NEWS!

Ghost In The Shell: O Vigilante Do Amanhã Vs Major Motoko Kusanagi

Ghost In The Shell: O Vigilante Do Amanhã Vs Major Motoko Kusanagi

Lembro-me como se fosse hoje: assim que surgiram os primeiros rumores que afirmavam a escolha da atriz Scarlett Johansson para o papel da protagonista no live do aclamadíssimo mangá/anime Ghost in the Shell, fãs do mundo inteiro começaram a reclamar da opção dos diretores, tendo em vista que, obviamente, a americana não possui traços orientais para representar uma personagem japonesa que trabalha numa força especial da segurança pública do Japão, cujo nome é Motoko Kusanagi. Confesso que fui mais um dos fãs que agiram desse modo. Com tantas boas atrizes orientais disponíveis, odiei a escolha e ainda não a engulo.

Atrizes japoneses que poderiam interpretar a Major Kusanagi: Em cima, da esquerda pra direita: Rinko Kikuchi, Devon Aoki e Chiaki Kuriyama. Em baixo, da esquerda para a direita: Karen Fukuhara, Kiki Sukezane e Tao Okamoto.

No meu ponto de vista, por mais uma vez o cinema norte-americano tentava “ocidentalizar” uma obra oriental ao forçar a barra com a seleção de seus atores nos papéis principais. Alguém consegue lembrar do pavoroso Dragonball Evolution (2009)? Aquele mesmo, que nos apresentou um Goku adolescente, vivendo suas aventuras colegiais no mais perfeito molde dos filmes da Sessão da Tarde? Pois então! Mesmo havendo diversos atores de ascendência oriental no filme, Son Goku, como não poderia deixar de ser, tinha que ser ocidental! Pelo menos dessa vez, o papel ficou com um canadense.

Com tantas críticas, principalmente nas redes sociais, produtores, diretores e demais membros do elenco de Ghost in the Shell: Vigilante do Amanhã, em todo momento defenderam a indicação de Scarlett para o papel. O argumento mais utilizado por eles consistiu na ideia de que o nome “Motoko Kusanagi” não é o nome real da protagonista e que, por usar corpos cibernéticos desde o nascimento, eles poderiam ter qualquer aparência. Para diminuir um pouco a onda negativa que tudo isso gerou, decidiram chamar o personagem no filme apenas de “Major”, eliminando assim qualquer referência à origem da heroína.

Sendo assim, decidi rever toda a saga do anime Ghost in the Shell, composta de oito filmes e duas séries, a fim de encontrar indícios que justificariam ou contrariariam a escolha da americana e a alegação dos envolvidos com a produção do live. Para minha surpresa, os argumentos utilizados realmente possuem fundamento e validam a seleção de qualquer etnia para o papel, porém, de forma alguma, a justificam.

É verdade que Motoko Kusanagi é apenas um codinome dado à Major, mas isso não quer dizer que ela não seja japonesa. Ainda no ventre de sua mãe (que teve morte cerebral num acidente automobilístico) precisou receber suporte cibernético para sobreviver e desenvolver seus órgãos, já que seu corpo já estava condenado. Quando tudo estava devidamente formado, teve seu cérebro, medula espinhal e alguns outros órgãos implantados num corpo robótico. Todos esses processos foram realizados pelas forças armadas japonesas, que a criaram desde então, já que era órfã. Extremamente nacionalista e dedicada ao seu país, serviu o exército, onde chegou à patente de major após lutar na guerra.

Somente por esse motivo, já percebemos que Ghost in the Shell, por si só, trata-se de uma obra “localizada”, onde não teria sentido algum alguém de aparência ocidental ser um importante oficial dentro das forças japonesas. Além disso, a aparência da Major é claramente oriental em todos os corpos que ela utilizou durante a saga. Mesmo enquanto criança, já adulta após sair do exército, e assim que entrou para a Seção 9 e recebeu um corpo ainda mais evoluído e forte, as feições dos corpos robóticos que utilizava sempre foi uma grande preocupação de Kusanagi a fim da preservação de sua identidade como ser humano, conforme mostra este importantíssimo diálogo com Batou:

Major: Desde então, parei de trocar de corpo com frequência. Isso causa crise de identidade. Fico sem saber quem eu sou … E depois quero que alguém me diga que não sou um robô.

Batou: É por isso que insiste em fazer feições originais nas suas bases de produção em série? É incrível que tenha conseguido controlar tantos corpos em tão pouco tempo.

Major (fugindo da resposta): Vou dormir um pouco. Pode ir.

Todos os corpos utilizados, claramente, seguiram uma linha evolutiva, conferindo um hipotético amadurecimento à Major. A montagem abaixo exibe suas feições.

Algum dúvida de que trata-se de uma mulher oriental?

À véspera do lançamento do filme, só nos resta deixar essa polêmica de lado e torcer para que o filme seja muito bom. Um dos pontos principais da protagonista de Ghost in the Shell é a sua forte personalidade e senso de liderança. Oxalá que pelo menos nesse quesito haja fidelidade por parte da produção do filme e uma ótima performance de Scarlett Johansson. Não perdoarei uma Major Kusanagi chorona, apaixonadinha ou outros clichês que Hollywood sempre acha um jeito de enfiar em suas adaptações. Loira, oriental, negra ou o que quer que seja, isso não é feitio da líder da Seção 9, onde, pelas costas (duvido que o façam de frente), é chamada de “mulher gorila”, dado seu jeito de ser.

Se você gostou deste post não deixe de registrar sua participação através de sugestões, críticas e/ou dúvidas. Aproveitem para assinar o Blog e o canal do YouTube, acompanhar nossas publicações e ficar por dentro do Projeto Universo NERD, de sorteios, concursos e promoções!

Tags:
Lukas Melo

É Editor e Autor do UniversoNERD.Net. Profissional da área de EaD, aficionado por RPG, hardware e cinema. Porém, não nega outras nerdices.