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A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Final)

A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Final)

Olá, querido leitores. Prontos para mais contos de fadas? Ou melhor… NÃO TÃO de fadas? Hoje darei continuidade a parte final do artigo sobre a origem dos contos de fadas que, como eu disse no primeiro, não tem nada de bonitinhos e encantadores, mas por algum motivo, prendiam a atenção não só de crianças (talvez pelo medo que causavam) como também de adultos, pela curiosidade e pelo fato de serem história passadas por gerações. Tradição que passa por muitas famílias, entendem? Então vamos lá!

Continuando sobre os contos NÃO TÃO de fadas…

Segundo alguns estudos feitos pelo antropólogo Jamie Tehrani, da Universidade de Durham (Inglaterra), existem evidências que comprovem que alguns desses contos são tão antigos que datam de muito antes dos primeiros registros literários, confome a teoria que os irmãos Grimm afirmavam. Alguns tiveram suas origens muito antes até da Mitologia clássica. Algumas aparecem em textos gregos e latinos, mas acredita-se que elas são de muito antes do surgimento dos primeiros registros nessas línguas.

O mais impressionante é que essas histórias sobreviveram sem registros escritos por muitos anos. Provavelmente, elas começaram a ser contadas muito antes de existirem as línguas que conhecemos hoje: inglês, italiano, francês e por ai vai. Acredita-se que elas eram contadas em alguma língua europeia extinta.

Mas, sem mais enrolações, vamos aos contos. Tenho certeza que vocês estão curiosos 🙂 …

A Bela Adormecida

Nada de princesa adormecida esperando por um beijo de amor para despertar. Princesa adormecida, sim, mas muito longe de ser uma história romântica, com um final feliz.

A história começa como conhecemos: a princesa, amaldiçoada ainda quando bebê, espeta o dedo em uma roca de tear, deixando uma farpa em seu dedo. Logo em seguida, a princesa cai em sono profundo. Mas, bem antes disso, ela foi vista por um rei, em uma de suas caçadas, o qual se encantou pela moça.

Em seu sono profundo, a princesa recebe a visita do rei que a violenta, mesmo adormecida e a engravida. As crianças nascem e, ao tentar procurar o seio da mãe para se alimentar, uma das crianças retira a farpa do dedo da mãe e esta desperta de seu sono amaldiçoado.

Anos após, o rei descobre a princesa escondida na floresta e passa a visita-la com frequência, mantendo uma vida dupla, até que um servo seu o delata à rainha. Furiosa, a rainha vai atrás dele e luta com a princesa amante, matando-a e a seus filhos também. O rei, furioso, degola o servo que o delatou.

Figura 1 - A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Final)

“Sleeping Beauty”, ou Bela Adormecida, por Frederick Brewtnall, pintor britânico.

Cinderela

A doce menina dos contos da Disney, na versão “A Gata Borralheira”, do italiano Giambattista Basile, une forças com a governanta para matar a madrasta. Sabem como? A mocinha se aproveita de um momento onde a madrasta vai pegar roupas em um baú e esmaga a cabeça dela com a tampa desse baú.

Na versão dos irmãos Grimm, a história se mantém a mesma, porém ele coloca um pouco mais de sangue, para apimentar: as meias-irmãs de Cinderela, se auto mutilam, cortando dedos e calcanhares, na tentativa do sapatinho servir em uma delas. Além disso, a madrasta e as filhas acabam sendo mortas por pombos que comem seus olhos. Bem nojento, né?

Figura 2 1 - A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Final)

Apesar de não haver registros precisos, sabe-se que o chinês Tuan Ch’eng-shih foi o responsável por colocá-la no papel, em 863 D.C.

A Pequena Sereia

Esta história, para mim que sempre gostei de contos de fadas à moda Disney, é a que mais me chocou. Porque ela retrata escolhas erradas que fazemos e nem sempre conseguimos achar um caminho para “voltar” e ficar bem. Mais uma lição importante nesta história: a família é o bem ou um dos bens mais importantes que temos. Mesmo, às vezes, com brigas e discussões, ou diferenças. Não vou dizer que é uma regra, mas a família sempre, ou na maioria dos casos, estará perto para te ajudar.

Bem, na história original, a Bruxa do Mar, Úrsula, corta a língua da Ariel, fazendo com que a sereia ficasse sem falar. Além disso, A sereia tem sua cauda partida no meio, para que tivesse pernas e pudesse ir atrás do príncipe que ela tanto desejava. Porém, cada passo que ela dava, suas pernas sangravam e doíam.

Na tentativa de que a sereia voltasse ao normal e a viver no fundo do mar, suas irmãs arrancam os cabelos, literalmente e oferecem à Bruxa do Mar, para que ela devolvesse sua irmã. Mas, em troca, a Bruxa dá uma adaga à Ariel para que ela mate o príncipe que a havia traído. Ao invés disso, porém, Ariel se joga em um abismo gelado e morre. Muito triste e bem diferente da história que conhecemos.

Na versão da Disney, o pai de Ariel, rei Tritão, oferece seu tridente e coroa à Úrsula, aceitando uma vida de cativeiro, em troca do bem-estar da filha. Como podemos ver, em ambas as histórias, foi mantida duas morais: o cuidado com as escolhas que fazemos e sempre escutarmos nossa família e dar valor à ela.

Figura 3 1 - A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Final)

A pequena e doce Ariel, na verdade, era conhecida como a sereia suicida.

Quando estava pesquisando para escrever a vocês sobre este tema tão peculiar, encontrei algumas referências ao nosso folclore e suas figuras místicas e lendárias. Vamos conferir:

Saci-pererê: o menino levado e travesso que pula em uma perna só como conhecemos, só existiu depois do retrato falado que Monteiro Lobato fez, em 1917. A figura original, além de travesso, aparecia com dentões pontudos e chifres, usados para sugar o sangue dos cavalos. E quem se metesse com ele, acabava morrendo ou de cócegas, ou de uma bela surra. Nada inocente não é mesmo?

Cuca: um jacaré misturado com bruxa, mas igual ao “Sítio do Pica Pau Amarelo”, essa figura não tem nada. É uma velha apavorante, que captura as crianças e as enfia em um saco. Seu nome é derivado do Espanhol e do Português e significa algo como demônios e caveiras. Já ouviram aquela canção: “Nana nenê, que a cuca vem pegar….”? Não é à toa né? Mais assustador do que a canção que todos já ouvimos!

Negrinho do Pastoreio: esta história é a única que manteve a ideia original, nua e crua. Não foi nada amenizada, muito pelo contrário: a história sempre foi e ainda é contada com todos os requintes de crueldade possíveis: um escravo de 14 anos é chicoteado e jogado em um formigueiro com o corpo sangrando, porque perdeu um dos cavalos de seu senhor. Ele morre e sua alma é salva, transformando-o em um fantasma.

Figura 4 1 - A Origem Dos Contos Não Tão De Fadas (Final)

Saci-pererê, Cuca e Ngrinho do Pastoreio… figuras folclóricas, nada carismáticas!

Viram só? Contos “inocentes” que, desde sua origem até os dias atuais, foram e são considerados uma literatura atraente para crianças e adultos, por sua simplicidade e fantasia, mas também por sua moral e fundo de realidade. Espero que vocês tenham gostado, pois vou ficando por aqui.

Até a próxima!

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Paula Souza

É Editora e Autora do UniversoNERD.Net. Data Quality Specialist e Editora da empresa Bare Internacional, Professora de Língua Portuguesa e Inglesa, amante de leitura e Literatura, além de gamer nas horas vagas.