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Perfis Psicológicos Na Literatura

Perfis Psicológicos Na Literatura

Olá, Queridos Leitores. O assunto que abordarei hoje, será sobre o perfil psicológico abordado em alguns clássicos da literatura nacional ou estrangeira. Quem de vocês, principalmente no período escolar, nunca leu um livro, algum clássico de literatura? Acredito uma boa parte de vocês já leu, por gosto ou dever.

Vamos conhecer um pouquinho a respeito?

A literatura consegue descrever um perfil psicológico muito melhor do que a própria psicologia. Não só na literatura, como em outras manifestações artísticas, cinema, por exemplo, é normal os distúrbios mentais de alguns personagens renderem boas histórias e levarem os leitores a alguns questionamentos.

É como se a literatura conseguisse revelar o mundo interior do personagem, mais detalhado e melhor compreendido do que qualquer psicanálise. Muitas vezes, esse interior é transferido à objetos inanimados e até mesmo à figura de pessoas mortas. Outras vezes, problemas apresentados pelos próprios autores, sejam físicos ou mentais, são transferidos para as personagens do livro.

Para vocês entenderem um pouco mais, vou abordar algumas obras conhecidas e os respectivos perfis psicológicos de uma ou algumas personagens da obra em questão. Observem:

1) Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

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Para mim, esta obra é um clássico para qualquer análise, mas principalmente para a questão do perfil psicológico dos personagens. Aqui, Machado de Assis foi de uma inteligência tão grande, que transformou o protagonista da história em um “defunto”, ou seja, morto, onde ficaria acima de qualquer julgamento, podendo permanecer livre em suas observações, descrições, críticas, utilizando de sátira, ironia, e até mesmo malícia, para se referir à fatos e personagens da obra.

O enfoque da obra deixa de ser o cenário e a história que se passa nele, para focar nos personagens e no que eles sentem com relação ao que se passa à sua volta.

Através de uma metalinguagem, Brás Cubas fala sobre o perfil de cada personagem, ao mesmo tempo que conta fatos de seu período vivo, ressaltando a vaidade do Período Romântico e Realista no Brasil, que era o homem ser capitalista e dono de uma excelente fortuna. Nada mais importava. A história se torna divertida, graças à essa liberdade que o autor tem ao analisar cada personagem cuidadosamente, confrontando às exigências morais e financeiras da sociedade, com sua espontaneidade ao contar os verdadeiros fatos ocorridos, em uma sociedade desigual socialmente falando.

Estamos falando aqui, segundo Machado de Assis, de personagens extremamente densos; personagens estes que apresentam características muito fortes, como mesquinharia, ambição, interesse, cumplicidade, oportunismo, egoísmo e assim por diante.

Lembrando que para descrever seus personagens, Machado de Assis deixa de lado qualquer objetividade, mas carrega suas análises de negativismo. Por isso, seus personagens são cheios de características negativas, frutos de uma sociedade corrompida moralmente.

Machado de Assis expõe o psicológico dos personagens de forma tão profunda e ao mesmo tempo deixa o leitor fazer seu próprio julgamento a respeito dos mesmos, como por exemplo na personagem de D. Plácida, vítima, mas ao mesmo tempo cúmplice do adultério entre Brás Cubas e Virgília; ou então de Prudêncio, escravo de Brás Cubas, dono de escravos e tão ou mais severo quanto seu antigo patrão.

2) O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

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Oscar Wilde, para quem nunca ouviu falar, é um escritor irlandês que nasceu em 1854 em Dublin e morreu em 1900, em Paris, apenas 3 anos após sair da prisão, onde havia sido condenado por ser homossexual.

Sua obra mais famosa é O Retrato de Dorian Gray, pois possui nela muitas questões filosóficas e psicológicas. Na obra, Dorian é um jovem bonito, simpático e muito ingênuo, cuja aparência física chama a atenção de um pintor, Basil, que chama o rapaz para ser seu modelo.

Porém, um amigo do pintor começa a colocar na mente de Dorian, pensamentos maquiavélicos sobre o retrato. Um desses pensamentos era de que o retrato do jovem pintado seria jovem e bonito para sempre, enquanto que ele, Dorian, envelheceria.
No início da obra, Oscar Wilde diz…

… O artista é criador de coisas belas. A arte, por si só, não é moral ou imoral. O artista exprime através dela o que ele é.

Em sua obra Escritores Criativos e Devaneios, Freud levanta uma discussão comparando o brincar da criança e a fantasia do adulto. Os adultos, de uma forma geral, tendem a reprimir suas fantasias, com a exceção de uma pequena parcela de escritores criativos que as externalizam. Enquanto as crianças se exprimem de maneira espontânea através da brincadeira, os escritores o fazem através da expressão literária.

O que torna isso uma experiência interessante é que, graças à expressão literária, experiências dolorosas ou reprimíveis na vida real, se tornam assuntos abordados com prazer. É o que acontece na O Retrato de Dorian Gray. A primeira versão do livro foi censurada por conter muitas cenas obscenas e de orgias, oprimidas ma época. Segundo alguns professores de Universidades famosas ao redor do mundo, o desespero de Oscar Wilde era tão grande para expor sua homossexualidade e seus desejos excêntricos, que resolveu fazer isso tudo no pintor, Basil.

Oscar Wilde aborda a moralidade, de forma “sem moral”. Não julga seus personagens pela vaidade, egocentrismo, imoralidade e excentricidade, mas faz com que eles sofram as consequências de cada uma dessas características. De orgias a assassinatos, cada ato nocivo executado, era transparecido no retrato em questão. Mais uma vez aqui, o interior do personagem transparecido.

3) Várias Obras de William Shakespeare

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Aqui, vocês podem estranhar eu não citar alguma obra específica. Isso porque, quando tratamos sobre Shakespeare, todos os personagens são interessantes. Sou suspeita, pois amo todas suas obras, mas de verdade, ele consegue retratar todas as emoções humanas em uma única obra.

Temos personagens psicologicamente dominados pelo mal, como Macbeth e contaminados por ele, como Otelo e Lear, destruindo não só quem está ao seu redor como a si mesmo.

Temos a pureza de Desdemona, casta, íntegra e fiel à Otelo e também a maldade de Iago, traidor, desonesto e infiel a seu mestre. Este personagem, em especial, mostra uma falta de empatia com qualquer sentimento humano.

O personagem de Shakespeare mais completo em emoções e sentimentos humanos é Hamlet. Sua vitalidade está refletida na realidade humana: atos inconsistentes, incoerentes, impensados e inesperados. O estado real humano é refletido, ou seja, bem e mal, alegria e tristeza, em suas mais diversas proporções.

Este, talvez, seja o único personagem que pode ser estudado por alguma ciência específica, como a Psicologia, porém, somente a filosofia e a teologia conseguem ter a amplitude necessária para compreender o que Shakespeare quis mostrar através de Hamlet.

Bem, meus queridos, as obras e autores que abordam as características psicológicas do ser humano são inúmeras. Poderia escrever páginas e mais páginas sobre o assunto, mas vou ficando por aqui. Se você se interessar por alguma obra ou autor e quiser saber a respeito, escreva para nós. Será um prazer conversar a respeito.

Até a próxima!

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Paula Souza

É Editora e Autora do UniversoNERD.Net, Professora de Língua Portuguesa e Inglesa, amante de leitura e Literatura, além de gamer nas horas vagas.