Saudações, meus caros nerds rpgistas de plantão! Tudo bom convosco? Começo, aqui, mais uma nova série no Universo Nerd que há muito tempo queria trazer a nossos queridos leitores: fazer a apresentação de novos jogos de RPG e passar como está o andamento dos financiamentos coletivos dos quais participo a fim de adquirir os lançamentos que movimentarão essa seção. Por não ter vínculo nem compromisso com nenhuma editora, tampouco medo de expor aquilo que realmente penso, acompanhar essas postagens dará uma visão bem realista de quais empresas fazem um trabalho profissional e cumprem aquilo que prometem e quais não o fazem.
Quem terá a honra de ser o primeiro (espero que de muitos!) a abrir essa série será Condenados ao Poder (CAP). Descrito pelos autores como um “RPG de super-humanos em um distópico mundo futurista”, o jogo é uma criação da equipe pernambucana Guilda Armorial em parceria com a Iniciativa Nova Ordem, um projeto da Editora New Order que seleciona autores brasileiros a fim de dar suporte ao lançamento de jogos nacionais de RPG e tabuleiro.

Encadernado em capa dura, o livro possui o formato A5 (148 x 210mm) e é composto por 208 páginas em preto & branco. A divisão de capítulos está muito boa, pois segue uma ordem bastante lógica de organização, além de ter títulos bem intuitivos para orientar a busca e estudo de mestres e jogadores. Meu exemplar foi adquirido no último dia do financiamento coletivo de “pré-venda” (14/01/26) pelo valor de R$100. A promessa de entrega dos itens era já para março de 2026, mesmo porque, por ser uma venda antecipada, esperava-se que os livros e demais produtos do financiamento estivessem em vias de finalização; mas não foi isso o que aconteceu…
No começo de abril, foi liberado o pagamento para o frete do livro físico, no meu caso, por R$13,99. Porém, só foi criada uma etiqueta para o envio no dia 10 de junho, o que não quer dizer que ele foi enviado logo em seguida, pois eu somente fui recebê-lo em 06 de julho! Não sei se é só chatice ou ansiedade em demasia – ou a mistura bem feita desses dois ingredientes – mas esperar quatro meses além do prazo previsto por algo comprado em pré-venda é, sim, frustrante! Como o jogo ainda não está sendo comercializado pela editora, ainda não dá para saber se o dinheiro total investido (R$113,99) compensou a espera.

Sobre o jogo, vale adiantar que Condenados ao Poder é um RPG ambientado em um futuro distópico, onde o nosso mundo foi arruinado devido a uma guerra nuclear de grande proporção, no qual os personagens são os chamados “modificados”, indivíduos que desenvolveram habilidades extraordinárias. O sistema empregado é um Dice Pool (piscina ou pilha de dados) que utiliza, preferencialmente, dados de 12 lados, podendo ser substituídos pelos tradicionais D6.
O grande chamariz de CAP está justamente no fato dos personagens dos jogadores serem dotados de poderes sobre-humanos que, ao contrário da maioria dos RPGs, não ocorrem por meio da utilização de feitiços, magias ou por questões sobrenaturais. Eles são decorrência direta da exposição à radiação resultante dos armamentos pesados utilizados durante a Segunda Guerra Fria, ou seja, ao mesmo tempo que adquiriram a possibilidade de realizar coisas incríveis, os jogadores precisam lembrar que seus persoangens estão doentes e que cada utilização de poder traz riscos e consequências a sua própria saúde, sanidade e moralidade.
Uma promessa dos autores – e pelo que vi e li até o momento, foi cumprida – é que o sistema propicia uma customização robusta e complexa (sem ser complicada) dos personagens, tornando-os únicos. Mesmo que dois personagens distintos possuam o mesmo poder (anotado na ficha de personagem em “Capacidades”), a forma como ele se manifestará dependerá de outras características como “Classe”, “Modus Operandi (M.O)”, “Aptidões” e “Expertise”.

Só para ter uma ideia, atualmente, o jogo conta com 7 classes jogáveis e 2 ocasionais (que podem ou não ser autorizadas pelo narrador), 8 modus operandi, 19 aptidões e 30 capacidades; além disso, o livro traz uma pequena orientação de como criar outras aptidões e capacidades. Desta forma, a única limitação para a construção de um personagem memorável é a própria imaginação do mestre e dos jogadores de sua mesa.
Por hora, é isso que tenho para falar e mostrar sobre Condenados ao Poder. Em breve, começarei a lê-lo de modo mais aprofundado a fim de dominar suas mecânicas para poder mestrar algumas aventuras aos meus grupos. De modo geral, estou bastante satisfeito com a qualidade e beleza do livro, bem como ansioso para ver como se saem a construção de personagens e as regras do sistema em jogo. O único ponto negativo desse financiamento foram os quatro meses de atraso; repito: em pré-vendas, isso é inaceitável.
Abraços e até o próximo.











