{"id":33508,"date":"2026-02-12T14:30:00","date_gmt":"2026-02-12T17:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/?p=33508"},"modified":"2026-02-13T20:44:53","modified_gmt":"2026-02-13T23:44:53","slug":"entre-baloes-e-algoritmos-o-momento-atual-das-hqs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/entre-baloes-e-algoritmos-o-momento-atual-das-hqs\/","title":{"rendered":"Entre Bal\u00f5es E Algoritmos: O Momento Atual Das HQ&#8217;s"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"112\" data-end=\"476\"><span style=\"color: #000000;\">Abrir uma <strong>Hist\u00f3ria em Quadrinhos<\/strong> (famosa <strong>HQ<\/strong>) em 2026 \u00e9, ao mesmo tempo, um gesto nost\u00e1lgico e contempor\u00e2neo. O papel ainda encanta, o tra\u00e7o ainda prende, <strong>mas o contexto mudou<\/strong>. Nunca houve tanta oferta de conte\u00fado visual disputando aten\u00e7\u00e3o, e nunca as hist\u00f3rias em quadrinhos precisaram dialogar tanto com tecnologia, <em>streaming<\/em>, redes sociais e com a intelig\u00eancia artificial.<\/span><\/p>\n<p data-start=\"478\" data-end=\"817\"><span style=\"color: #000000;\">A pergunta que ecoa entre leitores, artistas e editoras \u00e9 inevit\u00e1vel: <strong data-start=\"548\" data-end=\"651\">as HQ&#8217;s seguem fortes ou est\u00e3o sendo pressionadas por um mundo cada vez mais digital e automatizado?<\/strong> <\/span><\/p>\n<p data-start=\"478\" data-end=\"817\"><span style=\"color: #000000;\">A resposta passa menos por crise e mais por transforma\u00e7\u00e3o. O quadrinho n\u00e3o est\u00e1 desaparecendo; est\u00e1 se reorganizando em um cen\u00e1rio cultural mais amplo e competitivo e com um novo p\u00fablico que, cada vez mais, n\u00e3o usar\u00e1 nada em papel. E \u00e9 quest\u00e3o de tempo para outras mudan\u00e7as chegarem!<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<h5 data-start=\"819\" data-end=\"955\"><em><strong><span style=\"color: #000000;\">Este \u00e9 um retrato humano do momento atual das HQs: um mercado que respira, se adapta e tenta equilibrar tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/strong><\/em><\/h5>\n<\/blockquote>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"785\" src=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-1-1024x785.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-33547\" srcset=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-1-1024x785.png 1024w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-1-300x230.png 300w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-1-768x589.png 768w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-1-1536x1178.png 1536w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-1-2048x1570.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A morte do Superman. Fonte: H\u00e1bito de Quadrinhos.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h4 data-start=\"962\" data-end=\"1023\"><strong><span style=\"color: #000000;\">O mercado em transforma\u00e7\u00e3o: menos bancas, mais caminhos<\/span><\/strong><\/h4>\n<p data-start=\"1025\" data-end=\"1377\"><span style=\"color: #000000;\">O modelo cl\u00e1ssico das HQ&#8217;s com bancas, edi\u00e7\u00f5es mensais e colecionadores fi\u00e9is j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico eixo do setor. Em muitos lugares, deixou de ser o principal. Em seu lugar, surgiram novos fluxos: livrarias apostando em <strong><em>graphic novels<\/em><\/strong>, editoras independentes, plataformas digitais, financiamento coletivo e a for\u00e7a cont\u00ednua dos <strong>mang\u00e1s<\/strong> no mercado global. Eu ainda tenho cerca de 500 HQ&#8217;s!<\/span><\/p>\n<p data-start=\"1379\" data-end=\"1720\"><span style=\"color: #000000;\">Os mang\u00e1s, ali\u00e1s, seguem como uma das locomotivas do setor, pois atraem novos leitores, renovam o p\u00fablico jovem e ajudam a manter as HQ&#8217;s relevantes nas prateleiras e nas conversas culturais. Ao mesmo tempo, as <em>graphic novels<\/em> ganharam espa\u00e7o em escolas e universidades, ampliando o reconhecimento do quadrinho como linguagem art\u00edstica e pedag\u00f3gica. E esse \u00e9 um nicho interessante.<\/span><\/p>\n<p data-start=\"1722\" data-end=\"2107\"><span style=\"color: #000000;\">Outro ponto importante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com o audiovisual, pois muitos leitores chegam \u00e0s HQs depois de filmes e s\u00e9ries baseados em personagens j\u00e1 conhecidos. O fluxo se inverteu: antes o cinema adaptava quadrinhos; hoje, muitas HQ&#8217;s j\u00e1 nascem com esse potencial transm\u00eddia. Isso fortalece a visibilidade, mas tamb\u00e9m cria um outro desafio: <strong>manter a identidade sem depender as adapta\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<h5 data-start=\"2109\" data-end=\"2288\"><em><strong><span style=\"color: #000000;\">O mercado n\u00e3o est\u00e1 em queda livre. Est\u00e1 mais fragmentado, mais digital e mais plural. H\u00e1 menos centraliza\u00e7\u00e3o, mas mais possibilidades de entrada para novos autores e leitores.<\/span><\/strong><\/em><\/h5>\n<\/blockquote>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1008\" height=\"568\" src=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-3.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-33542\" srcset=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-3.avif 1008w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-3-300x169.avif 300w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-3-768x433.avif 768w\" sizes=\"(max-width: 1008px) 100vw, 1008px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Banca com muitos quadrinhos. Fonte: G1.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h4 data-start=\"2295\" data-end=\"2358\"><strong><span style=\"color: #000000;\">IA: amea\u00e7a, ferramenta ou nova fase?<\/span><\/strong><\/h4>\n<p data-start=\"2360\" data-end=\"2698\"><span style=\"color: #000000;\">A chegada da IA no campo art\u00edstico provocou rea\u00e7\u00f5es intensas e compreens\u00edveis. Nas HQ&#8217;s, j\u00e1 aparece em etapas de produ\u00e7\u00e3o como coloriza\u00e7\u00e3o, composi\u00e7\u00e3o, revis\u00e3o e at\u00e9 gera\u00e7\u00e3o de imagens conceituais. Para alguns artistas, isso representa risco de desvaloriza\u00e7\u00e3o; para outros, uma ferramenta que pode acelerar processos e reduzir custos. E esse \u00e9 um caminho sem volta com a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica!<\/span><\/p>\n<p data-start=\"2700\" data-end=\"3045\"><span style=\"color: #000000;\">O ponto central talvez n\u00e3o seja se a IA vai substituir os artistas, mas <strong data-start=\"2769\" data-end=\"2817\">como ela ser\u00e1 integrada ao processo criativo<\/strong>. Hist\u00f3rias em quadrinhos n\u00e3o s\u00e3o apenas ilustra\u00e7\u00e3o: <strong>s\u00e3o ritmo, narrativa visual, enquadramento, <em>timing<\/em>, emo\u00e7\u00e3o<\/strong>. Esses elementos dependem de sensibilidade humana e de uma vis\u00e3o autoral que ainda n\u00e3o se automatiza com facilidade.<\/span><\/p>\n<p data-start=\"3047\" data-end=\"3332\"><span style=\"color: #000000;\">Ao mesmo tempo, a IA pode democratizar o acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, onde os autores independentes conseguem testar ideias, planejar p\u00e1ginas e experimentar estilos com mais rapidez. O desafio est\u00e1 na <strong>\u00e9tica<\/strong>: <strong>cr\u00e9dito<\/strong>, <strong>originalidade<\/strong>, direitos autorais e valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho art\u00edstico entram em debate.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<h5 data-start=\"3334\" data-end=\"3504\"><em><strong><span style=\"color: #000000;\">A tecnologia sempre acompanhou as HQ&#8217;s, da impress\u00e3o \u00e0s cores digitais. A IA \u00e9 mais um cap\u00edtulo dessa evolu\u00e7\u00e3o. O impacto existe, mas o desfecho ainda est\u00e1 sendo escrito.<\/span><\/strong><\/em><\/h5>\n<\/blockquote>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"761\" src=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33543\" srcset=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-4.jpg 1024w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-4-300x223.jpg 300w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-4-768x571.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uso de IA&#8217;s em HQ&#8217;s do Batman. Fonte: Fora do Pl\u00e1stico.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h4 data-start=\"3511\" data-end=\"3558\"><strong><span style=\"color: #000000;\">O leitor de hoje e a disputa pela aten\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/h4>\n<p data-start=\"3560\" data-end=\"3859\"><span style=\"color: #000000;\">Se h\u00e1 um fator que realmente pressiona as HQ&#8217;s hoje, n\u00e3o \u00e9 apenas a IA. <strong>\u00c9 o tempo<\/strong>. O leitor contempor\u00e2neo vive cercado por est\u00edmulos: <strong>v\u00eddeos curtos<\/strong>, <strong>redes sociais<\/strong>, <strong>streaming<\/strong>, <strong><em>games<\/em><\/strong> e <strong>notifica\u00e7\u00f5es constantes<\/strong>. Ler uma HQ exige pausa, foco e um ritmo pr\u00f3prio. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" data-start=\"3560\" data-end=\"3859\"><strong><span style=\"color: #000000;\">De fato, \u00e9 algo quase raro em um cotidiano acelerado.<\/span><\/strong><\/p>\n<p data-start=\"3861\" data-end=\"4105\"><span style=\"color: #000000;\">Ainda assim, o quadrinho tem uma vantagem singular: <strong>ele oferece uma experi\u00eancia h\u00edbrida entre literatura e cinema<\/strong>, mas com controle total do leitor. Voc\u00ea define o tempo da cena, volta quadros, observa detalhes. \u00c9 uma experi\u00eancia ativa e \u00edntima.<\/span><\/p>\n<p data-start=\"4107\" data-end=\"4362\"><span style=\"color: #000000;\">O p\u00fablico tamb\u00e9m se diversificou. H\u00e1 o colecionador tradicional, o leitor ocasional, o estudante que descobre HQ&#8217;s na escola e o f\u00e3 que chega pelos filmes e s\u00e9ries. O quadrinho deixou de ser nicho fechado e se tornou parte de um ecossistema cultural muito maior.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<h5 data-start=\"4364\" data-end=\"4550\"><em><strong><span style=\"color: #000000;\">Isso significa que as HQ&#8217;s n\u00e3o dependem mais de um \u00fanico p\u00fablico ou formato. Elas sobrevivem porque se adaptam e porque ainda existe um desejo humano por hist\u00f3rias visuais bem contadas.<\/span><\/strong><\/em><\/h5>\n<\/blockquote>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-5-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33545\" srcset=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-5-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-5-300x169.jpg 300w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-5-768x432.jpg 768w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-5-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Momento-das-HQs-Imagem-5.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mang\u00e1. Fonte: Olhar Digital.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h4 data-start=\"4557\" data-end=\"4568\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Uma breve reflex\u00e3o<\/span><\/strong><\/h4>\n<p data-start=\"4570\" data-end=\"4846\"><span style=\"color: #000000;\">Talvez o melhor jeito de entender o momento das HQ&#8217;s seja pensar nelas como um meio em constante reinven\u00e7\u00e3o. N\u00e3o est\u00e3o em decad\u00eancia, nem em um auge absoluto. Est\u00e3o em <strong data-start=\"4737\" data-end=\"4750\">movimento<\/strong>. Entre o papel e o digital, entre o tra\u00e7o manual e o algoritmo, entre a nostalgia e a inova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p data-start=\"4848\" data-end=\"5150\"><span style=\"color: #000000;\">A intelig\u00eancia artificial vai continuar avan\u00e7ando. As plataformas ir\u00e3o mudar. O consumo cultural seguir\u00e1 fragmentado. Mas enquanto houver pessoas dispostas a contar hist\u00f3rias com quadros e bal\u00f5es, o quadrinho seguir\u00e1 existindo, <strong>talvez diferente<\/strong>, <strong>talvez mais tecnol\u00f3gico<\/strong>, <strong>mas ainda humano<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p data-start=\"5152\" data-end=\"5334\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\"><span style=\"color: #000000;\">No fim, HQ&#8217;s nunca foram apenas sobre super-her\u00f3is ou aventuras, pois s\u00e3o sobre narrativa, imagina\u00e7\u00e3o e identidade. <strong>E isso, felizmente, nenhuma tecnologia consegue substituir<\/strong>!<\/span><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abrir uma Hist\u00f3ria em Quadrinhos (famosa HQ) em 2026 \u00e9, ao mesmo tempo, um gesto nost\u00e1lgico e contempor\u00e2neo. O papel ainda encanta, o tra\u00e7o ainda prende, mas o contexto mudou. Nunca houve tanta oferta de conte\u00fado visual disputando aten\u00e7\u00e3o, e nunca as hist\u00f3rias em quadrinhos precisaram dialogar tanto com tecnologia, streaming, redes sociais e com a intelig\u00eancia artificial. A pergunta que ecoa entre leitores, artistas e editoras \u00e9 inevit\u00e1vel: as HQ&#8217;s seguem fortes ou est\u00e3o sendo pressionadas por um mundo cada vez mais digital e automatizado? A resposta passa menos por crise e mais por transforma\u00e7\u00e3o. O quadrinho n\u00e3o est\u00e1 desaparecendo; est\u00e1 se reorganizando em um cen\u00e1rio cultural mais amplo e competitivo e com um novo p\u00fablico que, cada vez mais, n\u00e3o usar\u00e1 nada em papel. E \u00e9 quest\u00e3o de tempo para outras mudan\u00e7as chegarem! Este \u00e9 um retrato humano do momento atual das HQs: um mercado que respira, se adapta e tenta equilibrar tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. O mercado em transforma\u00e7\u00e3o: menos bancas, mais caminhos O modelo cl\u00e1ssico das HQ&#8217;s com bancas, edi\u00e7\u00f5es mensais e colecionadores fi\u00e9is j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico eixo do setor. Em muitos lugares, deixou de ser o principal. Em seu lugar, surgiram novos fluxos: livrarias apostando em graphic novels, editoras independentes, plataformas digitais, financiamento coletivo e a for\u00e7a cont\u00ednua dos mang\u00e1s no mercado global. Eu ainda tenho cerca de 500 HQ&#8217;s! Os mang\u00e1s, ali\u00e1s, seguem como uma das locomotivas do setor, pois atraem novos leitores, renovam o p\u00fablico jovem e ajudam a manter as HQ&#8217;s relevantes nas prateleiras e nas conversas culturais. Ao mesmo tempo, as graphic novels ganharam espa\u00e7o em escolas e universidades, ampliando o reconhecimento do quadrinho como linguagem art\u00edstica e pedag\u00f3gica. E esse \u00e9 um nicho interessante. Outro ponto importante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com o audiovisual, pois muitos leitores chegam \u00e0s HQs depois de filmes e s\u00e9ries baseados em personagens j\u00e1 conhecidos. O fluxo se inverteu: antes o cinema adaptava quadrinhos; hoje, muitas HQ&#8217;s j\u00e1 nascem com esse potencial transm\u00eddia. Isso fortalece a visibilidade, mas tamb\u00e9m cria um outro desafio: manter a identidade sem depender as adapta\u00e7\u00f5es. O mercado n\u00e3o est\u00e1 em queda livre. Est\u00e1 mais fragmentado, mais digital e mais plural. H\u00e1 menos centraliza\u00e7\u00e3o, mas mais possibilidades de entrada para novos autores e leitores. IA: amea\u00e7a, ferramenta ou nova fase? A chegada da IA no campo art\u00edstico provocou rea\u00e7\u00f5es intensas e compreens\u00edveis. Nas HQ&#8217;s, j\u00e1 aparece em etapas de produ\u00e7\u00e3o como coloriza\u00e7\u00e3o, composi\u00e7\u00e3o, revis\u00e3o e at\u00e9 gera\u00e7\u00e3o de imagens conceituais. Para alguns artistas, isso representa risco de desvaloriza\u00e7\u00e3o; para outros, uma ferramenta que pode acelerar processos e reduzir custos. E esse \u00e9 um caminho sem volta com a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica! O ponto central talvez n\u00e3o seja se a IA vai substituir os artistas, mas como ela ser\u00e1 integrada ao processo criativo. Hist\u00f3rias em quadrinhos n\u00e3o s\u00e3o apenas ilustra\u00e7\u00e3o: s\u00e3o ritmo, narrativa visual, enquadramento, timing, emo\u00e7\u00e3o. Esses elementos dependem de sensibilidade humana e de uma vis\u00e3o autoral que ainda n\u00e3o se automatiza com facilidade. Ao mesmo tempo, a IA pode democratizar o acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, onde os autores independentes conseguem testar ideias, planejar p\u00e1ginas e experimentar estilos com mais rapidez. O desafio est\u00e1 na \u00e9tica: cr\u00e9dito, originalidade, direitos autorais e valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho art\u00edstico entram em debate. A tecnologia sempre acompanhou as HQ&#8217;s, da impress\u00e3o \u00e0s cores digitais. A IA \u00e9 mais um cap\u00edtulo dessa evolu\u00e7\u00e3o. O impacto existe, mas o desfecho ainda est\u00e1 sendo escrito. O leitor de hoje e a disputa pela aten\u00e7\u00e3o Se h\u00e1 um fator que realmente pressiona as HQ&#8217;s hoje, n\u00e3o \u00e9 apenas a IA. \u00c9 o tempo. O leitor contempor\u00e2neo vive cercado por est\u00edmulos: v\u00eddeos curtos, redes sociais, streaming, games e notifica\u00e7\u00f5es constantes. Ler uma HQ exige pausa, foco e um ritmo pr\u00f3prio. De fato, \u00e9 algo quase raro em um cotidiano acelerado. Ainda assim, o quadrinho tem uma vantagem singular: ele oferece uma experi\u00eancia h\u00edbrida entre literatura e cinema, mas com controle total do leitor. Voc\u00ea define o tempo da cena, volta quadros, observa detalhes. \u00c9 uma experi\u00eancia ativa e \u00edntima. O p\u00fablico tamb\u00e9m se diversificou. H\u00e1 o colecionador tradicional, o leitor ocasional, o estudante que descobre HQ&#8217;s na escola e o f\u00e3 que chega pelos filmes e s\u00e9ries. O quadrinho deixou de ser nicho fechado e se tornou parte de um ecossistema cultural muito maior. Isso significa que as HQ&#8217;s n\u00e3o dependem mais de um \u00fanico p\u00fablico ou formato. Elas sobrevivem porque se adaptam e porque ainda existe um desejo humano por hist\u00f3rias visuais bem contadas. Uma breve reflex\u00e3o Talvez o melhor jeito de entender o momento das HQ&#8217;s seja pensar nelas como um meio em constante reinven\u00e7\u00e3o. N\u00e3o est\u00e3o em decad\u00eancia, nem em um auge absoluto. Est\u00e3o em movimento. Entre o papel e o digital, entre o tra\u00e7o manual e o algoritmo, entre a nostalgia e a inova\u00e7\u00e3o. A intelig\u00eancia artificial vai continuar avan\u00e7ando. As plataformas ir\u00e3o mudar. O consumo cultural seguir\u00e1 fragmentado. Mas enquanto houver pessoas dispostas a contar hist\u00f3rias com quadros e bal\u00f5es, o quadrinho seguir\u00e1 existindo, talvez diferente, talvez mais tecnol\u00f3gico, mas ainda humano. No fim, HQ&#8217;s nunca foram apenas sobre super-her\u00f3is ou aventuras, pois s\u00e3o sobre narrativa, imagina\u00e7\u00e3o e identidade. E isso, felizmente, nenhuma tecnologia consegue substituir!<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":33549,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[46,1],"tags":[93,5396,3629,4319],"class_list":["post-33508","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-livro-hq","category-todascategorias","tag-cultura","tag-historias-em-quadrinhos","tag-hq","tag-hqs-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33508"}],"version-history":[{"count":23,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33508\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33619,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33508\/revisions\/33619"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33549"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}