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A Neurociência das Notas Musicais

A Neurociência das Notas Musicais

Olá, queridos leitores. Hoje estou aqui para abordar a relação entre a Neurociência e a Música. Podemos dizer que a música é a expressão da alma humana: pode ser usada como forma de demonstração de alegria, em celebrações ou em momentos de tristeza, como forma de desabafo ou de apoio a esse sentimento depressivo, de certa forma. Em alguns casos, a música é usada como tratamento de algumas patologias.

Hoje, devido à evolução da Neurociência, é possível mapear qual a ação da Música no sistema nervoso e quais as reações físicas correspondentes à essa ação.

A relação da Neurociência com a Música

A maior parte dos estudos realizados, foca na relação entre a música e as emoções ou a música com a cognição. Porém, esses dois processos caminham sempre juntos; não há como separá-los. Para você, leitor, entender melhor: os estudos são focados nas emoções provocadas pela música e quais são as emoções que a música exprime. Para isso, precisamos deixar bem claro a diferença entre provocar e exprimir. A emoção provocada pela música quer dizer que sentimos determinada emoção quando ouvimos determinada música. A emoção que a música exprime, quer dizer que ao ouvir determinada música podemos perceber qual a emoção que ela exprime, mas não necessariamente vamos sentir essa emoção. Perceberam a diferença?

Figura1 - A Neurociência das Notas Musicais

A música provoca vários sentimentos no ser humano… raiva, tristeza, alegria, rancor, saudade, felicidade e assim por diante.

Aqui, faço uma pausa para explicar uma coisa que talvez você, leitor, não saiba…

… os seres humanos têm quatro emoções básicas: o medo, a raiva, a alegria e a tristeza e, todos nós, podemos senti-las em qualquer momento, idade ou fase de nossas vidas.

Não é uma coisa arbitrária: sentimos todas as quatros emoções básicas até mesmo como forma de aprendizado e sociabilização. É assim que crescemos, interior e exteriormente.

Agora, voltando… É muito comum usarmos a seguinte frase: “Aquela música é triste…” Ninguém diz: “Aquela música expressa melancolia…”. Vamos combinar que, apesar de ser o correto é extremamente estranho, não é? Mas aí, faço outra pergunta: a música teria propriedade de utilizar termos emocionais para descrevê-la?

Não existe nenhum estudo que comprove essa questão. Porém, falar que uma música provoca a emoção de tristeza ou de alegria seria como falarmos que o Pôr-do-sol é um fenômeno lindo, uma vez que essa afirmação é uma falsidade astronômica: é a Terra que se move em torno do Sol. Percebem?

Uma música que tem sua harmonia triste ou alegre, ao provocar um sentimento em quem a escuta, significa dizer que o compositor atingiu seu objetivo. Mas prestem atenção agora: a música pode provocar sentimentos, de acordo com o estado emocional de quem a ouve. Por isso, pessoas que escutam determinada música se identificam e exprimem esse sentimento de diversas formas: melancolia, tristeza e até mesmo choro, alegria, sorrisos, determinação e por ai vai… Isso vai muito além de qualquer estudo teórico e talvez, por esse motivo, não exista nenhuma teoria consistente que comprove essa relação entre a música e as emoções.

Alguns estudiosos, explicam que a relação entre música e emoções está no campo fisiológico, uma vez que nosso cérebro reage a estímulos causados por qualquer motivo que provoque emoção: a leitura de uma obra de qualquer gênero, o escutar de uma música e até mesmo ao uso de drogas ou de qualquer outra substância química. Outros estudos correlacionam música e emoções com arte e/ou filosofia.

Porém, está comprovado por estudos que a dopamina, substância neurotransmissora presente em nosso organismo, faz as pessoas sentirem tanto a antecipação de um momento musical, como a excitação decorrente. Através desses estudos, descobriu-se que a dopamina é liberada tanto para as músicas favoritas, quanto para àquelas que não são. Mas é claro que em dosagens diferentes, o que causa ou não uma excitação maior. Por isso algumas pessoas, ao ouvirem uma música, acompanham o ritmo ou se remexendo levemente, ou batendo a ponta do pé no chão de leve, ou cantarolando alguns pedaços da música. Veja que interessante:

figura 2 - A Neurociência das Notas Musicais

O cérebro do ser humano pode identificar, em setores diferentes, cada movimento e cada emoção provocada pelo conjunto de sons de uma música… desde o ouvir de uma melodia, mesmo ainda bebê, até o estudo da complexidade de uma partitura.

Na última década, houve uma expansão nos conhecimentos das bases neurobiológicas do processamento da música pelo nosso cérebro. O processamento musical envolve vários aspectos relacionados, como a percepção da altura, o timbre, o ritmo, a decodificação da melodia e da harmonia, entre outros. A atividade musical, de certa forma, mobiliza amplas áreas cerebrais, tantos as mais novas, como o neocórtex como as mais primitivas, chamadas de cérebro reptiliano. A freqüência que mais excita uma célula sensorial, muda sistematicamente; dessa forma, que o cérebro distingue os sons agudos dos mais graves.

E olhem que interessante: a prática do ato de ouvir música como rotina, ou com frequência, aumenta o tamanho e a conectividade das áreas cerebrais, o cerebelo e o córtex motor. Além disso, a maior ativação de áreas cerebrais podem potencializar as funções linguísticas, que ficam no mesmo lado do cérebro.

As crianças expressam as emoções muito mais fácil através da música do que pelas palavras. Dessa forma…

… a música pode ser uma ferramenta única para a ampliação do desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, incluindo aquelas com transtornos neurológicos, como déficit de atenção ou dislexia.

Nesses casos, envolvem-se a “Inteligência Musical”, abordada no post Inteligências Múltiplas e os Games – Parte I, que é mutável e pode estar presente em qualquer ser humano, em graus acentuados ou não, até mesmo em crianças com deficiência intelectual. Porém, como abordei nesse mesmo post, esse tipo de inteligência exige uma certa disciplina e, no caso das crianças, acompanhamento adulto.

Música e Terapia

O uso da música para fins terapêuticos, a Musicoterapia, é um hábito das civilizações antigas e apoia-se, justamente, na capacidade da música de despertar uma série de reações fisiológicas que fazem a ligação direta entre o cérebro emocional e o executivo. Vários estudos revelam efeitos clínicos da música em sessões de fisioterapia (como controle postural), em sessões psiquiátricas (expressão de dados afetivos e comportamentais como ansiedade e depressão) e muitos outros tratamentos apresentaram resultados positivos como a doença de Parkinson, o Mal de Alzheimer ou em pessoas com espasticidade (aumento de contração muscular, após AVC) nos quais o tratamento com música ou estímulos à ela como dança, ritmos ou jogos musicais potencializam as técnicas de reabilitação física e cognitiva.

figura 3 - A Neurociência das Notas Musicais

A música traz benefícios ao ser humano, desde um alívio até no auxilio de tratamentos para doenças complexas, como câncer.

A psicóloga de Oncologia, do Hospital Ana Costa (HAC), Dra. Deolinda Fernandes Matos da Silva, explica quais os benefícios da Musicoterapia:

Desde o aumento ou redução da energia muscular até a redução da percepção de dor, a música altera as emoções e interfere em comportamentos de uma forma profunda.

A equipe do Instituto de Oncologia do HAC, desde 2010, vem apresentando o projeto “Música na Onco”, em parceria com um casal de musicistas voluntários que, uma vez por mês, se apresentam no Ambulatório de Oncologia para pacientes e seus respectivos familiares. Os benefícios são muitos: desde a socialização entre os pacientes e os familiares até a adesão e aceitação do tratamento oncológico pelos pacientes.

Outro projeto muito importante é o programa “Música nos Hospitais”, em parceria com a Sanofi (empresa farmacêutica) e o Ministério da Cultura, que proporciona apresentações de cultura através da música erudita em hospitais públicos ou filantrópicos. Além disso, o objetivo é amenizar a rotina hospitalar, tanto dos pacientes, como dos funcionários. Caso o leitor tenha interesse, existem diversas informações interessantes sobre esse programa no site: associacaopaulistamedicina.org.br. Vale a pena conferir!

figura 4 - A Neurociência das Notas Musicais

Apresentação feita no hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, para pacientes em tratamento contra o câncer.

Segundo a Canadian Association for Music Therapy, a Musicoterapia utiliza a música para auxiliar a integração física, psicológica e emocional do indivíduo e para o tratamento de doença ou deficiências. Quero deixar claro que o que irei relatar neste trecho não são fundamentações teóricas, mas casos específicos e práticos da organização com alguns pacientes. Mas, como dito anteriormente, não existe teoria que comprove.

Segundo a organização, alguns instrumentos possuem eficiência no tratamento de patologias específicas:

  • Piano: combate a depressão e a melancolia;
  • Violino: combate a sensação de insegurança;
  • Flauta Doce: combate ao nervosismo e a ansiedade;
  • Violoncelo: incentiva a introspecção e a sobriedade;
  • Instrumentos de sopro: inspira a coragem e a impulsividade.

E olhem só que curioso… Vários especialistas, nos últimos anos tem insistido no fato de que a música ajuda a desenvolver a memória e, principalmente, o raciocínio lógico. Tanto que, em 2008, com a sanção da Lei nº 11.769, o reconhecimento da importância do ensino da música para o desenvolvimento e formação pessoal dos alunos, foi formalizado pelo governo. Essa medida tornou obrigatório, mas não exclusivo, o ensino da música na educação básica, o que significa que ela pode ser integrada com outras disciplinas, como artes, por exemplo. Porém, com o encerramento do prazo em 2011, não ficou muito claro a obrigatoriedade do ensino de música na Educação Básica. Por isso, acredita-se que muitas escolas não tenham inserido a prática, até mesmo por falta de profissionais qualificados.

Lembre-se: música é vida! Então, vamos ouvir e curtir!

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Paula Souza

É Editora e Autora do UniversoNERD.Net, Professora de Língua Portuguesa e Inglesa, amante de leitura e Literatura, além de gamer nas horas vagas.