Diário de Viagem: O Chile Que Ficou Na Alma (Parte 3)

WhatsApp
Telegram
Facebook
LinkedIn
X

Olá, queridos leitores. No último artigo sobre esta viagem maravilhosa, eu falei sobre a Vinícola Undurraga, que foi o passeio feito na metade do nosso terceiro dia no Chile. Vamos continuar?

Após a visita à vinícola, nós voltamos ao hotel para descansar e decidimos fazer um passeio por conta própria: o Sky Costanera. Pensem em um local top? Começando pelo local onde ele está instalado: o Costanera Center, o maior shopping da América do Sul, localizado no bairro de Providencia.

O shopping conta com mais de 300 lojas, divididas em 6 andares, a Gran Torre Santiago com seus 300m de altura, dois hoteis de padrão internacional e torres de escritórios. Entre as lojas está o supermercado Jumbo, ideal para lembranças gastronômicas e vinhos (já fica a dica) e um Hard Rock Cafe. A Praça de Alimentação era maravilhosa. Distribuída em dois andares, dá prá escolher o que deseja, pois tem opções para todos os gostos e bolsos. 

No topo da Gran Torre está o Sky Costanera, que é o mirante mais alto e no prédio mais alto da América Latina.  

Chegamos ao local e andamos um pouco pelo shopping, mas decidimos que seria melhor conhecer o local em dois dias, para não ficar corrido. Focamos em visitar o Sky Costanera, pois estávamos bem curiosos com relação a ele. O Sky Costanera, como disse acima, é o mirante mais alto da América Latina, localizado em Santiago, Chile, a 300 metros de altura, nos andares 61 e 62 da Gran Torre Costanera. Ele oferece uma vista panorâmica de 360° da cidade e da Cordilheira dos Andes, sendo uma das atrações turísticas mais imperdíveis da capital chilena.

Entre o céu e os Andes… onde Santiago se revela em 360°.

Pegamos o elevador e subimos até o mirante. Que lugar aconchegante! Demos uma volta, para conhecer o local e ainda conseguimos sair em um vídeo feito pela equipe do local rs. Encontramos lugar aconchegante, onde conseguiríamos ver o pôr-do-sol. Posso dizer a vocês com toda certeza: não presenciei muitas vezes um pôr-do-sol na minha vida, mas foi o mais belo pôr-do-sol que já vi. A cidade se iluminava aos poucos, e o céu se tingia de laranja e rosa, criando um espetáculo inesquecível. Assim, encerramos nosso segundo dia de passeio nesse país encantador.

Como eu disse logo no começo, foram passeios intensos, cheios de descobertas, sabores e paisagens que ficarão guardados para sempre na minha memória. Entenderam agora o título da série? Mas, calma que ainda tem muito mais!

Nosso quarto dia de passeio foi marcado, pois era o dia mais esperado de nossa viagem: conhecer a Cordilheira dos Andes e o Vale Nevado. Vamos?

Tomamos nosso café e descemos para aguarda a van. E assim começou nossa primeira aventura do nosso terceiro dia de passeio. O caminho até lá foi uma experiência por si só. Conforme subíamos, a paisagem ia mudando: as ruas da cidade davam lugar às curvas da estrada, ladeadas por montanhas imponentes. A cada quilômetro, o cenário se tornava mais grandioso, com montanhas enormes, picos nevados que pareciam tocar o céu, com toda sua imponência e majestade da natureza.

A subida foi cheia de emoção. As curvas da estrada são famosas e impressionam, mas a vista compensa qualquer frio na barriga ou mal-estar. Paramos em alguns locais para apreciar a paisagem e tirar fotos. O ar era mais frio e puro, e a sensação de estar cercada por montanhas era indescritível.

Chegamos ao topo do mundo chileno, literalmente! E que frio!

Paramos no hotel para tirarmos fotos e subir um pouco, para conseguirmos observar a vista lá de cima e tirar algumas fotos. Uma das visões mais lindas que já presenciei em minha vida. A subida não foi nada fácil, mas consegui fazer pelo significado que tinha naquele momento. E valeu a pena cada esforço e cada segundo. Uma das visões da natureza mais lindas que já vi. Obra do Criador, realmente!

A regra aqui é muito simples: respirar fundo, sentir a paz e deixe-se envolver pela beleza natural.
“Cada pico guarda um segredo, cada sombra guarda uma história…. o vento fala e o coração escuta….”

Descemos e seguimos para o Vale Nevado, parando antes para almoçar em um restaurante bem simples, mas aconchegante. Nosso almoço foi bem gostoso e com um estilo rústico: um prato com arroz, carne bovina e legumes, mito saboroso. Logo seguimos em direção ao Vale Nevado.

Chegando lá, fomos recebidos por um cenário de tirar o fôlego: neve apesar de não haver neve por conta da estação, montanhas e um silêncio que só a natureza sabe oferecer. Caminhamos pelo local, fizemos fotos, registrando cada momento. E mais uma vez, me senti grata por estar vivenciando tudo.

No retorno, descemos novamente pelas curvas da Cordilheira, mas com o coração cheio de gratidão. Foi um passeio inesquecível e estar ali, ao lado do Reinaldo, tornou tudo ainda mais especial.

Votamos para o hotel e ainda demos uma volta pelos arredores para experimentarmos as famosas empanadas chilenas. Uma delícia! E assim, encerramos o segundo dia dessa viagem maravilhosa!

Nosso último dia no Chile começou com muita expectativa.

Após o café da manhã, partimos rumo a Valparaíso, cidade portuária cheia de cores e histórias, em meio ao perfume do mar e ao vento das montanhas. As ruas estreitas e íngremes, os murais de arte urbana e as casas coloridas criavam um cenário vibrante e único. Cada muro pintado parecia sussurrar segredos antigos e cada casa colorida, um poema suspenso sobre as colinas. Caminhar por Valparaíso foi como mergulhar em uma galeria a céu aberto. Caminhamos por ruas estreitas como se estivéssemos dentro de uma tela viva, onde o menino dos grafites nos olhava com olhos de curiosidade eterna, lembrando Darwin e sua busca pelo mistério da vida. Fizemos várias fotos, admiramos os grafites e sentimos a energia boêmia que a cidade transmite.

Em Valparaíso, entre cores e palavras, até os degraus ensinam a viver com paixão…”

Caminhando pelas ruas e becos coloridos, o ar boêmio contagiando a todos nós, ouvíamos atentos cada palavra da guia local. E não pudemos deixar de prestar atenção a uma lenda local sobre um povo que foi exterminado: os Selk´nams. Alguns muros tinham pinturas sobre um personagem desse povo que acabou se tornando um símbolo, não só do povo, mas da cultura também. E a nossa curiosidade de hoje é sobre esse povo. Vamos lá?

Os Selknam (ou Ona) foram um povo indígena da Terra do Fogo, no extremo sul do Chile e da Argentina, conhecidos por sua cultura espiritual, rituais de iniciação e trágica história de quase extinção durante a colonização europeia no século XIX. Hoje, há esforços para recuperar sua língua e identidade cultural, com descendentes e estudiosos mantendo viva sua memória.

Localizados na região da Terra do Fogo, entre o sul do Chile e da Argentina, habitaram essa área por 11 mil  anos, sobrevivendo ao frio intenso e ventos patagônicos.

Eram nômades caçadores, vivendo da caça de guanacos (animais semelhantes a lhamas) e coletas de frutos e raízes. 

Sua religião era baseada em animismo, onde acreditava-se em espíritos da natureza e forças invisíveis que guiavam o mundo. Os jovens tinham que passar por uma cerimônia de iniciação na vida adulta, onde enfrentavam “espíritos” (homens disfarçados), para provarem coragem. Durante esse ritual, os Selk´nam pintavam o corpo com listras vermelhas e brancas, criando figura simbólicas e assustadoras. 

Falavam o idioma Ona, parte das línguas chonanas da Patagônia. Hoje, o linguista chileno Joubert Yanten Gómez (Keyuk) é considerado o único falante fluente e trabalha para revitalizá-la.

Entre neve e guanacos, os Selk´nam escreveram sua própria poesia…

O genocídio Selk’nam foi um massacre sistemático ocorrido entre 1880 e 1910 na Terra do Fogo, que reduziu a população indígena de cerca de 3.000 pessoas para menos de 500 em apenas uma década. Foi promovido por colonizadores, pecuaristas e mercenários, e é considerado um dos episódios mais brutais da história da América do Sul.

Contexto Histórico

Os Selk’nam eram um povo nômade que vivia da caça de guanacos e coleta de alimentos na Ilha Grande da Terra do Fogo. Com a chegada de colonizadores europeus no século XIX, foram trazidas práticas como a exploração de ouro e a expansão da pecuária ovina. Dessa forma, os indígenas passaram a ser vistos como ameaça aos rebanhos e às terras ocupadas pelos colonos.

O extermínio se deu no período entre 1880 e 1910, através de assassinatos em massa, execuções sumárias, perseguições e deslocamentos forçados. Mercenários eram contratados por fazendeiros para caçar os indígenas como se fossem animais, fazendo uso de rifles e escopetas. Embora não se tenha nenhum registro do número de mortes, estima-se que possam ser mais de 900 habitantes.

Como consequência, houve uma redução populacional em menos de 15 anos, deixando a população resumida a 500 indivíduos, aproximadamente.  Esses sobreviventes foram levados para a Ilha Dawson, onde missionários salesianos criaram uma missão. Muitos morreram em condições precárias. A língua Ona foi praticamente extinta, e rituais como o Hain desapareceram.

O genocídio Selk’nam é, hoje, reconhecido como um crime contra a humanidade. Em 2021, foi inaugurado um mural em homenagem ao povo Selk’nam no centro do Rio de Janeiro. Descendentes lutam pelo reconhecimento oficial e pela revitalização da cultura e da língua.

Mural celebra o povo Selk’nam e sua conexão espiritual com a natureza, símbolo de resistência e memória ancestral da Terra do Fogo. (Fonte: g1)

Seguimos para Viña del Mar, conhecida como a “Cidade Jardim”. O contraste com Valparaíso é marcante: ruas largas, prédios modernos e jardins bem cuidados. Passeamos pela orla, vimos o famoso Relógio de Flores e aproveitamos o clima agradável para caminhar à beira-mar. Foi um momento de paz e contemplação, com o som das ondas nos acompanhando.

Relógio de Flores, ícone de Viña del Mar — onde o tempo floresce em cores e tradição chilena.

Voltamos para o hotel, tomamos uma água e voltamos ao Shopping. Eu falei que voltaríamos, lembra? Foi o tempo suficiente para conhecê-lo um pouco melhor. 

Antes do jantar, fizemos uma parada especial na cafeteria temática Frida Kahlo. O ambiente era cheio de cores, quadros e referências à artista mexicana. Aproveitamos para descansar um pouco, imersos naquele espaço criativo e inspirador.

Encerramos a noite no Hard Rock Café Santiago. O clima animado, a decoração cheia de instrumentos e lembranças musicais, e o atendimento descontraído tornaram o jantar uma verdadeira celebração. Voltamos ao hotel para descansarmos, afinal de contas, esse passeio foi nossa despedida desse país maravilhoso e cheio de mistérios. 

No dia seguinte acordamos, tomamos café e partimos rumo ao aeroporto para nosso retorno. E, acreditem, a despedida dessa viagem foi feita diante da imagem mais maravilhosa que já vi em minha vida: passamos por cima dos picos gelados da Cordilheira, onde o gelo é permanente (imagem de capa). Confesso que as lágrimas rolaram e não tive como me conter diante de tamanha beleza!

Deixe um comentário

Picture of Paula Vargas

Paula Vargas

Professora de Língua Portuguesa e Inglesa, Pedagoga, além de amante de leitura e Literatura. É editora e autora do Projeto UniversoNERD.Net.