Olá, queridos leitores. Voltando a série “Grandes Nomes da Educação”, nosso assunto de hoje é sobre um educador que apostou na autonomia dos alunos como palco principal para a construção de conhecimento e esse método vem sendo adotado cada vez mais pelas escolas. Estamos falando sobre Ovide Decroly. Vamos lá?
Falar de Ovide Decroly é falar de uma educação que pulsa vida. Para ele, ensinar não era apenas transmitir conteúdos, mas abrir caminhos para que cada criança pudesse descobrir o mundo com seus próprios olhos, relacionar experiências e expressar aquilo que aprende de forma significativa.
Decroly acreditava que a escola deveria ser um espaço de humanidade, onde corpo, mente, emoções e relações sociais se entrelaçam em um processo único de formação integral.
Em tempos em que ainda se discutia a função da escola, Decroly já apontava para uma ideia revolucionária: a criança como protagonista. Ele nos lembra que aprender não é decorar, mas viver; não é repetir, mas experimentar; não é se adaptar a um molde, mas construir sentido. Sua proposta dos centros de interesse e das etapas de observação, associação e expressão continua ecoando como um convite para que a educação seja mais próxima da vida real, mais conectada com os sonhos e necessidades de quem aprende.

Ao refletirmos sobre a educação atual, percebemos que muitos dos princípios defendidos por Decroly continuam extremamente relevantes. Em um mundo marcado por rápidas transformações tecnológicas, sociais e culturais, a necessidade de uma escola que vá além da transmissão de conteúdos é cada vez mais evidente.
A proposta decroliana de uma educação integral e ativa dialoga diretamente com os desafios contemporâneos: formar cidadãos críticos, criativos e capazes de conviver em comunidade.
Assim, suas ideias se tornam não apenas memória histórica, mas também inspiração para repensar práticas pedagógicas que aproximem o aprendizado da vida real e das demandas do século XXI.
Um pouco sobre Decroly
Ovide Decroly (1871–1932) foi um médico, psicólogo e pedagogo belga que revolucionou a educação ao criar o método Decroly, baseado em centros de interesse e na ideia de “educar para a vida e através da vida”. Ele é considerado um dos grandes nomes da Escola Nova e da pedagogia ativa.
Nascido em 23 de julho de 1870, em Renaix, na Bélgica. Filho de um industrial francês e de uma professora de música, graduou-se em medicina em 1896, especializando-se em neurologia e psiquiatria, na Bélgica e Alemanha.
Inicialmente, trabalhou com crianças com deficiência intelectual, o que despertou seu interesse pela educação. Criou a École de l’Ermitage em 1907, voltada para o desenvolvimento integral das crianças com dificuldades escolares e sociais, em oposição ao regime íntegro e autoritário. Faleceu em 1935, em Bruxelas, devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que interrompeu sua intensa atividade como pesquisador e educador.
Até hoje, suas ideias são estudadas em cursos de pedagogia e psicologia da educação.
Ècole de l´Ermitage
Vamos fazer uma pausa para conhecer rapidamente sobre a École de l’Ermitage. Ela foi fundada por Ovide Decroly em 1907 como um laboratório pedagógico para aplicar sua abordagem inovadora à educação, tornando-se um marco na história da pedagogia ativa e na valorização do aprendizado pela vida e para a vida.
Foi fundada em Bruxelas por Decroly com apoio de colegas e famílias que desejavam uma educação mais significativa para seus filhos. Situava-se próxima ao Instituto para crianças com necessidades especiais, também fundado por Decroly.
O objetivo era servir como um espaço experimental para desenvolver práticas educativas centradas na criança, antecipando a obrigatoriedade escolar.
As crianças eram agrupadas em seis níveis: “microbes”, “petits”, “petits moyens”, “grands moyens”, “grands”, “supérieurs”, cobrindo toda a educação fundamental. Com o tempo, a escola ganhou reconhecimento internacional: foi prestigiada como referência em educação ativa, influenciando práticas pedagógicas em diversos países.
A École de l’Ermitage consolidou os fundamentos da pedagogia de projetos e inspirou outras instituições a adotarem abordagens centradas no aluno.
Contribuição Pedagógica
Além da criação dessas instituições, o Método Decroly teve uma enorme contribuição pedagógica, devido à sua oposição à rigidez. Esse método possui alguns princípios centrais, como:
- Educação centrada nas crianças: se interessa na real necessidade e nos interesses das crianças. A aprendizagem deve responder às necessidades vitais: alimentar-se, proteger-se, trabalhar, conviver. Por exemplo, em vez de ensinar matemática de forma abstrata, o professor pode propor calcular quantidades de alimentos para uma refeição coletiva. Assim, a criança aprende somar e dividir em um contexto real.
- Centros de Interesse: o currículo deve ser organizado em torno de temas ligados às necessidades biossociais da criança (alimentação, defesa, trabalho, recreação, socialização etc), ou seja, temas ligados à vida cotidiana.
- Educação Integral: Integra aspectos físicos, emocionais, sociais e intelectuais, preparando para a vida em comunidade. Decroly acreditava que a escola deveria formar o ser humano por completo, não apenas transmitir conteúdos acadêmicos. Isso inclui saúde, movimento, atividades corporais, desenvolvimento da afetividade e da autoestima, convivência, cooperação, respeito às regras da comunidade, raciocínio, pensamento crítico, curiosidade científica etc. Dessa forma, o objetivo final é preparar a criança para viver em sociedade, participando de forma ativa e responsável.
- Educação ativa: A criança é protagonista do processo de aprendizagem e o professor atua como mediador que organiza situações de aprendizagem e estimula a curiosidade. O ensino parte dos interesses da criança e da sua relação com o mundo real, em vez de seguir apenas conteúdos abstratos e impostos.

Além disso, é estruturado em três etapas:
- Observação – a criança explora o mundo ao redor, percebe fenômenos, objetos e situações. É o contato direto com a realidade, despertando a curiosidade.
- Associação – relaciona o que observa com conhecimentos prévios e experiências anteriores, ocorrendo a construção de significados e a organização mental das informações.
- Expressão – comunica e aplica o que aprendeu por meio de diferentes formas: fala, escrita, desenho, dramatização, experimentos. É também o momento de aplicar o conhecimento em situações práticas.
Para Decroly, aprender é viver: a escola deve ser um espaço de experiências significativas, onde a criança observa, relaciona e expressa, sempre em conexão com a vida real e em preparação para a vida em comunidade.
Segundo Decroly, o papel do professor é: “Educar para a vida e através da vida”.
Legado
- Influência internacional: Suas ideias inspiraram a Escola Nova e pedagogos como Montessori e Piaget.
- No Brasil: Contribuiu para reformas educacionais no início do século XX, especialmente na valorização da pedagogia de projetos.
Decroly trouxe uma visão prática e humanista, colocando os interesses da criança no centro da educação e defendendo que aprender deveria ser uma experiência ligada à vida real.
Método Decroly na prática
Para começar, temos que organizar o currículo em Centros de Interesse. Podemos escolher temas ligados às necessidades básicas da criança:
- Alimentação → projetos sobre nutrição, culinária, cultivo de hortas.
- Defesa e segurança → atividades sobre saúde, primeiros socorros, trânsito.
- Trabalho → oficinas de profissões, visitas a empresas locais.
- Recreação → esportes, jogos cooperativos, artes.
- Socialização → debates sobre convivência, cidadania, diversidade.
Reconhecido por sua influência na Pedagogia de Projetos, Decroly acreditava no poder da curiosidade infantil para guiar o aprendizado, através de projetos interdisciplinares.
Mas, o que é a pedagogia de projetos?
A Pedagogia de Projetos é uma abordagem educacional centrada na aprendizagem ativa, na qual os alunos exploram temas significativos, aplicando conhecimento em projetos práticos.
Essa metodologia promove a interdisciplinaridade, permitindo a integração de múltiplas áreas do conhecimento.
Ao adotar essa abordagem, os educadores buscam estimular a autonomia, a criatividade e a resolução de problemas nos alunos. O processo inclui a definição de objetivos, pesquisa, planejamento e execução do projeto, proporcionando uma experiência mais envolvente e contextualizada.
A pedagogia de projetos tem como objetivo preparar os estudantes para situações reais, tornando o aprendizado com mais significado e ajustado às demandas da sociedade atual.
Princípios da Pedagogia de Projetos
A pedagogia de projetos, desde que seja baseada em princípios sólidos, tem como objetivo transformar o processo educacional.
Esses princípios abrangem:
- Aprendizagem Ativa: tem como foco a participação ativa dos alunos, levando à construção do conhecimento por meio da prática e experiência pessoal;
- Colaboração: estimula o trabalho conjunto, desenvolvendo habilidades sociais e compartilhamento de ideias;
- Contextualização: consiste na aplicação prática do conhecimento em situações do mundo real, fazendo com que a aprendizagem se torne mais relevante;
- Autodireção: foca em desenvolver a autonomia do aluno, ou seja, o aluno é o protagonista.
Para resumir, ao adotar esses princípios, a pedagogia de projetos leva a uma abordagem dinâmica e eficaz, deixando o cidadão preparado para os desafios da vida real.

Decroly antecipou debates que hoje são centrais: a necessidade de uma escola que prepare para a vida, que valorize a experiência concreta e que respeite os ritmos e interesses da criança.
Ovide Decroly foi mais do que um pedagogo: foi um visionário que compreendeu a educação como um processo vital, inseparável da vida em comunidade e da formação integral do ser humano. Suas propostas, baseadas na observação, associação e expressão, continuam inspirando práticas que buscam tornar a escola um espaço de sentido, participação e descoberta.
Ao olhar para a educação atual, percebemos que muitos dos caminhos trilhados por Decroly permanecem abertos e férteis. Ele nos lembra que ensinar não é apenas transmitir conteúdos, mas formar cidadãos capazes de pensar, sentir e agir em sociedade. Seu legado é, portanto, um convite permanente para que a escola seja um lugar de vida, de experiências e de construção de humanidade.
Vou ficando por aqui! Espero que tenham gostado! Até a próxima!
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