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A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Parte 1)

A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Parte 1)

Olá, queridos leitores. Quem aqui nunca ouviu uma historinha para dormir? Ou quem, dos papais e mamães presentes, nunca contou uma para seus filhos? Contos de fadas cheios de magia, castelos, encantos, superpoderes, lições de moral lindas ou até mesmo histórias tristes?

Hoje tenho um convite a lhe fazer. Vamos nos despojar de todos os enfeites e cores que a indústria cinematográfica e a editorial colocaram nos contos de fadas e nas histórias para crianças? Ou até mesmo das fábulas que ouvíamos de nossos pais e avós, para mergulharmos na verdadeira origem desses contos e histórias, que não tem nada de bonito e encantador? Que tal?! Vamos lá?

Sobre os contos NÃO TÃO de fadas…

Mas antes um aviso importante: as histórias que serão relatadas aqui não têm nada de interessante para os pequenos, pois algumas delas até são macabras. Então, por favor, não se choquem, ok?

Bem, para iniciarmos, acredito que seja importante sabermos de onde vêm os contos de fadas.

Nosso primeiro contato com eles acontece normalmente na infância. Entretanto, foram arrastados desde a época das cavernas, até nossos dias. Remontam a tempos antigos, vindo de tradições orais de diferentes culturas e passados de pai para filho, permanecendo no imaginário coletivo. Somente após muito anos, na Idade Média, é que foram registradas as primeiras histórias de forma escrita, quando as crianças começaram a ser tratadas de fato como tal, pois até então, não havia ainda o que conhecemos hoje por “infância”.

Mas, até então, os contos ainda não eram de fadas. Na verdade, eram histórias assustadoras, bem diferentes das que conhecemos hoje e que certamente não fariam sucesso em nosso mundo atual. Há algum tempo, escritores como Charles Perrault, adaptaram alguns contos para que pudessem ser bem aceitos pela sociedade. Pouco tempo depois, os irmãos Grimm e o dinamarquês Hans Cristhian Andersen, deram continuidade à proposta de Perrault: narrativas mais suaves, com desfechos contendo a “moral” da história.

FIgura 1 - A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Parte 1)

Charles Perrault, Hans Christian Andersen e Irmãos Grimm: grandes nomes dos clássicos infantis.

Na verdade, os contos atuais se preocupam com o impacto que a história pode causar na criança e qual a influência de determinada história no desenvolvimento e na vida dos pequenos. Por isso, as temáticas nem um pouco lúdicas ou violentas foram abolidas. Charles Perrault e os irmãos Grimm, posteriormente, pegavam os contos originais e adaptavam as versões de acordo com o gosto da corte francesa.

Com o passar dos anos, as versões foram ficando cada vez mais lúdicas. É perfeitamente normal que cada criança tenha uma interpretação diferente da mesma história. Tudo vai depender do momento em que ela está lendo e da situação na qual ela está envolvida. Porém, com a ludicidade dessas histórias, as crianças estão perdendo a identificação com elas e suas respectivas morais. Não é à toa que as vemos perderem o interesse pela leitura de uma forma geral. Cada vez mais, percebemos como nossas crianças gostam menos de ler, se interessam menos em buscar conhecimento por meio da leitura, mesmo que seja em plataformas digitais. A questão não é a leitura em papel, em material físico, mas sim, a leitura como hábito.

Porém, existe uma outra questão também. Os contos de fadas ou as histórias para crianças, tiveram que ser adaptadas em versões mais “lights” para que fossem comercializados. Se fossem colocadas à venda da forma que realmente são, com certeza não venderiam e ainda chocariam uma boa parte do público.

A seguir, veremos alguns exemplos dessas histórias:

Chapeuzinho Vermelho

Essa lenda foi uma das que mais sofreu alterações. Segundo a história original, ela se passa na região dos Alpes e trata-se de uma menina que acaba de deixar a fase infantil e entra no mundo adulto. Daí a “capa vermelha”, símbolo da menstruação. A jovem recebe um pedido de sua família: atravessar o bosque para levar leite e biscoitos à sua avó. Aqui, o bosque representa um perigo, como se fosse um ritual de passagem dos jovens para a comunidade e também a passagem dos filhos para o mundo adulto.

Nesse bosque, existe a figura do lobo, que significa a selvageria e o irracional. A jovem chega até a casa da avó, que está doente na cama. Até aqui, o conto continua intacto ao que conhecemos.

Mas, é aqui que as mudanças começam…

A avó pede à menina que guarde o leite e os biscoitos e que coma a carne que ela havia preparado. A jovem obedece, sem questionar. Então, quando a jovem já estava satisfeita, a avó pede à ela que tire toda a roupa, queime peça por peça no fogo da lareira e deite-se na cama ao seu lado. A jovem obedece, mais uma vez, sem questionar, apesar da estranha situação. Porém, quando ela vai se deitar, descobre que a avó é o lobo e que a carne que havia comido era de sua avó. Então, o lobo a devora. Aqui, vemos que a jovem comete o pecado gravíssimo do canibalismo. Além disso, o lobo representa o mundo sexual e violento. A velha devorada por uma jovem representa a troca do velho pelo novo, iniciando um círculo vicioso.

Como vocês podem ver, um conto inocente, que na verdade tem um lado muito sombrio e trata a respeito de aspectos muito polêmicos, como violência moral e sexual, canibalismo, sedução infantil e por aí vai.

Figura 2 - A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Parte 1)

Chapeuzinho Vermelho, na minha opinião, o mais macabro de todos os contos, por representar a quebra da inocência infantil.

Branca de Neve

Na primeira versão, escrita em 1810 pelos irmãos Grimm, a mãe da princesa, e não a madrasta, é quem é obcecada pela própria beleza e acaba pirando em frente ao espelho. Desejando ser a mais bela do reino, tem medo de perder o posto para sua filha, de apenas 7 anos de idade. Então, planeja o sumiço da criança.

A rainha manda um caçador atrás de sua filha, exigindo que ele trouxesse não o coração dela, mas o fígado e o pulmão. O caçador, então, para enganar a rainha, traz os órgãos de um javali, os quais a rainha acredita que sejam da menina e come em sua frente. Aqui, mais uma vez, a alusão ao canibalismo, considerado pecado gravíssimo perante a sociedade e a igreja cristã da época. A história se desenvolve seguindo a mesma trama atual: a princesa se perde na floresta, encontra os pequenos homenzinhos… Até que a rainha má vai atrás dela na tentativa de matá-la e um príncipe a salva. No final, o plano da rainha é descoberto e ela é condenada a dançar em brasas no casamento da própria filha, calçando sapatos de ferro.

Figura 3 - A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Parte 1)

Retratos de uma publicação do conto Branca de Neve, na versão dos irmãos Grimm, simplesmente espetacular.

Alice no País das Maravilhas

O nome da protagonista foi escolhido em homenagem à uma linda garotinha, Alice Liddel, amiga do escritor Lewis Carroll. O livro nasceu após ele contar as aventuras para a garotinha e suas duas irmãs.

O livro faz várias críticas à sociedade da época. Por exemplo: o coelho atrasado é uma metáfora para combater a sociedade inglesa. Ele vem, todo maluco, sempre atrasado e com atitudes e histórias sem o menor nexo ou linha de raciocínio. Outro símbolo é a lagarta fumando narguilé, em combate à liberação do uso do ópio, proibido hoje, mas utilizado com fins medicinais naquela época.

Há quem compara o próprio Lewis Carrol ao personagem Dodô, que cria uma corrida maluca sem rumo, simbolizando os delírios do autor, que segundo alguns, fazia uso de alucinógenos, como o próprio ópio.

Aliás, o próprio Gato, com seu sorriso delirante e hipnotizador, dizem que é fruto de suas crises de enxaqueca devido ao uso dessas substâncias.

Existe ainda uma outra análise desse conto. Se pararmos para pensar, podemos dizer que representa uma garotinha crescendo em meio a um mundo sombrio e sem cor, onde tudo à sua volta é simplesmente gigantesco e assustador. Simplesmente, uma metáfora para retratar a dor de uma garotinha que havia acabado de perder seu pai e que, de repente, se viu obrigada a crescer e enfrentar esse mundo.

Figura 4 - A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Parte 1)

Alice no País das Maravilhas, na minha opinião, o conto mais completo e ambíguo em interpretação.

Como vocês podem ver, a origem desses contos é, além de sinistra, extremamente pesada, envolvendo, talvez, histórias trágicas e reais. E pensar que durante anos essas histórias foram contadas em rodas compostas por familiares e amigos, incluindo os mais jovens. Já ouviram aquela expressão: “Não faz isso senão o lobo vem te pegar?” Quem quando era criança não ouviu? Macabro, não é mesmo?

Por hoje é só… mas continuaremos no próximo domingo. Até lá!

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Paula Souza

É Editora e Autora do UniversoNERD.Net. Data Quality Specialist e Editora da empresa Bare Internacional, Professora de Língua Portuguesa e Inglesa, amante de leitura e Literatura, além de gamer nas horas vagas.