{"id":18138,"date":"2018-11-09T22:18:21","date_gmt":"2018-11-10T00:18:21","guid":{"rendered":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/?p=18138"},"modified":"2019-01-05T22:22:52","modified_gmt":"2019-01-06T00:22:52","slug":"assassins-creed-odyssey-ubisoft-e-a-valorizacao-da-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/assassins-creed-odyssey-ubisoft-e-a-valorizacao-da-diversidade\/","title":{"rendered":"Assassin&#8217;s Creed Odyssey: Ubisoft e a Valoriza\u00e7\u00e3o da Diversidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">\u00c9 muito comum escutar de f\u00e3s da saga AC que eles consideram que aprenderam mais sobre hist\u00f3ria nos jogos do que nas aulas na escola. Isso \u00e9 bem poss\u00edvel, embora muito possa ser discutido sobre a liberdade criativa das adapta\u00e7\u00f5es de enredos fict\u00edcios, envolvendo personagens hist\u00f3ricas e seu poss\u00edvel distanciamento da historiografia, sendo que o mesmo ocorre com romances e filmes de fundo hist\u00f3rico ou \u00e9pico. As equipes da Ubisoft, sabidamente, sempre contaram com respeitad\u00edssimas consultarias acad\u00eamicas para a reconstru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de contextos e mundos dos t\u00edtulos de Assassin&#8217;s Creed.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">No \u00faltimo\nt\u00edtulo lan\u00e7ado em 5 de outubro de 2018, Assassin\u00b4s Creed Odyssey, produzido\npelo est\u00fadio de Quebec, no Canad\u00e1, temos a reconstru\u00e7\u00e3o criativa do contexto da\nfamosa Guerra do Peloponeso (431-404 a. C), quando ocorre uma disputa armada\nentre as cidades-estado de Esparta e Atenas pela hegemonia no mundo grego. Esse\nmundo grego \u00e9 recriado em toda sua exuber\u00e2ncia de fauna e flora, apresentando o\nmais belo mundo aberto da saga, com paisagens peninsulares de horizontes\ndeslumbrantes, e os contrastes do colorido da vegeta\u00e7\u00e3o com as areias brancas do\narquip\u00e9lago do Mar Egeu, tudo isso pontilhado pela ocupa\u00e7\u00e3o militar dos\nterrit\u00f3rios por fortes e acampamentos atenienses e espartanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Est\u00e1 presente o\ncostumeiro requinte das ricas informa\u00e7\u00f5es sobre e eventos e locais hist\u00f3ricos,\nbem como os enredos conectados \u00e0 trama principal, envolvendo os protagonistas\naos personagens hist\u00f3ricos, tais como Her\u00f3doto, P\u00e9ricles, S\u00f3crates e Hip\u00f3crates,\nentre outros. Muito embora, do ponto de vista da pretens\u00e3o de difus\u00e3o informal\nda hist\u00f3ria, Odyssey suprimiu o interessant\u00edssimo \u201ctour hist\u00f3rico\u201d dispon\u00edvel\nno t\u00edtulo \u201cOrigins\u201d, que apresentou uma esp\u00e9cie de document\u00e1rio animado\nabordando didaticamente diversos aspectos pol\u00edticos, econ\u00f4micos, sociais e\nculturais do Egito Antigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Por outro lado,\nOdyssey introduz na saga dois elementos ensaiados em t\u00edtulos anteriores e presentes\nem outros jogos da Ubisoft ou produzidos por outros est\u00fadios, quais sejam: a\nquest\u00e3o de g\u00eanero e a homoafetividade. Trata-se de verdadeiros avan\u00e7os no que\ntoca as quest\u00f5es de visibilidade da diversidade indenit\u00e1ria nos jogos digitais;\nreconhecendo os games como inst\u00e2ncias de representa\u00e7\u00e3o do mundo social t\u00e3o\nimportantes quanto a literatura, o cinema e a televis\u00e3o. Para al\u00e9m, confirma a\nresponsabilidade social da Ubisoft diante da consci\u00eancia de que os jogos\npromovem uma educa\u00e7\u00e3o informal de jovens e adultos, o que n\u00e3o significa que o\nteor educativo deva ser o interesse preponderante nesse tipo de produto\ncultural. Afinal, os jogos devem ser acima de tudo, divertidos! <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quest\u00f5es de g\u00eanero e a cultura contempor\u00e2nea<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Quando se discute as <strong>quest\u00f5es de g\u00eanero<\/strong>, estamos tratando de\num tema muito debatido no campo das Ci\u00eancias Humanas e Sociais. De forma\nsimples, podemos afirmar que o conceito de g\u00eanero se refere \u00e0s <strong>representa\u00e7\u00f5es discursivas constru\u00eddas socialmente<\/strong>\na cerca daquilo que \u00e9 considerado f<strong>eminino<\/strong>\ne <strong>masculino<\/strong>, dito de outra forma,\ng\u00eanero se refere ao conjunto de ideias com for\u00e7a de prescrever <strong>performances de masculinidade e\nfeminilidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\"><strong>IMPORTANTE: G\u00eanero masculino e feminino n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com os\nconceitos biol\u00f3gicos de macho e f\u00eamea. N\u00e3o h\u00e1 nas constru\u00e7\u00f5es discursivas de\ng\u00eanero nenhuma determina\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, mas sim, determina\u00e7\u00f5es puramente\nculturais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Importante ainda salientar que as\nquest\u00f5es de g\u00eanero s\u00e3o hoje alvos de disputas pol\u00edticas entre setores\nprogressistas e reacion\u00e1rios da sociedade. No Brasil, grupos reacion\u00e1rios\ncriaram forte campanha de desinforma\u00e7\u00e3o nas redes sociais, disseminando a\nexpress\u00e3o \u201cideologia de g\u00eanero\u201d, como forma de negar a <strong>cr\u00edtica das hierarquias sociais que envolvem as quest\u00f5es de g\u00eanero<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Essa express\u00e3o \u201cideologia de\ng\u00eanero\u201d inexiste na literatura especializada e n\u00e3o \u00e9 recepcionada pelos\npesquisadores da \u00e1rea, serve t\u00e3o somente aos interesses de pessoas\nmal-intencionadas em manipular a opini\u00e3o de segmentos sociais em sua maioria\ncompostos por analfabetos pol\u00edticos e analfabetos funcionais, acusando que a\npresen\u00e7a das quest\u00f5es de g\u00eanero nos curr\u00edculos escolares teria a pretens\u00e3o de\ntransformar as crian\u00e7as em gays, o que \u00e9, na verdade, uma grande fal\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">O que \u00e9 relevante frisar com\nrela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder e\nhierarquia que se estabelecem na concep\u00e7\u00e3o relacional entre o masculino e o\nfeminino. As ideias que querem definir a feminilidade foram historicamente\nconstru\u00eddas como pares antit\u00e9ticos das ideias que buscam definir a\nmasculinidade. Isto \u00e9, se a virilidade define o masculino, em contr\u00e1rio, a\npassividade seria caracter\u00edstica feminina. Se o espa\u00e7o masculino \u00e9 o espa\u00e7o\np\u00fablico (pr\u00e1tica da cidadania e do trabalho), o espa\u00e7o feminino por excel\u00eancia\nseria o espa\u00e7o privado (lugar de mulher \u00e9 em casa, na cozinha, cuidando dos\nfilhos). Se a intelig\u00eancia e racionalidade \u00e9 atributo masculino, a emo\u00e7\u00e3o e o\nsentimentalismo seria atributo feminino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">O problema identificado desde\nmeados do s\u00e9culo XIX e que est\u00e1 na base do feminismo, j\u00e1 subjacente ao movimento\nsufragista no Ocidente, foi a den\u00fancia de que essas no\u00e7\u00f5es constru\u00eddas\nsocialmente serviram para legitimar e <strong>naturalizar\numa superioridade masculina, <\/strong>ou seja, fazendo crer, de forma enganadora,\nque homens s\u00e3o biologicamente superiores \u00e0s mulheres, e, portanto, seria <strong>natural<\/strong> que homens detenham privil\u00e9gios\nperante \u00e0s mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">N\u00e3o obstante todo o\ndesenvolvimento do feminismo ao longo do s\u00e9culo XX, ainda est\u00e1 presente na\nsociedade contempor\u00e2nea resqu\u00edcios dessa mentalidade machista e patriarcal que\nquer prescrever como homens e mulheres devem se comportar, limitando os\nhorizontes de destinos poss\u00edveis e formas de ser e estar no mundo. Sabemos que\ndesigualdades sociais ainda persistem, tais como as diferen\u00e7as salariais entre\nhomens e mulheres que ocupam os mesmos postos e cargos nas hierarquias\nempresariais. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Existe uma rela\u00e7\u00e3o de sintonia,\ninspira\u00e7\u00e3o, uso de repert\u00f3rios de refer\u00eancias, entre o mundo concreto e o mundo\nrepresentado em todas as formas de linguagens art\u00edsticas: a literatura, a\nm\u00fasica, o teatro, o cinema, a televis\u00e3o e tamb\u00e9m os jogos digitais. Nada mais\ncompreens\u00edvel e at\u00e9 esperado que os jogos digitais recepcionem a cultura das\nsociedades nas quais os artistas e desenvolvedores de jogos e os jogadores\nest\u00e3o inseridos; concep\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e pol\u00edticas s\u00e3o inerentes a todo olhar\nsobre mundo representado, sendo a suposta posi\u00e7\u00e3o de \u201cneutralidade\u201d uma no\u00e7\u00e3o\nabstrata e definitivamente imposs\u00edvel, inexistente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Jogando com mulheres empoderadas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Na \u00f3tica da educa\u00e7\u00e3o informal, a\ncultura ocidental sempre privilegiou a representa\u00e7\u00e3o da figura masculina como\nfiguras viris e de for\u00e7a, isto fez com que nos jogos digitais, as personagens protagonistas\nmajoritariamente fossem tamb\u00e9m masculinas, mesmo porque, a pr\u00e1tica social de\njogar tamb\u00e9m foi historicamente mais voltada ao p\u00fablico masculino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Aos poucos, essa tradi\u00e7\u00e3o tem sido quebrada. N\u00e3o s\u00f3 os jogos come\u00e7am a diversificar suas refer\u00eancias de g\u00eanero, buscando atrair um p\u00fablico feminino, como tamb\u00e9m as representa\u00e7\u00f5es do feminino t\u00eam se sintonizado com os tempos esclarecidos, representando figuras femininas dotadas de atributos antes considerados exclusivamente masculinos, tais como for\u00e7a, coragem, virilidade, hero\u00edsmo, etc. Lembremos aqui da mais famosa franquia que tem como protagonista Lara Croft, popularizada no cinema por Angelina Jolie. Embora o protagonista de The Witcher 3 seja Gerald de R\u00edvia, \u00e9 ineg\u00e1vel o empoderamento e destaque das figuras femininas como Ciri, Yennifer de Vengerberg, Triss Merigold, Felippa Eihart, Keira Mertz, Shani e Anna Henrieta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/lara-croft.jpg?fit=789%2C444&amp;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-18139\" srcset=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/lara-croft.jpg 1280w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/lara-croft-300x169.jpg 300w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/lara-croft-768x432.jpg 768w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/lara-croft-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption> <strong>Lara Croft em Shadow of the Tomb Raider<\/strong>   <br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Muitos jogos t\u00eam apresentado a op\u00e7\u00e3o de escolha de g\u00eanero na montagem de personagens customiz\u00e1veis, assim como se escolhe as classes com diferentes tipos de armas e estilos de combate e vantagens, lembramos aqui da franquia Dragon Age ou da franquia Fallout, entre tantos outros que poder\u00edamos mencionar. Outros jogos t\u00eam criado enredos onde existe a op\u00e7\u00e3o de g\u00eanero na escolha entre um casal de protagonistas irm\u00e3os, sendo essa escolha indiferente para o desenvolvimento da narrativa, por serem as personagens masculina e feminina intercambi\u00e1veis entre si; \u00e9 o caso em partes de Assassin\u2019s Creed Syndicate, Mass Effect Andromeda e agora, Assassin\u2019s Creed Odyssey, uma vez que \u00e9 poss\u00edvel a escolha entre jogar com Alexios ou com Kassandra o jogo todo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/kassandra-alexios.jpg?fit=789%2C444&amp;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-18142\" srcset=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/kassandra-alexios.jpg 1280w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/kassandra-alexios-300x169.jpg 300w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/kassandra-alexios-768x432.jpg 768w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/kassandra-alexios-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption> <strong>Kassandra e Alexios \u2013 AC Odyssey<\/strong> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Diversidade de orienta\u00e7\u00f5es afetivas nos jogos digitais<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">N\u00e3o s\u00f3 as demandas de\ndesconstru\u00e7\u00e3o da cultura machista e patriarcal t\u00eam sido recepcionadas nas\nrepresenta\u00e7\u00f5es dos jogos digitais, como tamb\u00e9m a necess\u00e1ria desconstru\u00e7\u00e3o da\nheteronormatividade. Bastante desenvolvida na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, a\nantropologia cultural tem criticado desde a segunda metade do s\u00e9culo XX a\nmanuten\u00e7\u00e3o da imposi\u00e7\u00e3o da heteroafetividade como norma naturalizada. Todos\nsabemos dos danos em termos de viol\u00eancia f\u00edsica e simb\u00f3lica causados por\nconcep\u00e7\u00f5es homof\u00f3bicas disseminadas, seja por uma cultura religiosa que se vale\nda classifica\u00e7\u00e3o de comportamentos pecaminosos, ou por um anacronismo\npseudocient\u00edfico oriundo do s\u00e9culo XIX, respons\u00e1vel por patologizar a\nhomoafetividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">A Ubisoft somou-se nesse esfor\u00e7o\nde forma bastante historicamente coerente em Assassin\u00b4s Creed Odyssey, digo\nisso porque os especialistas em hist\u00f3ria grega reconhecem que a homoafetividade\nera muito comum na cultura grega antiga. Assim como na saga Dragon Age e em\nMass Effect, Assassin\u2019s Creed Odyssey possibilita enlaces afetivos do\nprotagonista masculino e feminino com NPC\u00b4s masculinos e ou femininos,\nfavorecendo uma cultura que valorize a diversidade de orienta\u00e7\u00f5es afetivas\npresentes na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-very-dark-gray-color\">Parabenizamos a Ubisoft por essa iniciativa e esperamos que essas tend\u00eancias permane\u00e7am e se consolidem nos jogos digitais, e que refluxos no combate a todos os tipos de opress\u00e3o e hierarquiza\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00f5es afetivas seja algo epis\u00f3dico e passageiro, como no momento presente do contexto brasileiro. Vale lembrar que se soma a essa tend\u00eancia o esperado The Last of Us 2, que ser\u00e1 protagonizado por Ellie, mulher e homoafetiva. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ellie.jpg?fit=789%2C444&amp;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-18144\" srcset=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ellie.jpg 1280w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ellie-300x169.jpg 300w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ellie-768x432.jpg 768w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ellie-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption><strong>Ellie em The Last o Us 2<\/strong> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr>\n\n\n\n<p><em><strong>Se voc\u00ea gostou deste artigo, n\u00e3o deixe de participar atrav\u00e9s de sugest\u00f5es, cr\u00edticas e\/ou d\u00favidas. 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No \u00faltimo t\u00edtulo lan\u00e7ado em 5 de outubro de 2018, Assassin\u00b4s Creed Odyssey, produzido pelo est\u00fadio de Quebec, no Canad\u00e1, temos a reconstru\u00e7\u00e3o criativa do contexto da famosa Guerra do Peloponeso (431-404 a. C), quando ocorre uma disputa armada entre as cidades-estado de Esparta e Atenas pela hegemonia no mundo grego. Esse mundo grego \u00e9 recriado em toda sua exuber\u00e2ncia de fauna e flora, apresentando o mais belo mundo aberto da saga, com paisagens peninsulares de horizontes deslumbrantes, e os contrastes do colorido da vegeta\u00e7\u00e3o com as areias brancas do arquip\u00e9lago do Mar Egeu, tudo isso pontilhado pela ocupa\u00e7\u00e3o militar dos territ\u00f3rios por fortes e acampamentos atenienses e espartanos. Est\u00e1 presente o costumeiro requinte das ricas informa\u00e7\u00f5es sobre e eventos e locais hist\u00f3ricos, bem como os enredos conectados \u00e0 trama principal, envolvendo os protagonistas aos personagens hist\u00f3ricos, tais como Her\u00f3doto, P\u00e9ricles, S\u00f3crates e Hip\u00f3crates, entre outros. Muito embora, do ponto de vista da pretens\u00e3o de difus\u00e3o informal da hist\u00f3ria, Odyssey suprimiu o interessant\u00edssimo \u201ctour hist\u00f3rico\u201d dispon\u00edvel no t\u00edtulo \u201cOrigins\u201d, que apresentou uma esp\u00e9cie de document\u00e1rio animado abordando didaticamente diversos aspectos pol\u00edticos, econ\u00f4micos, sociais e culturais do Egito Antigo. Por outro lado, Odyssey introduz na saga dois elementos ensaiados em t\u00edtulos anteriores e presentes em outros jogos da Ubisoft ou produzidos por outros est\u00fadios, quais sejam: a quest\u00e3o de g\u00eanero e a homoafetividade. Trata-se de verdadeiros avan\u00e7os no que toca as quest\u00f5es de visibilidade da diversidade indenit\u00e1ria nos jogos digitais; reconhecendo os games como inst\u00e2ncias de representa\u00e7\u00e3o do mundo social t\u00e3o importantes quanto a literatura, o cinema e a televis\u00e3o. Para al\u00e9m, confirma a responsabilidade social da Ubisoft diante da consci\u00eancia de que os jogos promovem uma educa\u00e7\u00e3o informal de jovens e adultos, o que n\u00e3o significa que o teor educativo deva ser o interesse preponderante nesse tipo de produto cultural. Afinal, os jogos devem ser acima de tudo, divertidos! Quest\u00f5es de g\u00eanero e a cultura contempor\u00e2nea Quando se discute as quest\u00f5es de g\u00eanero, estamos tratando de um tema muito debatido no campo das Ci\u00eancias Humanas e Sociais. De forma simples, podemos afirmar que o conceito de g\u00eanero se refere \u00e0s representa\u00e7\u00f5es discursivas constru\u00eddas socialmente a cerca daquilo que \u00e9 considerado feminino e masculino, dito de outra forma, g\u00eanero se refere ao conjunto de ideias com for\u00e7a de prescrever performances de masculinidade e feminilidade. IMPORTANTE: G\u00eanero masculino e feminino n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com os conceitos biol\u00f3gicos de macho e f\u00eamea. N\u00e3o h\u00e1 nas constru\u00e7\u00f5es discursivas de g\u00eanero nenhuma determina\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, mas sim, determina\u00e7\u00f5es puramente culturais. Importante ainda salientar que as quest\u00f5es de g\u00eanero s\u00e3o hoje alvos de disputas pol\u00edticas entre setores progressistas e reacion\u00e1rios da sociedade. No Brasil, grupos reacion\u00e1rios criaram forte campanha de desinforma\u00e7\u00e3o nas redes sociais, disseminando a express\u00e3o \u201cideologia de g\u00eanero\u201d, como forma de negar a cr\u00edtica das hierarquias sociais que envolvem as quest\u00f5es de g\u00eanero. Essa express\u00e3o \u201cideologia de g\u00eanero\u201d inexiste na literatura especializada e n\u00e3o \u00e9 recepcionada pelos pesquisadores da \u00e1rea, serve t\u00e3o somente aos interesses de pessoas mal-intencionadas em manipular a opini\u00e3o de segmentos sociais em sua maioria compostos por analfabetos pol\u00edticos e analfabetos funcionais, acusando que a presen\u00e7a das quest\u00f5es de g\u00eanero nos curr\u00edculos escolares teria a pretens\u00e3o de transformar as crian\u00e7as em gays, o que \u00e9, na verdade, uma grande fal\u00e1cia. O que \u00e9 relevante frisar com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder e hierarquia que se estabelecem na concep\u00e7\u00e3o relacional entre o masculino e o feminino. As ideias que querem definir a feminilidade foram historicamente constru\u00eddas como pares antit\u00e9ticos das ideias que buscam definir a masculinidade. Isto \u00e9, se a virilidade define o masculino, em contr\u00e1rio, a passividade seria caracter\u00edstica feminina. Se o espa\u00e7o masculino \u00e9 o espa\u00e7o p\u00fablico (pr\u00e1tica da cidadania e do trabalho), o espa\u00e7o feminino por excel\u00eancia seria o espa\u00e7o privado (lugar de mulher \u00e9 em casa, na cozinha, cuidando dos filhos). Se a intelig\u00eancia e racionalidade \u00e9 atributo masculino, a emo\u00e7\u00e3o e o sentimentalismo seria atributo feminino. O problema identificado desde meados do s\u00e9culo XIX e que est\u00e1 na base do feminismo, j\u00e1 subjacente ao movimento sufragista no Ocidente, foi a den\u00fancia de que essas no\u00e7\u00f5es constru\u00eddas socialmente serviram para legitimar e naturalizar uma superioridade masculina, ou seja, fazendo crer, de forma enganadora, que homens s\u00e3o biologicamente superiores \u00e0s mulheres, e, portanto, seria natural que homens detenham privil\u00e9gios perante \u00e0s mulheres. N\u00e3o obstante todo o desenvolvimento do feminismo ao longo do s\u00e9culo XX, ainda est\u00e1 presente na sociedade contempor\u00e2nea resqu\u00edcios dessa mentalidade machista e patriarcal que quer prescrever como homens e mulheres devem se comportar, limitando os horizontes de destinos poss\u00edveis e formas de ser e estar no mundo. Sabemos que desigualdades sociais ainda persistem, tais como as diferen\u00e7as salariais entre homens e mulheres que ocupam os mesmos postos e cargos nas hierarquias empresariais. Existe uma rela\u00e7\u00e3o de sintonia, inspira\u00e7\u00e3o, uso de repert\u00f3rios de refer\u00eancias, entre o mundo concreto e o mundo representado em todas as formas de linguagens art\u00edsticas: a literatura, a m\u00fasica, o teatro, o cinema, a televis\u00e3o e tamb\u00e9m os jogos digitais. Nada mais compreens\u00edvel e at\u00e9 esperado que os jogos digitais recepcionem a cultura das sociedades nas quais os artistas e desenvolvedores de jogos e os jogadores est\u00e3o inseridos; concep\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e pol\u00edticas s\u00e3o inerentes a todo olhar sobre mundo representado, sendo a suposta posi\u00e7\u00e3o de \u201cneutralidade\u201d uma no\u00e7\u00e3o abstrata e definitivamente imposs\u00edvel, inexistente. Jogando com mulheres empoderadas Na \u00f3tica da educa\u00e7\u00e3o informal, a cultura ocidental sempre privilegiou a representa\u00e7\u00e3o da figura masculina como figuras viris<\/p>\n","protected":false},"author":60,"featured_media":18146,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[16,44,1],"tags":[101,2068,23,53,1082,2067,1756],"class_list":["post-18138","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao-steam","category-games","category-todascategorias","tag-assassins-creed","tag-diversidade","tag-ensino","tag-games","tag-opiniao","tag-unisoft","tag-valorizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/60"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18138\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}