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O RPG Como Ferramenta Pedagógica

O RPG Como Ferramenta Pedagógica

Saudações, meus caros nerds de plantão! Como foi vosso 2018? Quais as projeções para 2019? Espero, de coração, que tenham tido um ótimo ano, repleto de realizações, tal qual foi o meu. Apesar de toda a correria com meus estudos e trabalho, além da decepção e receio com os fatos e as perspectivas política e econômica de nosso país, 2018 ficará marcado como o ano em que, finalmente, tive condições de levar um projeto de iniciação ao RPG, em ambiente escolar, até o final.

Para quem ainda não está familiarizado com o termo, RPG é a sigla inglesa para Role-Playing Game que, traduzindo, seria algo como “jogo de interpretação de personagens” ou “jogo de personificação de papéis. Simplificadamente, trata-se de um jogo onde os jogadores assumem os papéis de personagens criados por eles (seguindo regras descritas em um determinado sistema de RPG) e, coletivamente, criam uma história por meio de suas ações e interações (cujas intenções são descritas pelos jogadores), que são narradas pelo mestre do jogo, caso aprovadas por ele ou bem-sucedidas em testes que envolvem a rolagem de dados.

dados - O RPG Como Ferramenta Pedagógica

O RPG chegou ao Brasil no final da década de 1980, mas só se popularizou na seguinte, graças a tradução de livros e materiais realizadas por editoras nacionais. Como quase tudo que é novo e desconhecido, foi alvo de muito preconceito, sendo associado como influenciador de casos onde ocorreram assassinatos, à bruxaria e satanismo, além de uma vasta gama de episódios violentos devido à relatada mudança de comportamento/personalidade dos sujeitos que os praticaram.

Entretanto, com o crescimento do número de jogadores, informação e estudos científicos acerca do jogo, o Role-Playing Game passou de vilão a mocinho. Relacionado agora como um dos mais clássicos hobbies da cultura nerd, teve seu devido reconhecimento enquanto uma excelente ferramenta pedagógica, capaz de auxiliar os alunos na assimilação de conteúdos, no desenvolvimento do raciocínio, criatividade, na cooperatividade entre os colegas e nas diversas competências e habilidades narrativas.

jogando rpg - O RPG Como Ferramenta Pedagógica

Projeto de Iniciação ao RPG

Já que falei um pouco sobre o jogo, bem como suas potencialidades pedagógicas, comentarei, a partir de agora, sobre um projeto, envolvendo RPG, que desenvolvi na escola em que leciono, pertencente à Diretoria Centro da cidade de São Paulo, que compõe a rede estadual de ensino. Denominado de Projeto de Iniciação ao RPG. A ação contou com a participação de alunos de 6º ano do Ensino Fundamental II, ou seja, pré-adolescentes de 11 a 12 anos de idade, com o auxílio do professor de Arte e minha coordenação (sou professor de Língua Portuguesa). O projeto seguiu as seguintes etapas:

1ª etapa – criação dos personagens: logo no início das aulas (1º bimestre), fiz com que meus alunos criassem e desenvolvessem personagens e suas respectivas características físicas, psicológicas, sociais e origens, devendo ser estes, heróis, anti-heróis ou vilões. As regras para a criação seguiram uma adaptação minha para o sistema Storyteller, da White Wolf. Esse processo durou o bimestre todo. Nele, foi trabalhado o conteúdo mais recorrente em Língua Portuguesa para os sextos anos, previsto no currículo do estado: elementos da narrativa.

A ficha base utilizada foi essa:

Ficha - O RPG Como Ferramenta Pedagógica

2ª etapa – criação das ligas: no começo do 2º bimestre, os alunos foram convidados a se reunirem e formarem grupos de heróis, chamados de “liga”. Coletivamente, tiveram que criar a história da origem da liga, bem como todas as suas características, regras, princípios e definição de quem seria o líder. Nessa etapa, o conteúdo trabalhado foi a produção de texto injuntivo/prescritivo, trabalho coletivo e argumentação.

3ª etapa – partidas de RPG de mesa: etapa mais ansiada pelos alunos, aqui, alguns tiveram a possibilidade de participar de uma aventura de RPG, onde os protagonistas eram os personagens que cada um havia criado. Como mestre do jogo, utilizei, mais uma vez, uma adaptação das regras Storyteller. É imensurável o quanto todos nós nos divertimos: os alunos, por soltarem suas imaginações, interpretarem, trabalharem em grupo, discutirem entre si… Eu, por minha vez, ria demais com o rumo doido que suas decisões davam à história!

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4ª etapa – transcrição das aventuras: nesta parte, cada grupo que jogou uma aventura, teve que transcrever, detalhadamente, a história que fora criada. Aqui, já estávamos na metade do 3º bimestre. Novamente, os elementos da narrativa, com ênfase na produção textual, foi o conteúdo de destaque nessa fase.

5ª etapa – produção da revista: sem dúvida alguma, a etapa mais trabalhosa. Para mim? Lógico que não! Para os alunos! Nesse penúltimo estágio, praticamente só orientei os estudantes para que produzissem o material para a montagem da revista ilustrada: as alunas mais avançadas dos sextos anos ficaram com a responsabilidade de fazer a revisão textual da transcrição narrativa e separar o enredo para que cada parte pudesse receber ilustrações; com orientação do professor de Arte, os alunos com maior habilidade em desenho e pintura tiveram que criar o conceito dos personagens (de modo que o desenho de todos os personagens tivesse o mesmo traço), ilustrar as cenas, pintar e fazer a arte final das capas e de todas as cenas.

Foi um trabalhão que durou todo o 4º bimestre e que envolveu uma quantidade enorme de competências e habilidades trabalhadas durante todo o ano letivo.

6ª etapa – diagramação e publicação da revista: por fim, só precisei pegar os materiais produzidos pelos alunos, fazer a diagramação e, finalmente, publicar no blog da escola, cujo resultado final, meus irmãos nerds, vocês podem ver no seguinte link:

Projeto de Iniciação ao RPG

Curtiram? Ficou algo bem simples, porém, bem feito, e que foi extremamente divertido de fazer!

Aos amigos professores, educadores ou quem estiver a fim de levar um projeto como esse: não é preciso ser um expert em algum sistema de RPG para conduzir uma criação de personagens ou ministrar uma aventura. Desde que você entenda bem o conceito do jogo, pode, muito bem, criar suas próprias regras para a construção de personagens, para os testes das ações e características e ambientações do cenário onde a aventura se desenrolará. Se ainda não se sentir confiante para tal, veja vídeos explicativos sobre os sistemas RPG Quest ou o 3D&T, tidos como os mais simples e adaptativos. O importante é que possa apresentar a seus alunos uma forma interativa, cooperativa e divertida de se trabalhar conteúdos de praticamente qualquer disciplina!

Abraço a todos e até breve.

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Lukas Melo

É Editor e Autor do UniversoNERD.Net. Profissional da área de EaD, aficionado por RPG, hardware e cinema. Porém, não nega outras nerdices.

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