{"id":13924,"date":"2018-04-11T10:00:11","date_gmt":"2018-04-11T13:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/universonerd.net\/portal\/?p=13924"},"modified":"2018-04-11T09:45:26","modified_gmt":"2018-04-11T12:45:26","slug":"o-mecanismo-das-redes-sociais-e-a-politica-algumas-questoes-para-reflexao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/universonerd.net\/portal\/o-mecanismo-das-redes-sociais-e-a-politica-algumas-questoes-para-reflexao\/","title":{"rendered":"O Mecanismo Das Redes Sociais E A Pol\u00edtica: Algumas Quest\u00f5es Para Reflex\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que analisar a <strong><em>internet<\/em><\/strong> tem sido um grande desafio, isto ocorre em fun\u00e7\u00e3o de sua ambiguidade e complexidade, mas tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o de que ela pr\u00f3pria tem se transformado muito rapidamente, dificultando o reconhecimento de caracter\u00edsticas gerais. Hoje, o impacto da <em>internet<\/em> \u00e9 objeto de pesquisa e teoriza\u00e7\u00e3o nos mais diversos campos acad\u00eamicos das ci\u00eancias humanas e sociais. Pensar que a <em>internet<\/em> comporta entender desde o desenvolvimento de seu potencial econ\u00f4mico, como uma rede dinamizadora do com\u00e9rcio, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos e privados, at\u00e9 o estudo das rela\u00e7\u00f5es sociais nas <strong>redes sociais<\/strong>.<\/p>\n<h3>Redes sociais e a pol\u00edtica<\/h3>\n<p>Um recorte importante de estudo \u00e9 o impacto das redes sociais no mundo das <strong>pr\u00e1ticas de cidadania<\/strong> e da <strong>pol\u00edtica<\/strong> nas sociedades contempor\u00e2neas. Um dos t\u00f3picos muito discutido \u00e9 a quest\u00e3o da supremacia do jornalismo virtual diante do tradicional jornalismo impresso. Outra quest\u00e3o muito relevante \u00e9 a velocidade com a qual as not\u00edcias se disseminam, praticamente, de forma simult\u00e2nea aos acontecimentos. H\u00e1 atualmente, uma sinergia inevit\u00e1vel entre os ve\u00edculos mais tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o (TV e R\u00e1dio) e a <em>internet<\/em>.<\/p>\n<p>Mais recentemente, muito tem se denunciado os perigos das \u201c<em>fake news<\/em>\u201d e os riscos de retrocessos democr\u00e1ticos, sobretudo em pa\u00eds de institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas fr\u00e1geis. Nas \u00faltimas semanas, a den\u00fancia de suposta comercializa\u00e7\u00e3o ilegal de dados de perfis de redes sociais levam ao processo na justi\u00e7a do propriet\u00e1rio do Facebook nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, pois estes dados teriam o potencial de influenciar na vit\u00f3ria eleitoral do atual presidente <strong>Donald Trump<\/strong>.<\/p>\n<p>Se por um lado, a <em>internet<\/em> e as redes sociais t\u00eam potencializado muitas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil em sua capacidade de comunica\u00e7\u00e3o mais ampla com a popula\u00e7\u00e3o, por outro, em pa\u00eds de fr\u00e1geis institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, as tradicionais estruturas do poder midi\u00e1tico t\u00eam cada vez mais \u201cvampirizado\u201d esse espa\u00e7o, impondo-se por meio de seu poder econ\u00f4mico, controlando a pauta e o vi\u00e9s do debate pol\u00edtico.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Isto \u00e9, se por um lado a internet propicia uma maior instrumentaliza\u00e7\u00e3o para as organiza\u00e7\u00f5es progressistas avan\u00e7arem na disputa da hegemonia, por outro, as elites econ\u00f4micas, desejosas da manuten\u00e7\u00e3o de seus privil\u00e9gios, logo perceberam a necessidade de ocupar esse espa\u00e7o.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Ao tomar apenas como exemplo a hist\u00f3ria pol\u00edtica recente do Brasil, poderemos observar que, nos principais momentos pol\u00edticos que temos vivenciado, a presen\u00e7a das redes sociais como inst\u00e2ncia de enfrentamento pol\u00edtico \u00e9 evidente. No per\u00edodo das chamadas \u201cJornadas de Junho de 2013\u201d, notabilizou-se a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o social pelas convoca\u00e7\u00f5es pelas redes sociais \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de rua. Outro aspecto que chamou a aten\u00e7\u00e3o naquele contexto foi a documenta\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea dos eventos, por meio de fotos e v\u00eddeos compartilhados. Os atos de agress\u00e3o por parte da pol\u00edcia militar, que n\u00e3o pouparam nem mesmo jornalistas das m\u00eddias tradicionais que faziam a cobertura nos locais, pipocavam nas redes sociais instantaneamente.<\/p>\n<p>Grupos de jornalismo independentes, como o \u201cM\u00eddia Ninja\u201d, faziam transmiss\u00f5es ao vivo no YouTube<em>,<\/em> das manifesta\u00e7\u00f5es e da viol\u00eancia do aparato repressivo do Estado. Como sabemos, as manifesta\u00e7\u00f5es que haviam iniciado em fun\u00e7\u00e3o do aumento da passagem de \u00f4nibus, por iniciativa do Movimento Passe Livre, acabaram se desvirtuando para uma cat\u00e1rtica manifesta\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica, sem um foco de reivindica\u00e7\u00e3o, marcadas pelo espontane\u00edsmo. N\u00e3o tardou para que diversas tend\u00eancias ideol\u00f3gicas de verniz conservador e reacion\u00e1rio tomassem parte do palco p\u00fablico oferecido pelos holofotes da <em>internet<\/em> e da grande m\u00eddia televisiva e extirpassem o potencial transformador daquelas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Perdeu-se, naquele momento, uma oportunidade hist\u00f3rica para que se aprofundasse o debate sobre as reformas pol\u00edticas e que estas se fizessem sob press\u00e3o e condu\u00e7\u00e3o das for\u00e7as e interesses populares.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Caminhando para o clima de polariza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es de 2014, tivemos a oportunidade de perceber que, pela primeira vez e de forma mais densa, o embate da propaganda pol\u00edtica eleitoral foi travada, sobretudo nas redes sociais. Em 2014, o tema da toxidade do ambiente virtual emergiu contundentemente, como subproduto da linguagem agressiva gerada nas ag\u00eancias de publicidade contratadas pelos grupos empresariais que financiam os partidos pol\u00edticos, respons\u00e1veis por disseminar propagandas pol\u00edticas e &#8220;<em>fake news<\/em>&#8221; nas redes.<\/p>\n<p>Evidenciou-se tamb\u00e9m, de forma reiterada, o despreparo do brasileiro para o debate pol\u00edtico, tanto do ponto de vista da maturidade emocional, quanto do ponto de vista da car\u00eancia de m\u00ednimo dom\u00ednio de conceitos b\u00e1sicos para avaliar problemas sociais e pol\u00edticas p\u00fablicas. As redes sociais foram inundadas por uma multiplicidade de excresc\u00eancias, manifesta\u00e7\u00f5es de xenofobia, homofobia, machismo, racismo, preconceitos de classe, sectarismo partid\u00e1rio e toda sorte de disposi\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas, que transformaram as redes sociais em um verdadeiro esgoto a c\u00e9u aberto. A discuss\u00e3o pol\u00edtica acalorada levava constantemente \u00e0 ofensas pessoais publicadas nos <em>posts <\/em>e coment\u00e1rios, principalmente do Facebook<em>. <\/em><\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Paralelamente, no YouTube, multiplicou-se uma s\u00e9rie de doutrinadores\/comentaristas, sem credenciais para an\u00e1lises mais acuradas do contexto pol\u00edtico vivido, produzindo a banaliza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o pol\u00edtica.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Grupos empresariais que financiam os partidos pol\u00edticos logo perceberam a necessidade de conduzir nas redes sociais as pautas dos debates e tamb\u00e9m de acionar uma estrat\u00e9gia agressiva de destrui\u00e7\u00e3o de reputa\u00e7\u00f5es por meio de \u201c<em>fake news<\/em>\u201d, estrat\u00e9gias de manipula\u00e7\u00e3o pela desinforma\u00e7\u00e3o ou simula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. Para tanto, contrataram ag\u00eancias de publicidade de segunda categoria, respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o de perfis falsos e automatizados (rob\u00f4s de redes sociais) operando a circula\u00e7\u00e3o massiva de propaganda pol\u00edtica. Grupos como \u201cRevoltados <em>on-line<\/em>\u201d, \u201cMovimento Brasil Livre (MBL), \u201cVem para Rua\u201d, financiados por grupos empresariais golpistas, tiveram atua\u00e7\u00e3o destacada nas redes sociais no processo de mobiliza\u00e7\u00e3o social que levou \u00e0s massivas manifesta\u00e7\u00f5es de rua das classes m\u00e9dias, desprovidas de instrumentos de cr\u00edtica, movimento este que operou a simula\u00e7\u00e3o do apoio \u201cpopular\u201d ao golpe jur\u00eddico-parlamentar de 2016.<\/p>\n<p>Sem a an\u00e1lise da import\u00e2ncia das redes sociais, qualquer avalia\u00e7\u00e3o do processo pol\u00edtico que culminou no golpe jur\u00eddico-parlamentar de 2016, ficar\u00e1 incompleta. Os desdobramentos s\u00e3o vivenciados ainda hoje, com a presen\u00e7a evidente das m\u00e1quinas publicit\u00e1rias de destrui\u00e7\u00e3o de reputa\u00e7\u00f5es, como ficou evidente pelas \u201c<em>fake news<\/em>\u201d espalhadas por ocasi\u00e3o do atentado pol\u00edtico, ainda n\u00e3o esclarecido, da vereadora do Rio de Janeiro, <strong>Marielle Franco,<\/strong> no contexto da interven\u00e7\u00e3o militar no Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Com o intuito de represar a como\u00e7\u00e3o social pelo assassinato da vereadora, conhecida por sua milit\u00e2ncia democr\u00e1tica, pessoas sem escr\u00fapulos disseminaram falsas not\u00edcias de que ela tinha liga\u00e7\u00f5es com traficantes e at\u00e9 teria namorado um deles.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<h3>Ent\u00e3o, vamos refletir?<\/h3>\n<p>Em suma, cada vez mais \u00e9 urgente que o brasileiro recobre uma sobriedade acerca da necessidade de manter um esp\u00edrito de vigil\u00e2ncia e cr\u00edtica nas redes sociais, que desconfie da origem e objetivos de \u201cnot\u00edcias\u201d e assuntos \u201cpol\u00eamicos\u201d que pululam na <em>internet<\/em>. Infelizmente, embora as redes sociais possam ser um espa\u00e7o important\u00edssimo para conectar as pessoas, potencializar a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e conhecimento e para o aperfei\u00e7oamento da cidadania, o que temos visto \u00e9 justamente o contr\u00e1rio, esses espa\u00e7os sendo dominados por profissionais da manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, combinados com as m\u00eddias tradicionais, capazes de fazer legitimar o golpe jur\u00eddico-parlamentar de 2016 e\u00a0 promover o desvirtuamento da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Lava-Jato\u201d.<\/p>\n<p>Aquilo que poderia funcionar com um instrumento de combate efetivo da corrup\u00e7\u00e3o no pais, a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Lava-Jato\u201d acabou se transformando numa pe\u00e7a de fic\u00e7\u00e3o. Embora os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o mais recentes demonstrem o envolvimento de praticamente todos os grandes partidos pol\u00edticos, o movimento golpista conseguiu manipular a opini\u00e3o p\u00fablica e fazer crer que apenas um dos partidos, o PT e sua lideran\u00e7a mais popular, Lula, sejam o mau a ser extirpado para que o bom e reto caminho retomemos. Embora o enredo seja grotesco e at\u00e9 ing\u00eanuo, diante do analfabetismo pol\u00edtico da classe m\u00e9dia conservadora, o enredo \u201ccola\u201d e provoca desvairados \u00f3dios ao \u201cesquerdismo\u201d, ao \u201cpetismo\u201d, aos \u201cDireitos Humanos\u201d e aos \u201ccomunistas\u201d.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Uma das figuras mais bo\u00e7ais desse processo de inflex\u00e3o conservadora e dissemina\u00e7\u00e3o exponencial da desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o deputado Jair Bolsonaro, cuja a proje\u00e7\u00e3o nacional seria impens\u00e1vel sem as redes sociais e sem a desestrutura\u00e7\u00e3o do ensino fundamental e m\u00e9dio no pa\u00eds.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>O notici\u00e1rio cotidiano fornecido pelas a\u00e7\u00f5es da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Lava-Jato\u201d, tem como uma das personagens mais notabilizadas o \u201cjuiz\u201d <strong>S\u00e9rgio Moro<\/strong> (de liga\u00e7\u00f5es umbilicais com o PSDB), cuja atua\u00e7\u00e3o, pontilhada de contradi\u00e7\u00f5es, tem foco preciso, Lula e o PT. Esse notici\u00e1rio, replicado pelos <em>boots<\/em> e pagos ou gratuitos das redes sociais, tem constru\u00eddo a narrativa fict\u00edcia do combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o no Brasil, sendo que o pr\u00f3prio Governo Federal \u00e9 hoje ocupado por um dos grupos com maior envolvimento em esquemas de corrup\u00e7\u00e3o j\u00e1 denunciados e assumiu o governo por meio do golpe jur\u00eddico-parlamentar de 2016. Configura-se, claramente, um governo \u00e0 margem da legalidade.<\/p>\n<p>Nem o Minist\u00e9rio P\u00fablico, nem o STF, nem o \u201cjuiz\u201d justiceiro da p\u00e1tria, muito menos a grande m\u00eddia, algo fazem para denunciar, enquadrar e prender os corruptos que permanecem hoje no governo. Entretanto, a \u00eanfase seletiva e constante no PT e na figura de Lula \u00e9 absolutamente evidente, caracterizando, sem d\u00favidas, um processo de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica orquestrada.<\/p>\n<p>Recentemente, a <strong>Netflix<\/strong>, a mais famosa plataforma de <em>streaming<\/em> de s\u00e9ries e filmes da <em>internet<\/em>, lan\u00e7ou uma miniss\u00e9rie com nome \u201c<a href=\"https:\/\/universonerd.net\/portal\/diversao\/cinema-series-tv\/o-mecanismo-a-polemica-e-o-boicote-a-netflix\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Mecanismo<\/a>\u201d, do diretor <strong>Jos\u00e9 Padilha<\/strong>, que refor\u00e7a ainda mais a farsa do combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o no Brasil. Talvez essa s\u00e9rie seja a primeira que se constitui como uma fic\u00e7\u00e3o baseada em fatos fict\u00edcios, ou seja, mais uma forma de manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica operada por meio da <em>internet<\/em>, contribuindo para a afirma\u00e7\u00e3o de um senso seletivo de justi\u00e7a da classe m\u00e9dia conservadora, que quer se saciar com a pris\u00e3o apenas de Lula do PT, deixando de fora de sua sede de justi\u00e7a as lideran\u00e7as de outros partidos, com envolvimento inequ\u00edvoco no que pode ser o maior esquema de corrup\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p>Mais do que nunca, temos que estar vigilantes, pois, todo regime pol\u00edtico que envereda para fora das normas constitucionais \u00e9 fr\u00e1gil, uma vez que carece de legitimidade e pode, a qualquer momento, apelar para expedientes de for\u00e7a e autoritarismo. A <em>internet<\/em> seria um dos espa\u00e7os onde as liberdades individuais poderiam ser atacadas no caso da elite brasileira resolver se lan\u00e7ar a passeios autocr\u00e1ticos, tal como \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a marcante, na<em> internet<\/em>, de seguidores de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, Nando Moura e outros, demonstrando, ainda que de forma difusa, um protofascismo posto na cena pol\u00edtica presente.<\/p>\n<p><b>_________________________________________________<\/b><\/p>\n<p><i><b>Se voc\u00ea gostou deste post, n\u00e3o deixe de participar atrav\u00e9s de sugest\u00f5es, cr\u00edticas e\/ou d\u00favidas. <\/b><\/i><i><b>Aproveitem para assinar o Blog, curtir a <\/b><\/i><i><b><a href=\"http:\/\/facebook.com\/universonerd.net\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">P\u00e1gina no Facebook<\/a><\/b><\/i><i><b>, interagir no <\/b><\/i><i><b><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/1285723958213451\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Grupo do Facebook<\/a><\/b><\/i><i><b>, al\u00e9m de acompanhar publica\u00e7\u00f5es e ficar por dentro do Projeto Universo NERD, de sorteios, concursos e demais promo\u00e7\u00f5es.<\/b><\/i><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">&lt; x &gt;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que analisar a internet tem sido um grande desafio, isto ocorre em fun\u00e7\u00e3o de sua ambiguidade e complexidade, mas tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o de que ela pr\u00f3pria tem se transformado muito rapidamente, dificultando o reconhecimento de caracter\u00edsticas gerais. Hoje, o impacto da internet \u00e9 objeto de pesquisa e teoriza\u00e7\u00e3o nos mais diversos campos acad\u00eamicos das ci\u00eancias humanas e sociais. Pensar que a internet comporta entender desde o desenvolvimento de seu potencial econ\u00f4mico, como uma rede dinamizadora do com\u00e9rcio, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos e privados, at\u00e9 o estudo das rela\u00e7\u00f5es sociais nas redes sociais. Redes sociais e a pol\u00edtica Um recorte importante de estudo \u00e9 o impacto das redes sociais no mundo das pr\u00e1ticas de cidadania e da pol\u00edtica nas sociedades contempor\u00e2neas. Um dos t\u00f3picos muito discutido \u00e9 a quest\u00e3o da supremacia do jornalismo virtual diante do tradicional jornalismo impresso. Outra quest\u00e3o muito relevante \u00e9 a velocidade com a qual as not\u00edcias se disseminam, praticamente, de forma simult\u00e2nea aos acontecimentos. H\u00e1 atualmente, uma sinergia inevit\u00e1vel entre os ve\u00edculos mais tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o (TV e R\u00e1dio) e a internet. Mais recentemente, muito tem se denunciado os perigos das \u201cfake news\u201d e os riscos de retrocessos democr\u00e1ticos, sobretudo em pa\u00eds de institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas fr\u00e1geis. Nas \u00faltimas semanas, a den\u00fancia de suposta comercializa\u00e7\u00e3o ilegal de dados de perfis de redes sociais levam ao processo na justi\u00e7a do propriet\u00e1rio do Facebook nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, pois estes dados teriam o potencial de influenciar na vit\u00f3ria eleitoral do atual presidente Donald Trump. Se por um lado, a internet e as redes sociais t\u00eam potencializado muitas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil em sua capacidade de comunica\u00e7\u00e3o mais ampla com a popula\u00e7\u00e3o, por outro, em pa\u00eds de fr\u00e1geis institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, as tradicionais estruturas do poder midi\u00e1tico t\u00eam cada vez mais \u201cvampirizado\u201d esse espa\u00e7o, impondo-se por meio de seu poder econ\u00f4mico, controlando a pauta e o vi\u00e9s do debate pol\u00edtico. Isto \u00e9, se por um lado a internet propicia uma maior instrumentaliza\u00e7\u00e3o para as organiza\u00e7\u00f5es progressistas avan\u00e7arem na disputa da hegemonia, por outro, as elites econ\u00f4micas, desejosas da manuten\u00e7\u00e3o de seus privil\u00e9gios, logo perceberam a necessidade de ocupar esse espa\u00e7o. Ao tomar apenas como exemplo a hist\u00f3ria pol\u00edtica recente do Brasil, poderemos observar que, nos principais momentos pol\u00edticos que temos vivenciado, a presen\u00e7a das redes sociais como inst\u00e2ncia de enfrentamento pol\u00edtico \u00e9 evidente. No per\u00edodo das chamadas \u201cJornadas de Junho de 2013\u201d, notabilizou-se a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o social pelas convoca\u00e7\u00f5es pelas redes sociais \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de rua. Outro aspecto que chamou a aten\u00e7\u00e3o naquele contexto foi a documenta\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea dos eventos, por meio de fotos e v\u00eddeos compartilhados. Os atos de agress\u00e3o por parte da pol\u00edcia militar, que n\u00e3o pouparam nem mesmo jornalistas das m\u00eddias tradicionais que faziam a cobertura nos locais, pipocavam nas redes sociais instantaneamente. Grupos de jornalismo independentes, como o \u201cM\u00eddia Ninja\u201d, faziam transmiss\u00f5es ao vivo no YouTube, das manifesta\u00e7\u00f5es e da viol\u00eancia do aparato repressivo do Estado. Como sabemos, as manifesta\u00e7\u00f5es que haviam iniciado em fun\u00e7\u00e3o do aumento da passagem de \u00f4nibus, por iniciativa do Movimento Passe Livre, acabaram se desvirtuando para uma cat\u00e1rtica manifesta\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica, sem um foco de reivindica\u00e7\u00e3o, marcadas pelo espontane\u00edsmo. N\u00e3o tardou para que diversas tend\u00eancias ideol\u00f3gicas de verniz conservador e reacion\u00e1rio tomassem parte do palco p\u00fablico oferecido pelos holofotes da internet e da grande m\u00eddia televisiva e extirpassem o potencial transformador daquelas manifesta\u00e7\u00f5es. Perdeu-se, naquele momento, uma oportunidade hist\u00f3rica para que se aprofundasse o debate sobre as reformas pol\u00edticas e que estas se fizessem sob press\u00e3o e condu\u00e7\u00e3o das for\u00e7as e interesses populares. Caminhando para o clima de polariza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es de 2014, tivemos a oportunidade de perceber que, pela primeira vez e de forma mais densa, o embate da propaganda pol\u00edtica eleitoral foi travada, sobretudo nas redes sociais. Em 2014, o tema da toxidade do ambiente virtual emergiu contundentemente, como subproduto da linguagem agressiva gerada nas ag\u00eancias de publicidade contratadas pelos grupos empresariais que financiam os partidos pol\u00edticos, respons\u00e1veis por disseminar propagandas pol\u00edticas e &#8220;fake news&#8221; nas redes. Evidenciou-se tamb\u00e9m, de forma reiterada, o despreparo do brasileiro para o debate pol\u00edtico, tanto do ponto de vista da maturidade emocional, quanto do ponto de vista da car\u00eancia de m\u00ednimo dom\u00ednio de conceitos b\u00e1sicos para avaliar problemas sociais e pol\u00edticas p\u00fablicas. As redes sociais foram inundadas por uma multiplicidade de excresc\u00eancias, manifesta\u00e7\u00f5es de xenofobia, homofobia, machismo, racismo, preconceitos de classe, sectarismo partid\u00e1rio e toda sorte de disposi\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas, que transformaram as redes sociais em um verdadeiro esgoto a c\u00e9u aberto. A discuss\u00e3o pol\u00edtica acalorada levava constantemente \u00e0 ofensas pessoais publicadas nos posts e coment\u00e1rios, principalmente do Facebook. Paralelamente, no YouTube, multiplicou-se uma s\u00e9rie de doutrinadores\/comentaristas, sem credenciais para an\u00e1lises mais acuradas do contexto pol\u00edtico vivido, produzindo a banaliza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o pol\u00edtica. Grupos empresariais que financiam os partidos pol\u00edticos logo perceberam a necessidade de conduzir nas redes sociais as pautas dos debates e tamb\u00e9m de acionar uma estrat\u00e9gia agressiva de destrui\u00e7\u00e3o de reputa\u00e7\u00f5es por meio de \u201cfake news\u201d, estrat\u00e9gias de manipula\u00e7\u00e3o pela desinforma\u00e7\u00e3o ou simula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. Para tanto, contrataram ag\u00eancias de publicidade de segunda categoria, respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o de perfis falsos e automatizados (rob\u00f4s de redes sociais) operando a circula\u00e7\u00e3o massiva de propaganda pol\u00edtica. Grupos como \u201cRevoltados on-line\u201d, \u201cMovimento Brasil Livre (MBL), \u201cVem para Rua\u201d, financiados por grupos empresariais golpistas, tiveram atua\u00e7\u00e3o destacada nas redes sociais no processo de mobiliza\u00e7\u00e3o social que levou \u00e0s massivas manifesta\u00e7\u00f5es de rua das classes m\u00e9dias, desprovidas de instrumentos de cr\u00edtica, movimento este que operou a simula\u00e7\u00e3o do apoio \u201cpopular\u201d ao golpe jur\u00eddico-parlamentar de 2016. Sem a an\u00e1lise da import\u00e2ncia das redes sociais, qualquer avalia\u00e7\u00e3o do processo pol\u00edtico que culminou no golpe jur\u00eddico-parlamentar de 2016, ficar\u00e1 incompleta. Os desdobramentos s\u00e3o vivenciados ainda hoje, com a presen\u00e7a evidente das m\u00e1quinas publicit\u00e1rias de destrui\u00e7\u00e3o de reputa\u00e7\u00f5es, como ficou evidente pelas \u201cfake news\u201d espalhadas por ocasi\u00e3o do atentado pol\u00edtico, ainda n\u00e3o esclarecido, da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, no contexto da interven\u00e7\u00e3o militar no Estado do Rio de Janeiro. 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