A História do Dia das Mães: Tradição, Memória e o Poder do Amor Materno

Celebrado em todo o mundo com flores, abraços e gestos de carinho, o Dia das Mães é uma das datas mais emocionantes e significativas do calendário. Muito além de uma ocasião comercial, esse dia representa uma oportunidade de homenagear figuras fundamentais em nossa formação humana: as mães. Elas carregam histórias de força, renúncia, coragem e, acima de tudo, amor! Mas você já se perguntou de onde vem essa celebração? Como surgiu o Dia das Mães e por que se tornou uma data tão importante no mundo inteiro? Este artigo convida você a conhecer a fascinante trajetória histórica dessa comemoração, seus significados sociais e culturais, e a refletir sobre a importância da maternidade, do cuidado e da memória. Afinal, homenagear as mães ou mamães é, em última instância, reconhecer o que há de mais humano e essencial em nós. O Dia das Mães é uma lembrança viva de que todo começo tem um ventre, uma história e um gesto de amor incondicional. As primeiras comemorações dedicadas à figura materna remontam às civilizações da Antiguidade. Na Grécia antiga, as festividades em honra à deusa Reia, mãe de todos os deuses do Olimpo, eram realizadas com rituais e oferendas. Na Roma antiga, celebrava-se Cibele, a “grande mãe”, considerada protetora das cidades e símbolo de fertilidade. Vamos “navegar” um pouco mais sobre a história? Esses rituais não homenageavam mães humanas, mas a ideia da maternidade como um princípio da vida e da natureza. Ainda assim, criaram uma base simbólica poderosa que perduraria por séculos. No início da era cristã, surgem os primeiros registros de celebrações ligadas à figura da “mãe espiritual”, especialmente à Virgem Maria, reforçando o valor da figura materna como exemplo de amor, sacrifício e virtude. Na Idade Média, a noção de homenagear as mães ganhou um caráter mais religioso e espiritual, ainda distante da forma como a data é celebrada hoje. Foi somente a partir da Era Moderna que movimentos sociais passaram a defender a criação de uma data oficial dedicada às mães e não às deusas ou às figuras sagradas, mas às mulheres reais que desempenhavam esse papel essencial em suas famílias. A origem do Dia das Mães como o conhecemos está intimamente ligada à norte-americana Anna Jarvis. Em 1905, após a morte de sua mãe, Ann Reeves Jarvis, uma ativista que organizava grupos de apoio a mães durante a Guerra Civil Americana. Com isso, Anna iniciou uma campanha para que houvesse uma data nacional em homenagem às mães vivas e falecidas. Você sabia disso? Em 1908, Anna organizou a primeira celebração oficial do Dia das Mães na igreja metodista de Grafton, na Virgínia Ocidental. A ideia ganhou força e, em 1914, o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, decretou o segundo domingo de maio como o Dia das Mães. A proposta se espalhou por outros países, inclusive o Brasil, que adotou a mesma data a partir da década de 1930, por decreto do então presidente Getúlio Vargas. Curiosamente, Anna Jarvis mais tarde se tornou uma crítica da própria comemoração que ajudou a fundar. Isso porque, segundo ela, a data havia se tornado excessivamente comercial, perdendo o sentido original de homenagem íntima e sincera. Apesar disso, sua luta consolidou um legado global: o de reconhecer, ao menos uma vez por ano, a importância das mães e o impacto na sociedade. No Brasil, o Dia das Mães foi oficializado em 1932 e ganhou força nos meios religiosos, familiares e comerciais. Hoje, é a segunda data mais importante para o comércio, perdendo apenas para o Natal. Mas, mais do que presentes, o que move essa data é a emoção. Reuniões familiares, almoços especiais e homenagens diversas marcam o segundo domingo de maio em todo o território nacional. No mundo, a data varia. No Reino Unido, por exemplo, celebra-se o “Mothering Sunday” no quarto domingo da Quaresma, enquanto países como México, Tailândia e Indonésia adotam outras datas ligadas à cultura local ou a aniversários de figuras nacionais. Essa diversidade mostra como o conceito de maternidade é universal! Com o tempo, o Dia das Mães passou a incluir diferentes configurações familiares: mães adotivas, avós que criam os netos, pais que assumem o papel materno, e outras formas de cuidado que desafiam os modelos tradicionais. Essa ampliação do conceito reflete a evolução das relações humanas e a necessidade de celebrar todos que exercem a função materna em suas múltiplas formas. Embora seja celebrado em apenas um dia do ano, o espírito do Dia das Mães deveria nos inspirar o tempo todo. Ser mãe envolve uma entrega constante, uma presença afetiva que transcende palavras. Mães ensinam valores, acolhem medos, celebram conquistas e suportam dores com uma resiliência rara. Mas reconhecer o valor das mães vai além da emoção: é também uma questão social. Valorizar a maternidade significa garantir direitos, segurança, saúde e respeito às mulheres que exercem esse papel. No Brasil e em muitos outros países, ainda há desafios imensos nesse campo, da mortalidade materna ao acesso a creches, do preconceito contra mães solo à desigualdade no mercado de trabalho. Por isso, celebrar o Dia das Mães com profundidade é também um chamado à ação. É reconhecer, apoiar e proteger todas as formas de maternidade e cuidado. É garantir que mães tenham voz, visibilidade e condições dignas para exercer esse papel fundamental. Cinco Curiosidades sobre o Dia das Mães Anna Jarvis foi presa em 1948 por protestar contra a comercialização do Dia das Mães durante um evento promocional de flores. A data é celebrada em mais de 40 países, mas nem todos seguem o segundo domingo de maio. Na Etiópia, por exemplo, o Dia das Mães faz parte de um festival tradicional de três dias. O Brasil é o país da América Latina que mais movimenta o comércio no Dia das Mães, com crescimento médio de vendas em torno de 5% a cada ano. Na Tailândia, o Dia das Mães é comemorado em 12 de agosto, em homenagem à rainha Sirikit, considerada a mãe da nação. “Mamãe” é uma das primeiras
Cresce o Número de Consumidores de Jogos; Mas…

Saudações, meus caros nerds de plantão! Tudo bom convosco? Desde o início do ano, algumas matérias, publicações e pesquisas vêm chamando a atenção para o crescimento exponencial da quantidade de jogadores que consomem jogos eletrônicos. Lendo-as de supetão, todos nós que somos aficionados por games podemos ficar felizes em um primeiro momento e inferir que isso é bom, afinal, quanto mais pessoas interessadas nos produtos que gostamos, maior será a oferta de novos jogos, novos consoles, recursos tecnológicos inovadores, entre outros. Mas não é bem assim. Aprofundando-se na leitura de todos esses textos, ficará explícito que a maior parte desse aumento é relacionada à quantidade diária absurda de milhares de novos jogadores que passam a tentar a sorte em jogos e plataformas de apostas. Indo mais além, acaso abordem as consequências dessa tendência, observaremos coisas muito graves que são decorrências de malefícios – especialmente o vício – que acabam por afundar crianças, jovens e adultos em depressão, dívidas, rompimento de laços familiares, neurose, além de efeitos mais extremos, tal como o suicídio. A pesquisa mais atual que apresenta esses números foi realizada pelas empresas SX Group e Go Gamers. Nomeada de Pesquisa Game Brasil, contou com a participação de mais de 6200 brasileiros de diversas regiões do país. Por meio dela, constatou-se que o crescimento do número de consumidores de jogos eletrônicos aumentou 9% em apenas um ano, muito por conta dos adeptos aos jogos de azar. Dos entrevistados, 82,8% afirmaram jogar algum tipo de jogo. Games como o “Tigrinho” e similares são jogados ativamente por 38,2%. Dos que jogam esse gênero, cerca de 90% investe dinheiro real; pasmos 8,6% depositam mais de R$500 reais mensais em busca de algum lucro! No final de 2024, o Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, divulgou os dados de uma pesquisa que visou identificar os costumes de pessoas endividadas. Ficou evidenciado que 25,2% das pessoas de classe C e 40,2% das pessoas de classes D e E possuem o costume de apostar em jogos como o “Tigrinho” e/ou sites de apostas. Na mesma pesquisa, averiguou-se que cerca de 20% dos inadimplentes assumiram ter usado o dinheiro destinado a pagar dívidas para realizar apostas nessas plataformas. Conforme já mencionado, o vício em jogo – denominado de ludopatia – pode gerar diversos problemas aos usuários desses jogos, que se iniciam com a aquisição ou agravamento de dívidas e partem para complicações muito mais graves que resultam em decorrência disso. Há alguns dias, o portal do G1 trouxe uma reportagem que exemplifica muito bem essa situação: uma recepcionista contraiu uma dívida de mais de R$100 mil reais no Tigrinho! Para tentar quitá-la, recorreu a empréstimos de cinco instituições bancárias diferentes e, posteriormente, a agiotas, criando uma “bola-de-neve” impossível de ser quitada! Você já sabe, safo nerd, o que acontece com pessoas que não pagam agiotas, né?! As bets também formam um problema que merece ser tratado. De acordo com a revista Exame, em 2021, o país contava com cerca de 26 empresas desse seguimento. No final de 2024, esse número ultrapassava 200, ou seja, um crescimento de cerca de 734%! Evidentemente, se houve toda essa demanda para a formação de novas empresas é porque havia demanda de público procurando por serviços de aposta. Hoje, é impossível assistir a um comercial televisivo ou de alguma plataforma da internet sem se deparar com o anúncio de uma bet! Além dos problemas provenientes do vício, não são raros os casos de corrupção envolvendo bets, patrocinadores e os alvos de aposta (times, equipes, atletas, etc). Por mais que muitas dessas empresas já tenham sedes no Brasil – pois, no início, a maioria era sediada em países asiáticos com legislação branda – a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) não descarta a possibilidade de serem utilizadas para a lavagem de dinheiro. Com muito lobby de senadores e deputados do Congresso, é difícil fiscalizá-las de modo eficiente para evitar diversos crimes e fraudes. Enfim, meu caro nerd, não cai no papo de todo esse marketing que há em cima das bets e dos “tigrinhos” da vida! Centenas de atletas, artistas e “influencers” das redes sociais tentam te vender uma ideia de que é vantajoso e rentável apostar em seus produtos. Os comerciais das bets são um show a parte! Influencers exibem seus carros, motos e mansões – geralmente alugados – para te fazerem acreditar que você também pode ter tudo aquilo. Como esquiva de suas responsabilidades, deixam claro que “você deve apostar com responsabilidade” e que “o que fazem não é recomendação de investimento”. O golpe está aí! Bem na sua cara! Para cada pessoa que tem a sorte de ganhar um bom dinheiro com esses jogos, milhares precisam ter prejuízo financeiro; e, certamente, os donos dessas plataformas não estão entre eles, pois os algoritmos de seus produtos agem em seu favor. Portanto, se você tem um pouco de juízo, fique longe dessas apostas eletrônicas! Abraços e até breve. Se você gostou, não deixe de participar através de sugestões, críticas e/ou dúvidas. Aproveitem para assinar o Blog, curtir a Página no Facebook, interagir no Grupo do Facebook, além de acompanhar publicações e ficar por dentro do Projeto Universo NERD.
A Nerdice da Moda: Pintura de Figuras – Parte 3 (Final)

Saudações, meus amigos nerds e figuristas de plantão! Tudo bom convosco? Nos últimos posts, falei sobre o hobby de um modo geral (dando ênfase à conceituação da prática) e também sobre os materiais necessários para praticá-lo, trazendo ao leitor algumas indicações valiosas para que este gaste o necessário de acordo com a relação lógica entre aquilo que realmente ele vai precisar em vista daquilo que sua condição financeira pode comprar. Hoje, o foco será a apresentação de algumas técnicas de pintura de figuras que darão ao iniciante um direcionamento até que ele desenvolva suas próprias técnicas e estilo. A primeira técnica que mencionarei é a estratégia taxada de “a modinha da atualidade”: o slapchop. Consiste, basicamente, em fazer um pré-sombreamento em uma figura onde foi aplicada uma base bem escura (primer preto, por exemplo) por meio de um dry brushing (pincel seco) com uma tinta bem clara. Posteriormente, pinta-se a figura utilizando tintas translúcidas, rápidas, speeds, instants, ou qualquer outro nome comercial com essa ideia, já que cada marca tem a sua própria linha e nomenclatura. Com isso, a figura é coberta pela tinta, mas mantém o aspecto de sombra dado pelo dry brushing. Essa técnica é focada em velocidade, geralmente empregada para terminar rapidamente uma quantidade grande de figuras, a fim de que sejam utilizadas prontamente em um jogo. O vídeo abaixo ensina, com maestria, como fazer o slapchop e algumas de suas variações: O Cell Shading, conhecido também como “estilo anime” ou “2D”, é outra técnica de pintura que também chama muito a atenção por possibilitar bons resultados sem exigir do hobbysta um grande nível de experiência. Em suma, o cell shading consiste em reforçar – com um certo exagero – as sombras na figura com a utilização acentuada da cor preta, dando um destaque especial para a musculatura da miniatura sem fazer o uso de transições suaves entre as cores. Além disso, é preciso realçar bem os pontos de luzes para que todos os demais efeitos fiquem bem perceptíveis. Caso queira que suas figuras fiquem com aspecto de uma escultura clássica, basta utilizar uma técnica muito simples, denominada de zenithal, mas que demandará a utilização de aerógrafo. Consiste, basicamente, em emular as luzes provenientes do zênite, ou seja, vindas do ponto mais alto do céu. Para tanto, basta cobrir a miniatura com um primer escuro (de preferência preto) e depois aplicar, suavemente, camadas finas de tintas mais claras (cinza claro ou branco) com o aerógrafo a 45º, de cima para baixo. O vídeo, mesmo em inglês, exemplifica bem a técnica: Por fim, a técnica mais complexa da lista: o realismo. Na verdade, não se trata de uma técnica específica, mas, sim, o pleno domínio de várias que, aplicadas em harmonia, conferem à figura uma aparência muito próxima ao ser do qual é replicada. Para tanto, é imprescindível que o hobbysta saiba o porquê e como utilizar o wet blending, feathering, pré-sombreamento, efeitos de luz, glazes, dry brush, washing, non-metalic metal, dentre outros procedimentos, além de manjar da Teoria das Cores, a fim de se obter tons de cores desejados por meio de mistura. Dessa forma, será capaz de conseguir realizar trabalhos incríveis como esses: Com essas obras de arte, termino aqui os meus pitacos sobre pintura de figuras. O hobby é tão extenso que daria matéria para vários posts. Portanto, se gostou do assunto e pretende saber mais, valerá muito a pena pesquisar nas redes sociais de pessoas que trabalham com isso. Deixo, como sugestão para ampliar seus conhecimentos, que acompanhem os canais Pintando Miniaturas (Átila Kawauti), Professor Lúdico (Lúdico) e o Figurando (Chiquito), pois, além de publicarem vários conteúdo sobre o tema, fazem lives quase que diariamente; acompanhando-os, é impossível não aprender novas técnicas e evoluir. Abraços e até breve. Se você gostou, não deixe de participar através de sugestões, críticas e/ou dúvidas. Aproveitem para assinar o Blog, curtir a Página no Facebook, interagir no Grupo do Facebook, além de acompanhar publicações e ficar por dentro do Projeto Universo NERD.
A Nerdice Da Moda: Pintura De Figuras – Parte 2

Saudações, meus amigos nerds e figuristas de plantão! Tudo bom convosco? No meu último post, trouxe para vocês um pouco sobre o hobby de pintura de figuras, focando em explicar do que se trata, por que está se tornando tão popular e as formas de como se conseguir as miniaturas. Dessa vez, me atentarei em tirar a principal dúvida que toda pessoa interessada tem quando cogita em praticar uma atividade nova: o que é preciso para começar? De posse das figuras – que podem ser adquiridas a partir de R$10 nos grandes sites de compras – o hobbysta deve adquirir a principal ferramenta para a prática deste hobby: o pincel. Da mesma forma que tudo o que pode ser comprado por dinheiro existe em versões baratas, de “custo X benefício”, caras e “premium”, ambas variando nas qualidades péssimo, ruim, funcional, bom e ótimo, com os pincéis e demais itens dessa lista não será diferente. Desde pincéis escolares, vendidos a R$2 em lojas de material escolar, a pincéis profissionais que ultrapassam o valor de R$70 nas lojas de material artísticos, são possíveis de serem utilizados na pintura de figuras. Divididos nas categorias de cerdas sintéticas ou de origem animal, possuem vários tamanhos e formatos que, infelizmente, não são padronizados, variando conforme as marcas. Para o hobby, um kit contendo três pincéis de ponta redonda, com a numeração igual ou equivalente a nº 2, nº 0 e nº 3/0 (ou 000), já é suficiente para pintar e detalhar uma miniatura. Cerdas de origem animal (como os de pelo de marta, por exemplo) são melhores, pois são mais macios, retêm tinta por mais tempo e são mais duráveis; obviamente, são os mais caros. Em todo o caso, compre o que couber em seu bolso, pois, no início, não será um pincel mais refinado que lhe trará melhores resultados. Já tem a figura? Comprou o kit de pincéis? Agora, só lhe falta um item para fechar a tríade do indispensável ao hobby: as tintas! É aqui que será o maior gasto do hobbysta tendo em vista que, a não ser que ele queira e SAIBA misturar as cores primárias e neutras (amarelo, vermelho, azul, branco e preto) para formar qualquer outra tonalidade, é preciso ter uma variedade razoável de cores, que ainda por cima podem variar no tipo de acabamento (fosco, brilhante, metálico, entre outros). O tipo de tinta mais indicado para o uso de pincel são as tintas acrílicas diluíveis em água. As mais baratas e que podemos encontrar facilmente no Brasil são as da Acrilex (tem que ser as que vêm nos potinhos de tampa verde!), que apesar de serem genéricas para a prática de vários tipos de artesanato, servem bem ao propósito de pintar uma figura. Caso tenha condições de investir um pouco mais de grana, prefira as tintas nacionais próprias para modelismo, tais como as da Tom Colors e Talento. Nesse caso, o valor mais elevado se justifica, pois o nível de cobertura e acabamento são muito superiores ao da Acrilex, Corfix e semelhantes. Basicamente, com esses itens já é possível realizar a pintura de uma figura. Porém, para facilitar sua vida, antes da pintura em si é preciso preparar a peça que será trabalhada. Para isso, é recomendável a utilização de algumas ferramentas e soluções que, além de agilizar o processo, permitirão um melhor acabamento, fixação e resistência da tinta após a secagem. Para que isso ocorra, é recomendável que a figura seja lixada e lavada antes. Esse processo exige o uso de materiais e ferramentas bem simples e de fácil acesso, tais como alicate, cortador e lixa, ambos utilizados por manicures. Lixas d’água com granulação acima de 400 também podem ser bem úteis para tirar os resíduos e “rebarbas” que permanecem após a impressão da peça. Como algumas figuras vêm desmontadas, é bom ter em mãos uma cola de cianoacrilato (Super Bonder, Permabond e afins). Para lavar a peça já totalmente limpa de resíduos, bastam apenas água e detergente. Após a secagem, é preciso aplicar primer para garantir a fixação da tinta. As marcas de tintas citadas também possuem linhas de primers. Nesse quesito, não há uma diferença tão grande em performance que justifique comprar o mais caro e cores diferenciadas. O cinza é a cor mais adequada, neutra e funcional, porém, futuramente, com o aprendizado de algumas técnicas, será necessário, sim, a utilização de primers nas cores preta e branca. O último item que quero recomendar para a prática do hobby é a wet palette (paleta úmida). Confesso que, antes de usar, eu achava que esse acessório não passava de uma “frescura”. Todavia, bastou algumas poucas sessões para que eu percebesse o quanto as tintas acrílicas endurecem rapidamente. Justamente por esse motivo, a wet palette é essencial para evitar o desperdício e fornecer ao pintor um maior tempo para lidar com as tintas sem que elas percam a textura e consistência ideias para o uso com o pincel. Como wet palettes profissionais são bem caras, recomendo que você mesmo faça a sua, pois não haverá diferença alguma de performance: Com essa lista de itens que foi mencionada aqui, o figurista terá o necessário para praticar seu hobby. Com o passar do tempo e consequente evolução no aprendizado e execução das técnicas, algumas outras ferramentas são bem-vindas para aperfeiçoar o que já está bom. É o caso do aerógrafo, compressor, lupa, base giratória, entre outras coisas que, de início, são dispensáveis. Entretanto, conforme o gosto pela pintura de figuras cresce, investir em coisas mais caras tem poucas chances de ser gasto inútil de dinheiro e consequente frustração; gastar dinheiro com coisas que realmente nos trazem prazer e nos faz bem, não é nenhum fardo. No próximo e último post dessa série, comentarei sobre as técnicas mais comuns de pintura e algumas curiosidades do hobby. Abraços e até breve. Se você gostou, não deixe de participar através de sugestões, críticas e/ou dúvidas. Aproveitem para assinar o Blog, curtir a Página no Facebook, interagir no Grupo do Facebook, além de acompanhar
A Nerdice da Moda: Pintura de Figuras – Parte 1

Saudações, meus amigos nerds hobistas de plantão! Tudo bom convosco? Já escrevo há uns bons anos aqui no Universo Nerd e, durante esse tempo todo, sempre trouxe para vocês as nerdices que eu mesmo praticava, até mesmo como forma de incentivo e propagação do hobby. Se pesquisar aqui, achará posts meus falando sobre RPG, card games, jogos eletrônicos e até mesmo sobre plastimodelismo. Nesses dois últimos meses – após pesquisas e consumo de tutoriais por uns três – resolvi me aventurar em uma nova atividade: pintura de figuras. Por muito tempo, relutei enfaticamente em praticar essa arte, pois, no meu ponto de vista, é um braço do plastimodelismo e eu não queria ter que dividir o pouco tempo que tenho para me dedicar à criação dos meus aviões com a pintura de “bonequinhos”. Porém, com o barateamento, bem como a facilidade de operação das impressoras 3D, muitos modelistas da antiga, além de adquirir essas máquinas para customizar seus modelos com peças impressas em resina, passaram também a imprimir figuras e as pintá-las, sempre nos intervalos entre um kit e outro ou durante as esperas necessárias entre as etapas de criação de um único modelo. Então, deixei o preconceito de lado e, mesmo sem ter uma impressora 3D, resolvi entrar no hobby, até mesmo como uma forma de melhorar minhas habilidades em pintura com pincel. Mas, afinal, o que é uma figura? Em modelismo, figuras são representações visuais esculpidas – geralmente em plástico, resina, gesso, barro ou algum tipo de metal – de uma forma inspirada na realidade ou de obras ficcionais, tais como personagens de quadrinhos, animes, filmes, séries televisivas, dentre outras. Com a popularização das impressoras 3D, hoje em dia é muito mais comum, prático e acessível a aquisição de peças oriundas desse recurso, com preferência às feitas de resina, tendo em vista que possuem uma definição muito superior às que são feitas em filamento. E quando eu falo em “popularização”, não me refiro, exatamente, à compra de uma impressora por estarem em um preço viável. Quero dizer que há muitas pequenas empresas ou autônomos que vendem o serviço de impressão a partir de arquivos .STL que podem ser encontrados gratuitamente em diversos sites da internet ou comprados de modeladores e designers que atuam nessa área. Além disso, inúmeras lojas (tanto físicas quanto virtuais) contam com um vasto catálogo de figuras que já virão impressas no tamanho que você desejar; e os preços são bem convidativos. Portanto, hoje em dia é extremamente fácil e rápido de se obter figuras. Por mencionar a questão do tamanho, para os plastimodelista existem as figuras que seguem o mesmo padrão das categorias de kits mais comuns, tais como a 1/72, 1/35, 1/48, 1/24, 1/12, por exemplo, a fim de estarem em proporcionalidade com os modelos de carros, motos, aviões e militarias com os quais comporão um cenário. Para os jogadores de RPG, boardgames e wargames de miniaturas, as escalas mais comuns são as de 32mm, 50mm e 75mm. Além desses tamanhos, encontra-se também figuras no formato de busto, representando, no máximo, a cabeça e o tronco. Esse tipo costuma ter tamanhos bem variados, que vão desde o 32mm ao tamanho real, ou seja, o 1/1. De posse de sua figura, o próximo passo para a pintura consiste na preparação dela para o recebimento da tinta. Para tanto, são necessários alguns materiais e equipamentos que fazem parte do hobby. Porém, como o texto já está ficando grande e tem muita coisa a ser dita, guardarei para um próximo post as dicas e informações que lhes ensinarão sobre o material básico à prática de pintura de figuras. Portanto, aguarde os próximos capítulos! Abraços e até breve. Se você gostou, não deixe de participar através de sugestões, críticas e/ou dúvidas. Aproveitem para assinar o Blog, curtir a Página no Facebook, interagir no Grupo do Facebook, além de acompanhar publicações e ficar por dentro do Projeto Universo NERD.
O vazio dos likes e a banalização da influência

Os “likes” ou curtidas nas postagens em redes sociais já foram objeto de reflexão e análise especializada no campo dos estudos de comunicação social, das ciências sociais e psicologia. Também é famoso o primeiro episódio da terceira temporada da série Black Mirror, que recebeu o nome “Queda Livre” e abordou de forma bastante contundente essa distopia tecnológica trazida pelas redes sociais na contemporaneidade. O episódio narra o desenvolvimento patológico da obsessão por likes em redes sociais em um contexto futurista, com clara referência no presente. A discussão voltou à tona nos últimos dias em função da decisão da rede social Instagram, anunciada na quarta-feira passada, de incluir o Brasil em uma experiência já em prática no Canadá, que consiste em ocultar para o público a quantidade de curtidas nas respectivas postagens. A justificativa aponta para um conjunto de medidas que teria como objetivo proteger a saúde mental dos usuários. É inegável que a questão da autoestima e da projeção da imagem de sucesso e imperativo de felicidade; da afirmação do status social e o exibicionismo egocêntrico; da ostentação do consumo e do “life style”; tudo isso tem adquirido um caráter tóxico e identificado como diretamente relacionado com a epidemia de depressão que se instalou nos países avançados do capitalismo. O mundo das aparências das redes sociais e o Rivotril são marcas dessa classe média urbana neoconservadora, ávida por visibilidade e afeto diante do vazio existencial irremediável trazido pelo consumismo e pela completa falta de perspectiva utópica e coletiva. A rede Instagram, entre outras redes sociais, foi aquela que adquiriu ao longo dos anos um caráter mais marcadamente comercial, e a métrica das curtidas e “seguidores” passou a ser um parâmetro utilizado pelas empresas para contratar publicidade em determinados perfis de denominados “influenciadores digitais” ou “produtores de conteúdo”. Resulta daí que a toxicidade foi transformada em negócio, o vício em pretensa profissão ou fonte de renda, alimentada por cases de pessoas que foram transformadas instantaneamente em “personalidades midiáticas” de grande visibilidade, em função de alguma “lacração” viralizada na internet. O problema é que, na maioria dos casos, essa visibilidade tem se revelado efêmera, que tais “personalidades” são desinteressantes a médio e longo prazos. Tem ficado claro uma baixa ou quase nula capacidade de influência desses “influenciadores”. É cada vez mais notório que em concreto, esses autointitulados “produtores de conteúdo” não produzem nenhum tipo de conteúdo realmente relevante, que os tais seguidores são como almas penadas que não usam cartão de crédito. Os influenciadores têm se revelado, em maioria, embustes: não são experts de coisa alguma, não dominam nenhuma linguagem artística, não representam concretamente nenhuma instituição que mereça reconhecimento por sua relevância e impacto real na vida da sociedade. O vazio dos likes e a banalidade da influência são evidenciados quando as expectativas de retorno comercial por parte das empresas ao contratar esses perfis inflados de ego, são frustradas pelos números reais. Os likes se revelam, portanto, um parâmetro inadequado para se identificar uma influência real sobre determinado público consumidor. Outros indicadores de interações efetivas nas postagens, tais como comentários e compartilhamentos estão recebendo mais peso. É bem possível que os aspirantes a influenciadores, cientes das métricas, passem a estimular de forma deliberada e insistente essa interação, o que pode ter o efeito contrário do esperado, irritando e afugentando o público em função da busca de forçar um comportamento que só tem concretude se for realmente espontâneo. O Instagram parece aderir a uma tendência já sinalizada anteriormente pelo Youtube de utilizar parâmetros mais realistas para conduzir os algoritmos e explorar o potencial mercadológico dessas plataformas e redes sociais. Isso talvez resulte em um novo patamar de competição entre os pretendentes a “influenciadores”, forçando uma profissionalização e destaque real, de mérito, em alguma área específica de atividade profissional, ou seja, uma qualificação maior voltada para públicos específicos. Talvez então passaremos a poder falar de uma influência concreta pelo reconhecimento social de alguma expertise, pela produção de conteúdo socialmente relevante… …e assim a internet decante esse alvoroço de gente frustrada buscando visibilidade a qualquer custo, sem se questionar o motivo pelo qual elas deveriam ser vistas, sem questionar se o “conteúdo” que elas julgam “produzir” contém mesmo algo produzido originalmente por elas. Particularmente, eu me mantenho bastante cético, sobretudo com relação ao Brasil, tendo em vista o volume gritantemente visível do analfabetismo funcional, fruto do completo colapso do sistema educacional. Isso faz com que a população de forma geral se encontre desarmada de instrumentos de crítica para identificar os impostores, os falsos “entendedores” que julgam manifestar “análises” e “opiniões” nas redes sociais disseminando senso comum sob efeito manada, quando muito não se trate de desinformação e fake news pura e simples. Também o analfabetismo funcional convertido em analfabetismo político tem possibilitado a conversão do capital midiático desses “influenciadores” em capital político, o que nos conduziu a esse quadro particularmente sombrio de acelerado retrocesso civilizatório que nos encontramos hoje. De toda forma, no Brasil, em maioria, os tais “influenciadores” podem ser identificados mais como “imbecilizadores profissionais”, na sugestão da filósofa Márcia Tiburi, como indicamos em outro texto publicado nesse mesmo blog, qual recomendo a leitura: A Imbecilização Profissional nas Redes Sociais. _______________________________________________________________________________ Se você gostou deste artigo, não deixe de participar através de sugestões, críticas e/ou dúvidas. Aproveitem para assinar o Blog, curtir a Página no Facebook, interagir no Grupo do Facebook, além de acompanhar publicações e ficar por dentro do Projeto Universo NERD, de sorteios, concursos e demais promoções.
O Que É Liberalismo?

Parte 1 – Introdução histórica Para se entender com clareza o que é o liberalismo, é necessário compreender o contexto histórico de seu surgimento. Isso nos leva ao século XVIII, também conhecido como Século das Luzes, uma referência ao movimento político-filosófico mais amplo chamado de Iluminismo ou Ilustração, movimento este que, por sua vez, gestou o pensamento liberal, tanto em sua dimensão política quanto econômica. A nova visão de mundo passava a valorizar a capacidade racional humana e trazer para a esfera pública critérios racionais de organização social, desvencilhando-se de princípios morais oriundos da tradição religiosa medieval. As noções de libertação e liberdade Um primeiro ponto crucial para compreender a doutrina política e econômica subjacente ao liberalismo clássico é sua oposição ao mundo no qual surgiu, isto é, seus princípios podem ser esquematicamente identificados como oposições quase que diametrais ao Absolutismo Monárquico e suas práticas econômicas, agrupadas pela denominação generalizante de “mercantilismo”. O Antigo Regime, ou o Absolutismo, foi a primeira forma de organização do Estado Moderno, erigido a partir dos escombros do mundo medieval na Europa Ocidental no século XV e vigeu até a eclosão das Revoluções burguesas no final do século XVIII e ao longo do XIX, concebendo um Estado personificado na figura de um monarca de poderes absolutos e ilimitados, com poder inclusive de vida e morte sobre seus súditos e legislando sobre todos os aspectos da vida social, desde a religião até a economia. As formas de justificação desse poder absoluto vão desde ideologias pretensamente racionais, morais até as religiosas, como podem ser conhecidas a partir do estudo dos mais destacados “teóricos do absolutismo” e suas respectivas obras: Maquiavel (O príncipe); Thomas Hobbes (Leviatã); Jacques Bossuet (Política retirada da Sagrada Escritura). A síntese do Absolutismo é exemplificada por um de seus monarcas mais simbólicos, o rei da França, Luís XIV, que reinou entre 1643 e 1715, o qual teria dito a famosa frase “l’État c’est mui”, ou seja, “o Estado sou eu”. A centralidade da figura do monarca e a imensidão de seu poder também são dimensionadas pelo apelido a ele conferido de “Rei Sol”. É evidente que esse poder centralizado só poderia existir mediante a sustentação social dos grupos que viam na manutenção deste monarca absoluto a garantia de continuidade de seus próprios privilégios, ou seja, a aristocracia laica e o clero (proprietária de terras e rendas), bem como grandes mercadores (alta burguesia) detentora de monopólios concedidos pelo rei no comércio nacional e estrangeiro, no contexto do chamado Antigo Sistema Colonial. Por seu turno, para perdurar, esse rei absoluto deveria ser o fiel da balança entre os diferentes interesses, por vezes contraditórios, entre os diferentes grupos, cuidando para que nenhum deles se sentisse suficientemente poderoso para almejar se sobrepor aos demais. Haveria muito a incluir sobre as estratégias de sucessão monárquica e a política externa das monarquias absolutistas, o que nos levaria a um verdadeiro “Game of Thrones”, mas esse não é nosso foco nesse texto. O que é importante reter nesse momento é o que caracteriza o Absolutismo, ou seja, o intervencionismo do Estado em todas as esferas da vida social. Portanto, o Iluminismo e o liberalismo buscarão deslegitimar essa intervenção e toda essa forma de organização política e social, abrindo o espaço para a configuração histórica de uma nova forma de Estado, o Estado liberal-burguês, construído violentamente a partir das chamadas Revoluções burguesas no final do século XVIII, tendo como maiores exemplos históricos a Guerra de Independência dos EUA (1776) e a Revolução Francesa (1789). Tais processos revolucionários foram alimentados no plano das ideias pelos mais destacados pensadores iluministas e suas respectivas obras, entre eles: Locke, Voltaire, Rousseau, Montesquieu e Diderot. É, portanto, na luta pela libertação da tirania dos monarcas absolutistas e pela liberdade política e econômica, bem como pela garantia de direitos individuais (mais tarde denominados Direitos Humanos), que a doutrina liberal se construiu historicamente, buscando redefinir a esfera pública e a esfera privada, redefinindo os limites da intervenção do Estado na sociedade. Esse trabalho de pouco mais de dois séculos ainda não está acabado. Muitos países, entre eles o Brasil, ainda tem graves problemas em seu sistema representativo e padece de profundos problemas econômicos oriundos principalmente da violenta concentração de renda e desigualdade social, pela manutenção de privilégios a grupos econômicos, tais como ocorria no tempo do Absolutismo. Há ainda no Brasil uma agenda de consolidação de garantias de liberdades e direitos individuais, que são genuinamente liberais, mas entendidos aqui, e erroneamente, dado o grau de analfabetismo funcional e analfabetismo político, como bandeiras “de esquerda” de forma descontextualizada. Em nosso próximo texto, aprofundaremos a discursão sobre o liberalismo em sua dimensão propriamente política, ou seja, os princípios liberais de organização dos regimes representativos no Ocidente. Fique ligado nas publicações da coluna Cultura e Sociedade. Para finalizar, deixo três questões para reflexão e caso você queira, para debater com seus familiares e amigos ou ainda, para usar os comentários aqui no blog: Você concorda que o Estado deve ter o poder de controle e decisão sobre o seu corpo? Você concorda que o seu corpo pode ser objeto de poder do Estado? Você concorda que seu corpo é seu e deve ter garantias contra a ação do Estado? ________________________________________________________________________________ Se você gostou deste artigo, não deixe de participar através de sugestões, críticas e/ou dúvidas. Aproveitem para assinar o Blog, curtir a Página no Facebook, interagir no Grupo do Facebook, além de acompanhar publicações e ficar por dentro do Projeto Universo NERD, de sorteios, concursos e demais promoções.
O Que é Pós-Verdade?

Não obstante a disponibilidade de todas as tecnologias de comunicação, sobretudo as redes sociais, parece que nunca foi tão difícil o exercício do diálogo entre as pessoas. Há um ambiente de animosidade, muros que separam e estancam as pessoas ensimesmadas, apaixonadas por suas próprias “opiniões”. Trata-se de algo altamente nocivo, uma vez que, como sabemos, a paixão, por vezes, cega. Temos indícios, a partir dos debates que pululam no mundo todo, não se tratar de um problema específico da conjuntura brasileira, embora entre nós essa dificuldade seja bastante aguda. Um dos elementos dessa dificuldade é o que tem sido chamado de pós-verdade. Vamos refletir um pouco sobre esse termo. A invenção da pós-verdade O vocábulo “pós-verdade” é um neologismo que apresenta a função de figura de linguagem ao substituir a palavra mais agressiva “mentira”, assim como o termo “inverdade”. O uso pioneiro do vocábulo é atribuído ao dramaturgo Steve Tesich, que o utilizou em artigo publicado na revista “The Nation”, em 1992. Mas foi apenas em 2016, que o termo ganhou popularidade no discurso jornalístico e nas redes sociais, a ponto da Oxford Dictionaries, departamento da Universidade de Oxford, na Inglaterra, eleger “pós-verdade” como a palavra do ano no idioma inglês. Questões políticas controversas intensamente debatidas nos idos de 2016, no Brasil e no mundo, contribuíram para a disseminação do uso do temo pós-verdade. O processo de saída do Reino Unido dos acordos da União Europeia, o Brexit (abreviação de British exit); a eleição do empresário e apresentador de televisão Donald Trump à presidência dos Estados Unidos; bem como o golpe parlamentar que encerrou o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, e os desdobramentos políticos desde então, são exemplos de contextos que evidenciaram o fenômeno que se busca capturar pela utilização do termo “pós-verdade”. O que há em comum nesses contextos é que, mesmo que diversas mentiras, “fake news”, ou frágeis versões sobre acontecimentos tenham sido amplamente evidenciadas ao público como falsas, os grupos aos quais interessava a imposição da mentira, conseguiram fazer prevalecer sua narrativa na opinião pública, levando, portanto, ao diagnóstico de que vivemos em um mundo onde a verdade não mais importa, os fatos não contam mais, ou seja, teríamos adentrado no mundo da pós-verdade, um tempo pós-factual. Abrangência e implicações da “pós-verdade Por não se tratar de um conceito científico, a pós-verdade faz referência à uma “cultura” incipiente, ampla e imprecisa, ou a uma “cultura política” ainda não muito delimitada, que se estrutura, contraditoriamente, pela mediação da internet e redes sociais. Digo contraditoriamente, pois a internet possibilitou às sociedades um processo de hiperinformação, o acesso massivo à fontes de informação, ao passo que a cultura da pós-verdade tem como um traço característico a perda da mobilização da dimensão factual na conformação da opinião pública. Nunca dispomos de formas tão imediatas de apuração dos fatos quanto temos hoje, ao mesmo tempo em que cresce a insignificância e desinteresse por eles nos necessários debates na esfera pública. Tal quadro tem nos conduzido a tempos obscurantistas de “terraplanistas”, “nazismos de esquerda”, movimentos contra vacina e revisionismos absurdos de diversas questões já bastante pacificadas no repertório do conhecimento de natureza, de sociedade e história no Ocidente. Tal contexto de afastamento dos pressupostos básicos da racionalidade moderna, mais precisamente, o afastamento de noções como objetividade e empiria, abre espaço para um processo no qual representações do mundo social formuladas com base na mentira ou em impressões subjetivas, disseminadas por técnicas de propaganda, tenham mais poder de mobilização do que os fatos na conformação da opinião pública. Tais discursos ideológicos, produzidos para capturar o calor da emoção, alcançam amplo contingente que os assume a título de convicções pessoais intransigentes, mantidas aguerridamente mesmo frente a explicitação inconteste da falsidade. O que é objetividade? O termo objetividade, na tradição da filosofia do conhecimento ocidental, em termos simplistas, refere-se ao procedimento adotado para a construção de um conhecimento objetivo, isto é, um conhecimento dos objetos externos à consciência de quem busca conhecer. Dito de outra forma, o conhecimento objetivo é aquele que respeitou, no processo de sua apuração, a separação entre o sujeito do conhecimento e o objeto de conhecimento. Portanto, a objetividade busca assegurar um conhecimento que independe das impressões subjetivas ou preferências pessoais de quem busca conhecer. O que é empiria? O termo empiria, de origem grega, equivale ao vocábulo latino experientia, em português, experiência. Refere-se à valorização dos processos de experimentação, técnicas de observação, medição, tabulação, catalogação, comparação e outros procedimentos comuns no fazer científico, executados nos laboratórios dentro das instituições de pesquisa e em outros espaços. De forma simples, podemos dizer que as pesquisas científicas, independentemente de qual área de conhecimento, adotam um ou mais métodos de coleta e tratamento de dados empíricos, isto é, formas objetivas e rigorosas de controle, observação e verificação dos dados e fatos que servem de base para se formular teorias e generalizações sobre os fenômenos estudados. Dizemos que um conhecimento ou argumento é sólido, quando este está firmemente assentado em base empírica, ou seja, pode ser confirmado por dados e fatos universalmente observáveis e comprovados. Um alerta necessário Noções como objetividade e empiria parecem estar em franco declínio na cultura geral e na cultura política de forma ainda mais grave. Isto pode ser um dos reflexos da crise na educação pública e privada, no caso mais específico do Brasil. É bastante sintomático o despreparo e carência de instrumentos de expressão e de crítica da população brasileira para a prática da cidadania. As redes sociais, escancaram o alto grau de analfabetismo funcional e mais especificamente o alarmante analfabetismo político de amplas parcelas de brasileiros, em todas as classes sociais. Será necessário enfrentarmos esse mundo da pós-verdade, atuando em um esforço de retomada de critérios racionais mínimos para o diálogo. Há que se exigir dos interlocutores argumentação fundamentada, afastado da esfera pública esse relativismo narcisista e mimado onde se entende que cada qual tem uma “opinião própria”, e que cada qual tem direito de reivindicar a legitimidade de sua própria “verdade”. Não conseguiremos avançar e superar nossas