{"id":19770,"date":"2019-07-07T19:56:15","date_gmt":"2019-07-07T22:56:15","guid":{"rendered":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/?p=19770"},"modified":"2019-07-07T20:12:33","modified_gmt":"2019-07-07T23:12:33","slug":"sea-of-solitude-jogando-com-a-psicanalise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/sea-of-solitude-jogando-com-a-psicanalise\/","title":{"rendered":"Sea of Solitude: jogando com a psican\u00e1lise"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Esse jogo chamou minha aten\u00e7\u00e3o desde seu breve aparecimento para o Xbox na E3 de 2018. Chamou a aten\u00e7\u00e3o primeiramente pelo t\u00edtulo que remete ao conceito abstrato de solid\u00e3o, combinado com a ideia de vastid\u00e3o do oceano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">J\u00e1 \u00e9 comum afirmar que os jogos, na atualidade, ultrapassam a pretens\u00e3o simplista de proporcionar apenas entretenimento banal. Tanto o desenvolvimento t\u00e9cnico quanto a acuidade da expressividade art\u00edstica fazem dos jogos eletr\u00f4nicos a vanguarda da linguagem audiovisual na sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Quando falamos de vanguarda na\nind\u00fastria de jogos, estamos falando dos produtores e desenvolvedores que\npossibilitam a experimenta\u00e7\u00e3o, a fuga dos modelos j\u00e1 consolidados de sucesso\ncomercial. S\u00e3o eles que arriscam em terrenos inexplorados da linguagem e\njogabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Esse \u00e9 o fascinante mundo dos est\u00fadios independentes, que nos entregam os carism\u00e1ticos e intrigantes jogos \u201cindies\u201d, muitas vezes, portadores de experi\u00eancias inesperadas e marcantes. Jogar <em>Sea of Solitude<\/em>, lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 05 de Julho, \u00e9 uma oportunidade de deixar as armas ou as espadas de lado por tr\u00eas ou quatro horas, para experimentar um mergulho em um bel\u00edssimo mundo metaf\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Entretanto, como em todo oceano, haver\u00e1 tormentas. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que um desenvolvedor resolve transformar os dramas de sua vida pessoal em um jogo de tipo autobiogr\u00e1fico. Lembremos aqui de <em>That Dragon, Cancer, <\/em>jogo de 2016, onde os desenvolvedores, pai e m\u00e3e, narram sua luta contra o c\u00e2ncer do filho, falecido em 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">\u00c9 importante que exista essa possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de jogos que rompam com os modelos mais comuns, os quais muitas vezes, com um custo relativamente baixo de produ\u00e7\u00e3o, resultam em verdadeiras obras de arte. Portanto, iniciativas como o ID@Xbox e a EA Originals, que financiam pequenos est\u00fadios devem ser louvadas, por revelarem novos talentos e por trazerem esses jogos ao p\u00fablico mais amplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Sea of Solitude foi financiado pelo programa <em>EA Originals<\/em>, antecedido por t\u00edtulos do quilate de um <em>Unravel, Fe e A way out<\/em>. \u00c9 um jogo de inspira\u00e7\u00e3o autobiogr\u00e1fica, afirma a roteirista e diretora de cria\u00e7\u00e3o, Cornelia Geppert, que tamb\u00e9m \u00e9 CEO do est\u00fadio alem\u00e3o <em>Jo-Mei Games<\/em>: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong><em>Sea of Solitude \u00e9, de longe, o projeto mais art\u00edstico e pessoal que jamais criei. \u00c0s vezes \u00e9 um desafio enorme mergulhar fundo nos seus pr\u00f3prios sentimentos, como os temores mais primitivos, anseios e raiva. Mas ao mesmo tempo, \u00e9 o mais gratificante poder expressar esses sentimentos para as outras pessoas por meio da arte.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Imagine a solid\u00e3o de algu\u00e9m \u00e0\nderiva em um bote em vasto oceano. Cornelia quer relatar um per\u00edodo de sua vida\nno qual se sentiu profundamente solit\u00e1ria. Com a alma cercada pelo horizonte\ninfindo de c\u00e9u e \u00e1gua, resta o mergulho ao fundo de si, nas mem\u00f3rias, nos\nsempre confusos sentimentos. L\u00e1 nesse fundo, aquilo que tentamos esconder,\nconter, evitar que venha \u00e0 tona. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Toda a ambienta\u00e7\u00e3o e enredo do\njogo constitui uma alegoria do processo psicanal\u00edtico. O processo de\ncompreender as puls\u00f5es, dores e traumas inscritos no inconsciente (representado\npelo que est\u00e1 submerso ou recoberto de gelo) para que este possa ser trazido\npara o consciente (representado por aquilo que emergiu e est\u00e1 \u00e0 vista), para\nque assim ocorra o processo de cura do sofrimento ps\u00edquico. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Ao passo de cada cap\u00edtulo (ou\nseria sess\u00e3o?), a protagonista Kay vai fazendo emergir os cen\u00e1rios alagados,\nderretendo as geleiras, sempre acompanhada pelo mostro \u00e0 espreita, amea\u00e7ando a\nengolir. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">O jogo traz tamb\u00e9m uma\nrepresenta\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica da estrutura ps\u00edquica composta pelo Id, Ego e Superego.\nOs di\u00e1logos e intera\u00e7\u00f5es apresentam muito dessa negocia\u00e7\u00e3o interior, por vezes\nsofrida, entre o desejo, a raz\u00e3o e a culpa. A dificuldade de lidar com os\nsentimentos pode produzir monstros dos quais buscamos fugir, pode nos fazer\nreconhecer nesses monstros, nos tornar esses monstros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Nesse caminho de liberta\u00e7\u00e3o ou psican\u00e1lise, Kay ter\u00e1 de enfrentar as mem\u00f3rias, m\u00e1goas e traumas recolhendo-as em sua mochila, met\u00e1fora da bagagem da vida, dos dif\u00edceis relacionamentos humanos, com o irm\u00e3o, os pais e o namorado. <em>Sea of Solitude<\/em> \u00e9 um jogo que narra de forma bel\u00edssima a jornada de algu\u00e9m que luta para deixar de ser um monstro e reencontrar sua humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">\u00c9 um jogo para frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica sem desafios quanto \u00e0 dificuldade, de jogabilidade simples e instintiva, contando com uma trilha sonora muito agrad\u00e1vel. Seu \u00fanico ponto negativo, para n\u00f3s lus\u00f3fonos, \u00e9 o fato de n\u00e3o termos sido prestigiados por uma tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas. Mas creio que em Espanhol ou com Ingl\u00eas (intermedi\u00e1rio) seja poss\u00edvel apreciar o jogo sem grandes preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">_______________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\"><strong><em>Se voc\u00ea gostou deste artigo, n\u00e3o deixe de participar atrav\u00e9s de sugest\u00f5es, cr\u00edticas e\/ou d\u00favidas. Aproveitem para assinar o Blog, curtir a P\u00e1gina no Facebook, interagir no Grupo do Facebook, al\u00e9m de acompanhar publica\u00e7\u00f5es e ficar por dentro do Projeto Universo NERD, de sorteios, concursos e demais promo\u00e7\u00f5es.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse jogo chamou minha aten\u00e7\u00e3o desde seu breve aparecimento para o Xbox na E3 de 2018. Chamou a aten\u00e7\u00e3o primeiramente pelo t\u00edtulo que remete ao conceito abstrato de solid\u00e3o, combinado com a ideia de vastid\u00e3o do oceano. J\u00e1 \u00e9 comum afirmar que os jogos, na atualidade, ultrapassam a pretens\u00e3o simplista de proporcionar apenas entretenimento banal. Tanto o desenvolvimento t\u00e9cnico quanto a acuidade da expressividade art\u00edstica fazem dos jogos eletr\u00f4nicos a vanguarda da linguagem audiovisual na sociedade contempor\u00e2nea. Quando falamos de vanguarda na ind\u00fastria de jogos, estamos falando dos produtores e desenvolvedores que possibilitam a experimenta\u00e7\u00e3o, a fuga dos modelos j\u00e1 consolidados de sucesso comercial. S\u00e3o eles que arriscam em terrenos inexplorados da linguagem e jogabilidade. Esse \u00e9 o fascinante mundo dos est\u00fadios independentes, que nos entregam os carism\u00e1ticos e intrigantes jogos \u201cindies\u201d, muitas vezes, portadores de experi\u00eancias inesperadas e marcantes. Jogar Sea of Solitude, lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 05 de Julho, \u00e9 uma oportunidade de deixar as armas ou as espadas de lado por tr\u00eas ou quatro horas, para experimentar um mergulho em um bel\u00edssimo mundo metaf\u00f3rico. Entretanto, como em todo oceano, haver\u00e1 tormentas. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que um desenvolvedor resolve transformar os dramas de sua vida pessoal em um jogo de tipo autobiogr\u00e1fico. Lembremos aqui de That Dragon, Cancer, jogo de 2016, onde os desenvolvedores, pai e m\u00e3e, narram sua luta contra o c\u00e2ncer do filho, falecido em 2014. \u00c9 importante que exista essa possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de jogos que rompam com os modelos mais comuns, os quais muitas vezes, com um custo relativamente baixo de produ\u00e7\u00e3o, resultam em verdadeiras obras de arte. Portanto, iniciativas como o ID@Xbox e a EA Originals, que financiam pequenos est\u00fadios devem ser louvadas, por revelarem novos talentos e por trazerem esses jogos ao p\u00fablico mais amplo. Sea of Solitude foi financiado pelo programa EA Originals, antecedido por t\u00edtulos do quilate de um Unravel, Fe e A way out. \u00c9 um jogo de inspira\u00e7\u00e3o autobiogr\u00e1fica, afirma a roteirista e diretora de cria\u00e7\u00e3o, Cornelia Geppert, que tamb\u00e9m \u00e9 CEO do est\u00fadio alem\u00e3o Jo-Mei Games: Sea of Solitude \u00e9, de longe, o projeto mais art\u00edstico e pessoal que jamais criei. \u00c0s vezes \u00e9 um desafio enorme mergulhar fundo nos seus pr\u00f3prios sentimentos, como os temores mais primitivos, anseios e raiva. Mas ao mesmo tempo, \u00e9 o mais gratificante poder expressar esses sentimentos para as outras pessoas por meio da arte. Imagine a solid\u00e3o de algu\u00e9m \u00e0 deriva em um bote em vasto oceano. Cornelia quer relatar um per\u00edodo de sua vida no qual se sentiu profundamente solit\u00e1ria. Com a alma cercada pelo horizonte infindo de c\u00e9u e \u00e1gua, resta o mergulho ao fundo de si, nas mem\u00f3rias, nos sempre confusos sentimentos. L\u00e1 nesse fundo, aquilo que tentamos esconder, conter, evitar que venha \u00e0 tona. Toda a ambienta\u00e7\u00e3o e enredo do jogo constitui uma alegoria do processo psicanal\u00edtico. O processo de compreender as puls\u00f5es, dores e traumas inscritos no inconsciente (representado pelo que est\u00e1 submerso ou recoberto de gelo) para que este possa ser trazido para o consciente (representado por aquilo que emergiu e est\u00e1 \u00e0 vista), para que assim ocorra o processo de cura do sofrimento ps\u00edquico. Ao passo de cada cap\u00edtulo (ou seria sess\u00e3o?), a protagonista Kay vai fazendo emergir os cen\u00e1rios alagados, derretendo as geleiras, sempre acompanhada pelo mostro \u00e0 espreita, amea\u00e7ando a engolir. O jogo traz tamb\u00e9m uma representa\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica da estrutura ps\u00edquica composta pelo Id, Ego e Superego. Os di\u00e1logos e intera\u00e7\u00f5es apresentam muito dessa negocia\u00e7\u00e3o interior, por vezes sofrida, entre o desejo, a raz\u00e3o e a culpa. A dificuldade de lidar com os sentimentos pode produzir monstros dos quais buscamos fugir, pode nos fazer reconhecer nesses monstros, nos tornar esses monstros. Nesse caminho de liberta\u00e7\u00e3o ou psican\u00e1lise, Kay ter\u00e1 de enfrentar as mem\u00f3rias, m\u00e1goas e traumas recolhendo-as em sua mochila, met\u00e1fora da bagagem da vida, dos dif\u00edceis relacionamentos humanos, com o irm\u00e3o, os pais e o namorado. Sea of Solitude \u00e9 um jogo que narra de forma bel\u00edssima a jornada de algu\u00e9m que luta para deixar de ser um monstro e reencontrar sua humanidade. \u00c9 um jogo para frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica sem desafios quanto \u00e0 dificuldade, de jogabilidade simples e instintiva, contando com uma trilha sonora muito agrad\u00e1vel. Seu \u00fanico ponto negativo, para n\u00f3s lus\u00f3fonos, \u00e9 o fato de n\u00e3o termos sido prestigiados por uma tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas. Mas creio que em Espanhol ou com Ingl\u00eas (intermedi\u00e1rio) seja poss\u00edvel apreciar o jogo sem grandes preju\u00edzos. _______________________________________________________________________________ Se voc\u00ea gostou deste artigo, n\u00e3o deixe de participar atrav\u00e9s de sugest\u00f5es, cr\u00edticas e\/ou d\u00favidas. Aproveitem para assinar o Blog, curtir a P\u00e1gina no Facebook, interagir no Grupo do Facebook, al\u00e9m de acompanhar publica\u00e7\u00f5es e ficar por dentro do Projeto Universo NERD, de sorteios, concursos e demais promo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":60,"featured_media":19772,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[44,1],"tags":[1587,1179,2383,2448,420,2351,2446,64],"class_list":["post-19770","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-games","category-todascategorias","tag-e3-2018","tag-idxbox","tag-jogos-indies","tag-kay","tag-psicanalise","tag-sea-of-solitude","tag-unravel","tag-xbox"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19770","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/60"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19770"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19770\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}