Estrelas E Clássicos: Entre O Crime E A Culpa

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Olá, queridos e leitores. Hoje estou aqui para iniciar uma nova série, em parceria com o Miguel Gonçalves: vamos falar sobre os grandes clássicos e seus respectivos autores e personagens, isso inclui os grandes sucessos de bilheteria e também os que não atingiram tanto sucesso nas telas de cinema, mas ainda assim, marcaram a geração. Tenho certeza de que vocês irão gostar, porque eu já estou apaixonada pela ideia mesmo sem ter começado a colocá-la no papel. E vocês, o que acham?

Para começar, escolhemos: Felony (Segredos de Um Crime). Não foi um filme que teve um grande sucesso de bilheteria, mas a história é bem interessante e levanta alguns pontos polêmicos: por exemplo, o conflito entre o que é certo ou errado. A trama toda possui um drama moral envolvente, onde decisões tomadas de forma errôneas podem destruir família, carreira e amizade, tornando-se uma reflexão sobre verdade, lealdade e justiça.

“Felony” é um thriller australiano de 2013 que explora dilemas morais e éticos dentro da polícia, mostrando como um acidente simples desencadeia uma rede de mentiras, culpa e corrupção. O filme é dirigido por Matthew Saville e escrito por Joel Edgerton, que também atua como protagonista.

Malcolm Toohey (Joel Edgerton) é um detetive respeitado que, após uma noite de comemoração, dirige embriagado e atropela um garoto de bicicleta. Apesar de chamar a ambulância, o menino fica em estado crítico. Dois colegas policiais, Carl Summer (Tom Wilkinson) e Jim Melic (Jai Courtney), se envolvem no caso: um tenta encobrir o crime, enquanto o outro busca justiça. O enredo gira em torno da culpa de Malcolm e do conflito entre proteger a carreira e fazer o que é certo.

Segue, abaixo, o trailer oficial do filme:

O elenco de Felony reúne nomes de peso do cinema australiano e internacional, com Joel Edgerton, Tom Wilkinson, Jai Courtney e Melissa George liderando a trama. Cada um traz uma interpretação que reforça os dilemas morais e psicológicos do filme.

Joel Edgerton

  • Papel: Detective Malcolm Toohey
  • Além de protagonista, é também roteirista e produtor do filme.
  • Conhecido por papéis em Warrior (2011), The Great Gatsby (2013) e Loving (2016).
  • Sua atuação em Felony é marcada pela emoção, transmitindo a corrosão interna de um homem dividido entre culpa e autopreservação. Entrega uma performance contida, mas intensa, transmitindo a corrosão interna de um homem dividido entre a culpa e o medo de perder tudo.

 

Joe Edgertorn

Tom Wilkinson

  • Papel: Detective Carl Summer
  • Veterano britânico indicado ao Oscar por In the Bedroom (2001) e Michael Clayton (2007).
  • Em Felony, representa o lado pragmático e corrupto da polícia, trazendo peso dramático e carisma à narrativa. È o destaque, com sua presença magnética e pragmatismo frio, representando o lado mais cínico da corporação policial.

 

Tom Wilkinson

Jai Courtney

  • Papel: Detective Jim Melic
  • Conhecido por filmes de ação como Jack Reacher (2012), A Good Day to Die Hard (2013) e Suicide Squad (2016).
  • Em Felony, surpreende ao interpretar um policial idealista, contraponto moral ao cinismo de Wilkinson. Funciona como contraponto, o jovem idealista que acredita na integridade da lei.

 

Jai Courtney

Melissa George

  • Papel: Julie Toohey (esposa de Malcolm).
  • Atriz australiana com carreira internacional, conhecida por Mulholland Drive (2001), The Amityville Horror (2005) e séries como Grey’s Anatomy.
  • Sua presença reforça o impacto emocional do acidente na vida familiar do protagonista.

 

Melissa George

Outros nomes aparecem no elenco, porém com menos expressão: é o caso de Mark Simpson, como Slim; Paul Caesar, como Elliot Doolan; Ryan Gibson, como o repórter Nick Jemanus, Lizzie Schebesta, como Sarah Morley e Josh Brumpton, como Garbo.

O elenco de Felony é um dos pontos fortes do filme. Edgerton, Wilkinson e Courtney formam um triângulo dramático que sustenta a tensão psicológica, enquanto Melissa George acrescenta profundidade emocional. A combinação de talentos australianos e britânicos dá ao filme uma atmosfera autêntica e intensa, mesmo sem grande sucesso comercial.

A estética e o simbolismo de Felony são fundamentais para transformar o filme em um drama psicológico mais do que em um simples thriller policial. E para isso, contamos com alguns elementos visuais, que além de tudo tornam o filme uma experiência mais introspectiva e reflexiva, convidando o público a sentir a mesma claustrofobia e dilema ético dos personagens:

  • Tons frios e ambientes sombrios

A fotografia aposta em paleta de cores frias (azul, cinza, preto), criando uma atmosfera de culpa e silêncio. Essa escolha reforça o estado emocional do protagonista, que se sente cada vez mais isolado. Os ambientes escuros funcionam como metáfora da verdade escondida e da corrupção velada.

Sombras e reflexos aparecem constantemente em cenas de diálogos entre policiais, sugerindo segredos e intenções ocultas. Os reflexos são usados em vidros e espelhos, simbolizam a duplicidade moral: o que se mostra ao mundo versus o que se esconde internamente. Esse recurso visual reforça a ideia de que a verdade nunca é clara, mas distorcida.

  • Ambientes domésticos vs. espaços policiais

    Casa de Malcolm: iluminada de forma mais suave, transmite a tentativa de normalidade e proteção familiar.

    Delegacia e bares: filmados em sombras e luz dura, revelam o lado sombrio da corporação e o peso das decisões éticas. Esse contraste evidencia o abismo entre vida privada e dever público, mostrando como o erro cometido no trabalho invade o espaço íntimo.

  • Enquadramentos fechados e claustrofobia: a câmera frequentemente se aproxima dos rostos, criando sensação de sufocamento. Essa técnica transmite que os personagens estão aprisionados por suas próprias escolhas, sem saída fácil. O espectador sente a pressão psicológica junto com eles, aumentando a tensão dramática.

 

A estética de Felony não busca espetáculo visual, mas sim reforçar o peso moral da narrativa.

Crítica Internacional

A recepção internacional de Felony (Segredos de um Crime) foi mista: elogiado pela força das atuações e pela tensão psicológica, mas criticado pelo ritmo lento e por um final considerado convencional. O filme conquistou espaço em festivais, mas não se destacou comercialmente.

Avaliação Crítica

  • Metacritic: 52/100, baseado em 11 críticas profissionais.
  • IMDb: nota média de 6,1/10, refletindo avaliações equilibradas entre positivas e negativas.
  • Distribuição: limitada, com maior impacto em festivais como o Toronto International Film Festival (TIFF).

 

Elogios

  • Los Angeles Times (80/100): destacou o realismo e a forma como o roteiro explora a maleabilidade da moralidade em situações complexas.
  • Variety (70/100): elogiou a direção contida de Matthew Saville e a força do elenco, ressaltando que até trocas de olhares criam suspense.
  • Hollywood Reporter (70/100): apontou a intensidade psicológica e a observação afiada dos personagens.
  • Washington Post (75/100): valorizou o trabalho dos três atores principais e os detalhes sutis que revelam suas personalidades.

 

Críticas Negativas

  • New York Daily News (40/100): classificou o filme como “uma viagem lenta para lugar nenhum”.
  • Slant Magazine (38/100): considerou o filme “cínico e esquecível”.
  • Village Voice (30/100): criticou a superficialidade dos personagens, chamando-os de “rasos”.
  • The Playlist (33/100): apontou que o roteiro foge do desafio inicial e se resolve de forma barata e convencional.

 

Felony foi recebido como um drama moral sólido, valorizado por críticos que apreciam narrativas introspectivas e atuações fortes. Porém, para parte da crítica internacional, o filme não conseguiu manter o ritmo e entregar um desfecho à altura da tensão construída.

Felony não é apenas um thriller policial, mas um estudo profundo sobre culpa, ética e as zonas cinzentas da justiça. Ao optar por uma narrativa contida e uma estética sombria, o filme convida o espectador a refletir sobre como decisões tomadas em segundos podem transformar vidas para sempre.

Embora não tenha alcançado sucesso de bilheteria, sua força reside na intensidade das atuações e na coragem de expor dilemas morais sem respostas fáceis. É uma obra que mostra que o verdadeiro suspense não está em perseguições ou tiros, mas na batalha silenciosa entre consciência e autopreservação.

Assim, Felony (Segredos de um Crime) se firma como um exemplo de cinema australiano contemporâneo que, mesmo discreto, deixa marcas duradouras ao provocar o público a encarar suas próprias verdades e segredos.

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Este artigo foi escrito por Paula Vargas e Miguel Gonçalves.

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Paula Vargas

Professora de Língua Portuguesa e Inglesa, Pedagoga, além de amante de leitura e Literatura. É editora e autora do Projeto UniversoNERD.Net.