alteração“.
O objetivo dos cães robôs é auxiliar os policiais na intervenção inicial para proteger a segurança física dos agentes.
Tecnologia avançada de impedimento semiautomática
Frustrado com o bandeirinha levantando a bandeira de impedimento tarde demais? A FIFA introduziu uma tecnologia avançada de impedimento semiautomática, que permitirá aos árbitros tomar decisões mais rápidas do que esperar que a jogada se desenrole.
A tecnologia semiautomática de detecção de impedimento foi projetada para identificar impedimentos quase em tempo real, mas anteriormente só alertava os árbitros se um jogador estivesse em posição irregular por mais de 50 cm. No entanto, em sua versão reformulada, agora ela pode ajudar a tomar decisões mais precisas, sinalizando quando um jogador está em posição irregular por mais de 10 cm.
Os árbitros receberão um alerta de áudio em tempo real em seus fones de ouvido, em vez de terem que esperar o VAR.
Existem, no entanto, algumas limitações. Só pode ser usado para impedimentos posicionais, não para lances subjetivos, e não conseguirá identificar os lances mais duvidosos. Além disso, não consegue interpretar se um jogador estava interferindo na jogada e pode não ser capaz de marcar um impedimento se os jogadores estiverem no chão ou se os corpos estiverem muito próximos.
No entanto, a FIFA acredita que essa nova tecnologia diminuirá a frustração de espectadores e jogadores, além de reduzir as chances de lesões devido a lances desnecessários quando uma bandeira de impedimento está prestes a ser levantada.

Pausas programadas para hidratação
Na Copa do Mundo de 2026, serão adotadas também pausas programadas para hidratação durante as partidas, uma medida implementada pela FIFA com o objetivo de priorizar a saúde, o conforto e o bem-estar dos jogadores ao longo da competição.
Independentemente das condições climáticas, da temperatura ambiente ou do fato de o estádio ser coberto ou não, haverá uma interrupção de aproximadamente três minutos em cada tempo de jogo. A pausa está prevista para ocorrer por volta da metade de cada etapa, aproximadamente aos 22 minutos de partida. Segundo Manolo Zubiria, Diretor de Torneio da FIFA nos EUA para a Copa do Mundo de 2026, a medida será aplicada de forma padronizada em todos os jogos:
Em todas as partidas, haverá uma pausa de três minutos para hidratação. Serão três minutos adicionais em cada tempo.
A iniciativa reflete uma crescente preocupação das entidades esportivas com a saúde dos atletas, especialmente em torneios de longa duração e disputados em diferentes regiões geográficas. Além de permitir a reposição de líquidos, as pausas oferecem um breve momento de recuperação física, contribuindo para a manutenção do desempenho dos jogadores e para a qualidade das partidas.

Para além dos gols, das disputas e da busca pelo título mundial, a Copa do Mundo de 2026 demonstra como o esporte está cada vez mais conectado aos avanços da ciência e da tecnologia. Sensores nas bolas, inteligência artificial para análise de jogadas, modelos tridimensionais dos atletas e novas experiências de transmissão mostram que o futebol está entrando em uma nova era, na qual dados e inovação se tornam aliados para tornar o jogo mais justo, transparente e envolvente.
Ao mesmo tempo, essas transformações evidenciam a importância de formar cidadãos capazes de compreender e utilizar a tecnologia de maneira crítica e responsável.
Mais do que um espetáculo esportivo, a Copa do Mundo pode ser vista como uma grande oportunidade educativa. Ela nos permite discutir temas relacionados à ciência, à tecnologia, à geografia, à cultura e à convivência entre os povos. Em um mundo marcado por desafios e conflitos, eventos globais como esse também reforçam valores fundamentais, como o respeito às diferenças, a cooperação, o trabalho em equipe e a busca pela paz. Talvez essa seja uma das maiores lições que o futebol pode oferecer: mostrar que, apesar das rivalidades dentro de campo, é possível celebrar a diversidade e construir pontes de diálogo e união entre pessoas de todas as partes do planeta.











