Saudações, meus caros nerds exploradores espaciais. Tudo bom convosco? É inegável que a franquia Alien detém os principais títulos no universo cinematográfico do gênero de ficção científica, principalmente o clássico “O Oitavo Passageiro” lançado em 1979. Mesmo com alguns altos e baixos (como no caso dos crossovers “Vs Predador”), seu público se manteve fiel ao longo dos seus 46 anos de existência. Como seria a reação dos fãs caso uma nova história canônica fosse contada no formato de série? Chamaria a atenção? Vingaria para outras temporadas? É por esses e outros motivos que, hoje, precisamos falar sobre Alien: Earth.
Produzida pela FX, com colaboração da Disney, o que coloca a série em um patamar de alto investimento e alcance estratégico global, Alien: Earth é um seriado dividido em oito episódios, cujo primeiro estreou no Brasil na primeira metade de agosto. A mente por trás de Alien: Earth é Noah Hawley, conhecido por séries como Fargo e Legion. Ele não só criou a série, como também está envolvido na escrita e direção, imprimindo seu estilo singular de narrativa. O elenco é composto por atores emergentes e alguns veteranos: Sydney Chandler vive Wendy, a protagonista híbrida; Timothy Olyphant interpreta Kirsh, um androide que age como mentor para Wendy; Samuel Blenkin como Boy Kavalier, um moleque trilionário e dono da Prodigy Corporation; Alex Lawther, irmão de Wendy; Essie Davis e David Rysdahl como Dame e Arthur Sylvia, um casal de cientistas que trabalham para a Prodigy Corporation; dentre outros.

A série se passa em 2120, ou seja, dois anos antes dos eventos do filme original Alien: O Oitavo Passageiro. A nave de pesquisa espacial USCSS Maginot, propriedade da megacorporação Weyland-Yutani – que dois anos depois enviaria a USCSS Nostromos comandada pelo Capitão Dallas e a jovem Subtenente Ripley – cai na Terra, trazendo a bordo uma série de criaturas alienígenas. Wendy e outras crianças híbridas (pessoas que tiveram suas consciências transferidas para um corpo totalmente cibernético) desenvolvidas e a serviço da Prodigy Corporation, partem para resgatar possíveis sobreviventes e bisbilhotar o que a empresa concorrente anda pesquisando no espaço. Conforme clichê na série, uma hora ou outra essas criaturas dão um jeito de escapar, ocasionando todo o caos que já estamos acostumados a presenciar.
O mais legal de tudo é que na série o terror não é só causado pelo costumeiro xenomorfo da franquia, mas, também, por outros alienígenas agressivos e/ou parasitas, bastante interessantes por sinal. Com isso, a obra apresenta ao público dois fatos inéditos até o momento: o primeiro é que os humanos já haviam tido contato com os xenomorfos antes mesmo dos eventos do primeiro filme e que, provavelmente, o sinal que levou a Nostromos a pousar no planeta LV-426 e posteriormente encontrar a nave alienígena com os ovos do alíen não foi por acaso; o segundo fato é de que existem criaturas alienígenas inteligentes além dos yautja (predadores) e dos “engenheiros” de Prometheus.

Mas não só dentes, garras, invasão cerebral por parasitas e tiros vive Alien: Earth. A série tem uma pegada filosófica muito grande acerca da imortalidade e dos limites da ciência em “brincar de ser Deus” no ato de desenvolver novas tecnologias. Nesse futuro, já são comuns androides superinteligentes e dificilmente distinguíveis de um humano, além de pessoas com membros e órgãos sintéticos. Como se não bastasse, a Prodigy Corporation desenvolveu uma forma de implantar a consciência de crianças com câncer terminal em corpos sintéticos, mas com aparência adulta. Wendy é o primeiro exemplar de um grupo de seis, chamados de “Garotos Perdidos” em referência a Peter Pan. Porém, mentes mais treinadas à filosofia entenderão que o “perdidos” significa a mudança repentina de pré-adolescentes agora em corpos adultos e toda a complexidade de sentimentos que isso lhes traz, sem contar a dificuldade de saberem lidar com os novos poderes adquiridos graças às competências dos corpos robóticos e toda responsabilidade associada a isso, em detrimento aos contratos com a empresa que proporcionou tão caras mudanças que lhes salvaram a vida.
Em relação aos aspectos técnicos, era mais do que esperado que Alien: Earth se consolidasse como uma superprodução. Com os altos investimentos recebidos do FX e da gigantesca Disney, foi possível usar e abusar dos melhores recursos tecnológicos disponíveis para a utilização de efeitos especiais para a construção da ambientação, criaturas e partes de cenas. Comentários de bastidores afirmam que a série marca um renascimento em termos de efeitos, combinando CGI com efeitos práticos, escolha essa que trouxe mais peso e realismo às criaturas alienígenas. Há indicações de que Hawley preferiu usar “um cara com uma fantasia de borracha” para dar vida aos xenomorfos, o que reforça a naturalidade da movimentação desses seres.

Sendo uma franquia com tantos fãs, também era esperado. A expectativa era tão grande que o primeiro episódio alcançou 9,2 milhões de visualizações em seis dias! É evidente que a média não se manteve tão astronômica, mas, mesmo assim, os números impressionam bastante! Uma prova disso é que, em tempos de séries canceladas aos montes, o sucesso comercial obtido já fez a FX anunciar a renovação para a segunda temporada, com Noah Hawley retornando e dando prosseguimento à narrativa.
Por fim, Alien: Earth já pode ser considerada um marco dentro da franquia Alien. Com a direção criativa de Noah Hawley, um elenco forte e ares filosóficos somados ao terror clássico, a série conquistou tanto a crítica quanto o público, mesmo gerando debates acalorados entre os fãs mais exigentes que apontam brechas entre a obra com os filmes. A confirmação da segunda temporada reforça que essa nova fase está apenas no começo. Para quem ama ficção científica, horror ou apenas quer assistir algo visualmente impactante e tematicamente rico, Alien: Earth é uma aposta que vale a pena.
Abraços e até breve.
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