{"id":19415,"date":"2019-05-24T17:30:37","date_gmt":"2019-05-24T20:30:37","guid":{"rendered":"https:\/\/universonerd.net\/portalantigo\/?p=19415"},"modified":"2019-05-24T15:59:41","modified_gmt":"2019-05-24T18:59:41","slug":"o-que-e-liberalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/universonerd.net\/portalantigo\/o-que-e-liberalismo\/","title":{"rendered":"O Que \u00c9 Liberalismo?"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Parte 1 &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Para se entender com clareza o que \u00e9 o liberalismo, \u00e9 necess\u00e1rio compreender o contexto hist\u00f3rico de seu surgimento. Isso nos leva ao s\u00e9culo XVIII, tamb\u00e9m conhecido como S\u00e9culo das Luzes, uma refer\u00eancia ao movimento pol\u00edtico-filos\u00f3fico mais amplo chamado de <strong>Iluminismo<\/strong> ou <strong>Ilustra\u00e7\u00e3o, <\/strong>movimento este que, por sua vez, gestou o pensamento liberal, tanto em sua dimens\u00e3o pol\u00edtica quanto econ\u00f4mica. A nova vis\u00e3o de mundo passava a valorizar a capacidade racional humana e trazer para a esfera p\u00fablica crit\u00e9rios racionais de organiza\u00e7\u00e3o social, desvencilhando-se de princ\u00edpios morais oriundos da tradi\u00e7\u00e3o religiosa medieval. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">As no\u00e7\u00f5es de liberta\u00e7\u00e3o e liberdade<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Um primeiro\nponto crucial para compreender a doutrina pol\u00edtica e econ\u00f4mica subjacente ao\nliberalismo cl\u00e1ssico \u00e9 sua oposi\u00e7\u00e3o ao mundo no qual surgiu, isto \u00e9, seus\nprinc\u00edpios podem ser esquematicamente identificados como oposi\u00e7\u00f5es quase que\ndiametrais ao Absolutismo Mon\u00e1rquico e suas pr\u00e1ticas econ\u00f4micas, agrupadas pela\ndenomina\u00e7\u00e3o generalizante de \u201cmercantilismo\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">O Antigo Regime, ou o Absolutismo, foi a primeira forma de organiza\u00e7\u00e3o do Estado Moderno, erigido a partir dos escombros do mundo medieval na Europa Ocidental no s\u00e9culo XV e vigeu at\u00e9 a eclos\u00e3o das <strong>Revolu\u00e7\u00f5es burguesas<\/strong> no&nbsp; final do s\u00e9culo XVIII e ao longo do XIX, concebendo um Estado personificado na figura de um monarca de poderes absolutos e ilimitados, com poder inclusive de vida e morte sobre seus s\u00faditos e legislando sobre todos os aspectos da vida social, desde a religi\u00e3o at\u00e9 a economia. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">As formas de\njustifica\u00e7\u00e3o desse poder absoluto v\u00e3o desde ideologias pretensamente racionais,\nmorais at\u00e9 as religiosas, como podem ser conhecidas a partir do estudo dos mais\ndestacados \u201cte\u00f3ricos do absolutismo\u201d e suas respectivas obras: Maquiavel (O\npr\u00edncipe); Thomas Hobbes (Leviat\u00e3); Jacques Bossuet (Pol\u00edtica retirada da\nSagrada Escritura).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">A s\u00edntese do Absolutismo \u00e9 exemplificada por um de seus monarcas mais simb\u00f3licos, o rei da Fran\u00e7a, Lu\u00eds XIV, que reinou entre 1643 e 1715, o qual teria dito a famosa frase \u201cl\u2019\u00c9tat c\u2019est mui\u201d, ou seja, \u201co Estado sou eu\u201d. A centralidade da figura do monarca e a imensid\u00e3o de seu poder tamb\u00e9m s\u00e3o dimensionadas pelo apelido a ele conferido de \u201cRei Sol\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">\u00c9 evidente que\nesse poder centralizado s\u00f3 poderia existir mediante a sustenta\u00e7\u00e3o social dos\ngrupos que viam na manuten\u00e7\u00e3o deste monarca absoluto a garantia de continuidade\nde seus pr\u00f3prios privil\u00e9gios, ou seja, a aristocracia laica e o clero\n(propriet\u00e1ria de terras e rendas), bem como grandes mercadores (alta burguesia)\ndetentora de monop\u00f3lios concedidos pelo rei no com\u00e9rcio nacional e estrangeiro,\nno contexto do chamado Antigo Sistema Colonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Por seu turno, para perdurar, esse rei absoluto deveria ser o fiel da balan\u00e7a entre os diferentes interesses, por vezes contradit\u00f3rios, entre os diferentes grupos, cuidando para que nenhum deles se sentisse suficientemente poderoso para almejar se sobrepor aos demais. Haveria muito a incluir sobre as estrat\u00e9gias de sucess\u00e3o mon\u00e1rquica e a pol\u00edtica externa das monarquias absolutistas, o que nos levaria a um verdadeiro \u201c<strong>G<\/strong><b>ame of Thrones<\/b>\u201d, mas esse n\u00e3o \u00e9 nosso foco nesse texto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">O que \u00e9\nimportante reter nesse momento \u00e9 o que caracteriza o Absolutismo, ou seja, o <strong>intervencionismo do Estado <\/strong>em todas as\nesferas da vida social. Portanto, o Iluminismo e o liberalismo buscar\u00e3o\ndeslegitimar essa interven\u00e7\u00e3o e toda essa forma de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e\nsocial, abrindo o espa\u00e7o para a configura\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de uma nova forma de\nEstado, <strong>o Estado liberal-burgu\u00eas<\/strong>,\nconstru\u00eddo violentamente a partir das chamadas Revolu\u00e7\u00f5es burguesas no final do\ns\u00e9culo XVIII, tendo como maiores exemplos hist\u00f3ricos a Guerra de Independ\u00eancia\ndos EUA (1776) e a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789). Tais processos revolucion\u00e1rios\nforam alimentados no plano das ideias pelos mais destacados pensadores\niluministas e suas respectivas obras, entre eles: Locke, Voltaire, Rousseau,\nMontesquieu e Diderot.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">\u00c9, portanto, na\nluta pela <strong>liberta\u00e7\u00e3o da tirania<\/strong> dos\nmonarcas absolutistas e <strong>pela liberdade\npol\u00edtica e econ\u00f4mica, bem como pela garantia de direitos individuais (mais\ntarde denominados Direitos Humanos),<\/strong> que a doutrina liberal se construiu\nhistoricamente, buscando redefinir a esfera p\u00fablica e a esfera privada, <strong>redefinindo os limites da interven\u00e7\u00e3o do\nEstado na sociedade. <\/strong>Esse trabalho de pouco mais de dois s\u00e9culos ainda n\u00e3o\nest\u00e1 acabado. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Muitos pa\u00edses,\nentre eles o Brasil, ainda tem graves problemas em seu sistema representativo e\npadece de profundos problemas econ\u00f4micos oriundos principalmente da violenta\nconcentra\u00e7\u00e3o de renda e desigualdade social, pela manuten\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios a\ngrupos econ\u00f4micos, tais como ocorria no tempo do Absolutismo. H\u00e1 ainda no\nBrasil uma agenda de consolida\u00e7\u00e3o de garantias de liberdades e direitos\nindividuais, que s\u00e3o <strong>genuinamente\nliberais<\/strong>, mas entendidos aqui, e erroneamente, dado o grau de analfabetismo\nfuncional e analfabetismo pol\u00edtico, como bandeiras \u201cde esquerda\u201d de forma\ndescontextualizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Em nosso pr\u00f3ximo texto, aprofundaremos a discurs\u00e3o sobre o liberalismo em sua dimens\u00e3o propriamente pol\u00edtica, ou seja, os princ\u00edpios liberais de organiza\u00e7\u00e3o dos regimes representativos no Ocidente. Fique ligado nas publica\u00e7\u00f5es da coluna Cultura e Sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Para finalizar, deixo tr\u00eas quest\u00f5es para reflex\u00e3o e caso voc\u00ea queira, para debater com seus familiares e amigos ou ainda, para usar os coment\u00e1rios aqui no blog: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\"><strong><em>Voc\u00ea concorda que o Estado deve\nter o poder de controle e decis\u00e3o sobre o seu corpo?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\"><strong><em>Voc\u00ea concorda que o seu corpo\npode ser objeto de poder do Estado?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\"><strong><em>Voc\u00ea concorda que seu corpo \u00e9 seu e deve ter garantias contra a a\u00e7\u00e3o do Estado?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\"><strong><em>Se voc\u00ea gostou deste artigo, n\u00e3o deixe de participar atrav\u00e9s de sugest\u00f5es, cr\u00edticas e\/ou d\u00favidas. Aproveitem para assinar o Blog, curtir a P\u00e1gina no Facebook, interagir no Grupo do Facebook, al\u00e9m de acompanhar publica\u00e7\u00f5es e ficar por dentro do Projeto Universo NERD, de sorteios, concursos e demais promo\u00e7\u00f5es.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte 1 &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica Para se entender com clareza o que \u00e9 o liberalismo, \u00e9 necess\u00e1rio compreender o contexto hist\u00f3rico de seu surgimento. 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