{"id":13957,"date":"2018-04-10T12:30:29","date_gmt":"2018-04-10T15:30:29","guid":{"rendered":"http:\/\/universonerd.net\/portal\/?p=13957"},"modified":"2018-04-10T12:27:49","modified_gmt":"2018-04-10T15:27:49","slug":"saiba-o-que-sao-auroras-e-stevies","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/saiba-o-que-sao-auroras-e-stevies\/","title":{"rendered":"Saiba O Que S\u00e3o Auroras E Stevies"},"content":{"rendered":"<p>As <strong>auroras boreais<\/strong> e <strong>austrais<\/strong> s\u00e3o bem conhecidas e admiradas pela humanidade h\u00e1 muito tempo. Mas voc\u00ea sabe como este famoso fen\u00f4meno f\u00edsico ocorre? E melhor&#8230; conhece um tipo de aurora chamada de &#8220;<strong>Steve<\/strong>&#8220;?<\/p>\n<h3>As auroras boreais e austrais<\/h3>\n<p>Este breve artigo do tema curiosidade ir\u00e1 deixar voc\u00ea bem informado sobre as auroras, que s\u00e3o fen\u00f4menos f\u00edsicos que podem ser observados no c\u00e9u noturno, normalmente nos per\u00edodos de <strong>mar\u00e7o<\/strong> a <strong>abril<\/strong> e tamb\u00e9m de <strong>setembro<\/strong> a <strong>outubro<\/strong>. O grande espet\u00e1culo de luz ocorre quando os el\u00e9trons oriundos dos ventos solares chegam aos polos magn\u00e9ticos norte e sul, interagindo com os gases da atmosfera terrestre.<\/p>\n<p>A <strong>aurora boreal<\/strong> (ou luzes do norte), ocorre predominantemente nas regi\u00f5es polares do norte e possui a forma de um arco homog\u00eaneo no horizonte, com bandas irregulares para tomar a forma de uma \u201ccortina\u201d e semelhantes \u00e0s nuvens (ver imagem abaixo). A <strong>aurora austral<\/strong> (ou luzes do sul) tamb\u00e9m conhecida como aurora polar ocorre da mesma maneira que a aurora boreal, mas nas regi\u00f5es polares do sul.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/aurora-austral-boreal.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-13962\" src=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/aurora-austral-boreal.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/aurora-austral-boreal.jpg 1280w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/aurora-austral-boreal-300x169.jpg 300w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/aurora-austral-boreal-768x432.jpg 768w, https:\/\/universonerd.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/aurora-austral-boreal-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>E uma aurora conhecida como Stevie<\/h3>\n<p>As auroras possuem um parente bem menos conhecido, que vem sendo chamado de Steve (ver capa deste artigo), desde que foi descoberto em 2016 por observadores e astr\u00f4nomos amadores de um programa do tipo <strong>Ci\u00eancia Cidad\u00e3 <\/strong>(ou miss\u00e3o <strong>Swarm<\/strong>). Trata-se de uma estranha &#8220;fita cintilante&#8221; de luz levemente p\u00farpura no c\u00e9u noturno que aparece nas mesmas condi\u00e7\u00f5es em que as belas auroras s\u00e3o vis\u00edveis.<\/p>\n<p>Agora, gra\u00e7as \u00e0 miss\u00e3o Swarm, da <strong>Ag\u00eancia Espacial Europeia<\/strong> (<strong>ESA<\/strong>) e de observat\u00f3rios espaciais que estudam o campo magn\u00e9tico da Terra, descobrimos um pouco sobre as\u00a0 caracter\u00edstica desta aurora em particular.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>E, apesar de ter sido batizado com um nome um tanto comum no exterior, Steve \u00e9 complicado!<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<h4>O Transporte de part\u00edculas na atmosfera<\/h4>\n<p>As auroras formam-se quando o campo magn\u00e9tico terrestre orienta energia e part\u00edculas at\u00f4micas no vento solar em torno da Terra e em dire\u00e7\u00e3o aos polos norte e sul. Quando essas part\u00edculas colidem com mol\u00e9culas na atmosfera, as conhecidas ondas de luz luminosas da aurora boreal e austral aparecem no c\u00e9u noturno.<\/p>\n<p>Contudo, a equipe internacional, liderada por <strong>Elizabeth MacDonald<\/strong>, f\u00edsica espacial da NASA, demonstra que, embora o fen\u00f4meno Steve possa aparecer ao mesmo tempo que uma aurora, \u00e9 muito diferente. As auroras s\u00e3o geralmente verdes, mas podem ser tamb\u00e9m levemente azuis e vermelhas, podendo durar horas.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>A aurora Steve \u00e9 uma fita p\u00farpura e permanece no c\u00e9u durante um tempo relativamente curto.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>As medi\u00e7\u00f5es dos observat\u00f3rios Swarm mostram que um Steve compreende um fluxo r\u00e1pido de part\u00edculas at\u00f4micas quentes, denominado tecnicamente como\u00a0 uma &#8220;deriva de \u00edons sub-auroral&#8221;. Curiosamente, essa deriva era conhecida h\u00e1 d\u00e9cadas, mas os cientistas desconheciam que gerava um efeito visual.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno \u00e9 criado pelo mesmo processo geral que uma aurora padr\u00e3o, mas viaja ao longo de diferentes linhas do campo magn\u00e9tico terrestre e portanto, pode aparecer em latitudes muito mais baixas, onde o alinhamento dos campos el\u00e9tricos e magn\u00e9ticos globais fazem com que \u00edons e el\u00e9trons fluam rapidamente na dire\u00e7\u00e3o leste-oeste, aquecendo-os no processo. Elizabeth destaca que:<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Steve pode ajudar-nos a entender como os processos qu\u00edmicos e f\u00edsicos na nossa atmosfera superior podem, \u00e0s vezes, ter efeitos vis\u00edveis locais nas partes mais baixas da atmosfera. Isto fornece uma boa vis\u00e3o sobre como o sistema da Terra funciona como um todo.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<h4>Mas por que o nome \u00e9 Steve?<\/h4>\n<p>Quanto ao nome Steve, foi definido pelos cientistas cidad\u00e3os que o descobriram. Mas, como os cientistas acad\u00eamicos n\u00e3o gostam de ficar de fora, deram um jeito de transformar o nome em um acr\u00f4nimo: &#8220;<strong>Strong Thermal Emission Velocity Enhancement<\/strong>&#8221; ou &#8220;Refor\u00e7o da Velocidade de Emiss\u00e3o T\u00e9rmica Forte&#8221;.<\/p>\n<p>Embora o fen\u00f4meno f\u00edsico Steve esteja sendo estudado por alguns dos melhores cientistas no campo do clima espacial, continua a ser um excelente exemplo de ci\u00eancia cidad\u00e3, sem a qual o fen\u00f4meno poderia ter passado despercebido. A miss\u00e3o Swarm ajudou e ainda ajuda, novamente, a aprofundar o nosso conhecimento de como o Sol e a Terra est\u00e3o relacionados. Gostou do assunto, caro leitor?<\/p>\n<p>Fique \u00e0 vontade para sugerir temas curiosos dos universos <em>nerd<\/em>, <em>geek<\/em> e <em>gamer<\/em> ou de ci\u00eancia e tecnologia.<\/p>\n<p><b>_________________________________________________<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Bibliografia<\/strong>: New science in plain sight: Citizen scientists lead to the discovery of optical structure in the upper atmosphere. Elizabeth A. MacDonald, Eric Donovan3, Yukitoshi Nishimura, Nathan A. Case, D. Megan Gillies, Bea Gallardo-Lacourt, William E. Archer, Emma L. Spanswick, Notanee Bourassa, Martin Connors, Matthew Heavner, Brian Jackel, Burcu Kosar, David J. Knudsen, Chris Ratzlaff, Ian Schofield. Science Advances, Vol.: 4, No. 3, 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>DOI<\/strong>:\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/4\/3\/eaaq0030.full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 10pt;\">10.1126\/sciadv.aaq0030<\/span><\/a><\/p>\n<p><i><b>Se voc\u00ea gostou deste post, n\u00e3o deixe de participar atrav\u00e9s de sugest\u00f5es, cr\u00edticas e\/ou d\u00favidas. <\/b><\/i><i><b>Aproveitem para assinar o Blog, curtir a <\/b><\/i><i><b><a href=\"http:\/\/facebook.com\/universonerd.net\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">P\u00e1gina no Facebook<\/a><\/b><\/i><i><b>, interagir no <\/b><\/i><i><b><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/1285723958213451\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Grupo do Facebook<\/a><\/b><\/i><i><b>, al\u00e9m de acompanhar publica\u00e7\u00f5es e ficar por dentro do Projeto Universo NERD, de sorteios, concursos e demais promo\u00e7\u00f5es.<\/b><\/i><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">&lt; x &gt;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As auroras boreais e austrais s\u00e3o bem conhecidas e admiradas pela humanidade h\u00e1 muito tempo. 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A aurora austral (ou luzes do sul) tamb\u00e9m conhecida como aurora polar ocorre da mesma maneira que a aurora boreal, mas nas regi\u00f5es polares do sul. E uma aurora conhecida como Stevie As auroras possuem um parente bem menos conhecido, que vem sendo chamado de Steve (ver capa deste artigo), desde que foi descoberto em 2016 por observadores e astr\u00f4nomos amadores de um programa do tipo Ci\u00eancia Cidad\u00e3 (ou miss\u00e3o Swarm). Trata-se de uma estranha &#8220;fita cintilante&#8221; de luz levemente p\u00farpura no c\u00e9u noturno que aparece nas mesmas condi\u00e7\u00f5es em que as belas auroras s\u00e3o vis\u00edveis. Agora, gra\u00e7as \u00e0 miss\u00e3o Swarm, da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA) e de observat\u00f3rios espaciais que estudam o campo magn\u00e9tico da Terra, descobrimos um pouco sobre as\u00a0 caracter\u00edstica desta aurora em particular. E, apesar de ter sido batizado com um nome um tanto comum no exterior, Steve \u00e9 complicado! O Transporte de part\u00edculas na atmosfera As auroras formam-se quando o campo magn\u00e9tico terrestre orienta energia e part\u00edculas at\u00f4micas no vento solar em torno da Terra e em dire\u00e7\u00e3o aos polos norte e sul. Quando essas part\u00edculas colidem com mol\u00e9culas na atmosfera, as conhecidas ondas de luz luminosas da aurora boreal e austral aparecem no c\u00e9u noturno. Contudo, a equipe internacional, liderada por Elizabeth MacDonald, f\u00edsica espacial da NASA, demonstra que, embora o fen\u00f4meno Steve possa aparecer ao mesmo tempo que uma aurora, \u00e9 muito diferente. As auroras s\u00e3o geralmente verdes, mas podem ser tamb\u00e9m levemente azuis e vermelhas, podendo durar horas. A aurora Steve \u00e9 uma fita p\u00farpura e permanece no c\u00e9u durante um tempo relativamente curto. As medi\u00e7\u00f5es dos observat\u00f3rios Swarm mostram que um Steve compreende um fluxo r\u00e1pido de part\u00edculas at\u00f4micas quentes, denominado tecnicamente como\u00a0 uma &#8220;deriva de \u00edons sub-auroral&#8221;. Curiosamente, essa deriva era conhecida h\u00e1 d\u00e9cadas, mas os cientistas desconheciam que gerava um efeito visual. O fen\u00f4meno \u00e9 criado pelo mesmo processo geral que uma aurora padr\u00e3o, mas viaja ao longo de diferentes linhas do campo magn\u00e9tico terrestre e portanto, pode aparecer em latitudes muito mais baixas, onde o alinhamento dos campos el\u00e9tricos e magn\u00e9ticos globais fazem com que \u00edons e el\u00e9trons fluam rapidamente na dire\u00e7\u00e3o leste-oeste, aquecendo-os no processo. Elizabeth destaca que: Steve pode ajudar-nos a entender como os processos qu\u00edmicos e f\u00edsicos na nossa atmosfera superior podem, \u00e0s vezes, ter efeitos vis\u00edveis locais nas partes mais baixas da atmosfera. Isto fornece uma boa vis\u00e3o sobre como o sistema da Terra funciona como um todo. Mas por que o nome \u00e9 Steve? Quanto ao nome Steve, foi definido pelos cientistas cidad\u00e3os que o descobriram. Mas, como os cientistas acad\u00eamicos n\u00e3o gostam de ficar de fora, deram um jeito de transformar o nome em um acr\u00f4nimo: &#8220;Strong Thermal Emission Velocity Enhancement&#8221; ou &#8220;Refor\u00e7o da Velocidade de Emiss\u00e3o T\u00e9rmica Forte&#8221;. Embora o fen\u00f4meno f\u00edsico Steve esteja sendo estudado por alguns dos melhores cientistas no campo do clima espacial, continua a ser um excelente exemplo de ci\u00eancia cidad\u00e3, sem a qual o fen\u00f4meno poderia ter passado despercebido. A miss\u00e3o Swarm ajudou e ainda ajuda, novamente, a aprofundar o nosso conhecimento de como o Sol e a Terra est\u00e3o relacionados. Gostou do assunto, caro leitor? Fique \u00e0 vontade para sugerir temas curiosos dos universos nerd, geek e gamer ou de ci\u00eancia e tecnologia. _________________________________________________ Bibliografia: New science in plain sight: Citizen scientists lead to the discovery of optical structure in the upper atmosphere. Elizabeth A. MacDonald, Eric Donovan3, Yukitoshi Nishimura, Nathan A. Case, D. Megan Gillies, Bea Gallardo-Lacourt, William E. Archer, Emma L. Spanswick, Notanee Bourassa, Martin Connors, Matthew Heavner, Brian Jackel, Burcu Kosar, David J. Knudsen, Chris Ratzlaff, Ian Schofield. Science Advances, Vol.: 4, No. 3, 2018. DOI:\u00a010.1126\/sciadv.aaq0030 Se voc\u00ea gostou deste post, n\u00e3o deixe de participar atrav\u00e9s de sugest\u00f5es, cr\u00edticas e\/ou d\u00favidas. 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