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Card Games: Cultura Nerd Esquecida? – Final

Card Games: Cultura Nerd Esquecida? – Final

Tudo bom com vocês, meus caros amigos nerds? Cá estou novamente para finalizar a matéria referente a um dos hobbies mais peculiares de nossa cultura: os cards games. Nessa última parte, falarei um pouco sobre os novos rumos que esse tipo de jogo está tomando.

Prontos?

Conforme foi abordado no post anterior, vimos que o auge dos jogos de TCG no Brasil ocorreu entres os anos compreendidos da segunda metade dos anos 1990 e a primeira década do novo milênio. Centenas de pessoas frequentando as lojas e locais de jogos aos finais de semana, rankeamento disputado, campeonatos lotados, comércio de cartas de todos os tipos… Realmente, foram dias áureos!

Mas, tal qual é a vida, nada dura para sempre (nem as coisas ruins; principalmente as coisas boas), e, aos poucos, todo esse hype foi morrendo. Provavelmente, isso se deve à popularização da internet, dos aparelhos para navegá-la e também dos consoles e jogos eletrônicos. Com isso, consequentemente, o foco de diversão do público nerd igualmente mudou.

O que antes necessitava ser feito pessoalmente, como partidas de RPG de mesa e card games, por exemplo, passaram a poder serem feitos por meio de recursos eletrônicos e à distância. Programas como o Roll20 e o Talukko permitem que uma pessoa mestre, de sua casa, crie e gerencie uma partida de qualquer jogo de role-playing game para amigos situados em qualquer local do planeta, bastando, apenas, que cada um dos envolvidos tenha em mãos um computador simples e conexão com a internet.

Pessoas jogando RPG por meio do Programa Roll20.

Já no caso dos cards games, alguns títulos ganharam versão eletrônica nas mais diversas plataformas existentes; outros, foram criados do zero. Na atualidade, alguns deles já estão tão famosos que, em pouco tempo, já superaram seus antecessores de papel tanto em número de jogadores quanto em valores de rentabilidade às suas desenvolvedoras.

Vamos conhecer um pouco sobre os três principais nomes?

Magic: The Gathering – Duels of the Planeswalkers

Desenvolvido pela Stainless Games e publicado pela Wizards Of The Coast, Duels Of The Planeswalkers é um jogo de cartas eletrônicos baseado no TCG Magic: The Gathering. Lançado em junho de 2009, o título é suportado pelas plataformas XBLA, PSN e Microsoft Windows.

O jogo segue à risca seu predecessor original. A jogabilidade imita com perfeição as regras de Magic (explicadas no post anterior). Entretanto, seu maior defeito, por assim se dizer, está na impossibilidade de montagem de decks, tirando, para muitos, a maior graça que há em um card game, que é justamente o poder de desenvolvimento de estratégias e métodos de se vencer uma partida. O jogador é obrigado a utilizar baralhos prontos, com a possibilidade de abrir outros conforme avança no jogo.

Mesmo assim, o jogo é divertidíssimo, haja vista o imenso sucesso que lhe rendeu outras continuações, publicadas anualmente. Atualmente, tem-se Magic: The Gathering – Duels Of The Planeswalkers 2012, 2013, 2014 e 2015, agora, desenvolvidos também para tablets e smartphones nas plataformas iOS e Android.

Hearthstone: Heroes of Warcraft

Desenvolvido e publicado pela Blizzard Entertainment em março de 2014, Hearthstone: Heroes of Warcraft, popularmente chamado apenas de Hearthstone, é um jogo de cartas estratégico jogado de modo on-line. Esse card game é suportado pelas plataformas Microsoft Windows, Mac OS X, Android e também iOS.

De uma jogabilidade e regras bastante simples, Hearthstone é baseado no belíssimo universo de Warcraft (dimensão fictícia que comporta todas as histórias dos jogos publicados pela Blizzard). Nele, os jogadores têm a possibilidade de criarem decks baseados em magias, feitiços, armas e invocação de criaturas características de uma das nove classes que o jogo disponibiliza.

Basicamente, o jogo ocorre em turnos e cada jogador pode baixar suas cartas dependendo da quantidade de “mana” que possui (que a cada turno reinicia e aumenta em 1 ponto, até atingir o limite de 10). O baralho pode conter até 30 cartas e a forma principal de vitória é reduzir a zero os 30 pontos iniciais de vida de cada herói.

O jogo, em si, é gratuito. Novas cartas e decks também podem ser adquiridos mediante moeda do jogo ou premiação baseada na posição de rank nos vários modos de jogo disponíveis. Porém, é possível comprar as mesmas coisas com dinheiro real. Esse fator, aliado ao fato do Hearthstone atualmente comportar mais de 50 milhões de jogadores no mundo todo, rende mais de 25 milhões de dólares mensais à sua desenvolvedora, segundo consta no relatório divulgado por ela própria.

Yu-Gi-Oh! Duel Links

Desenvolvido e publicado pela Konami, Yu-Gi-Oh! Duel Links é uma excelente opção de card game virtual para aparelhos iOS e Android. Lançado em 2016 no Japão e disponibilizado para o restante do mundo em 2017, o jogo é baseado no famoso TCG inspirado no anime Yu-Gi-Oh!.

O jogo segue as regras do original (também explicadas no post anterior), porém, como algumas modificações. Dessa vez, cada jogador possui apenas 4000 pontos de vida iniciais. Outra modificação significativa é o espaço reduzido para invocação de monstros, magias e armadilhas.

Assim como em Hearthstone, Yu-Gi-Oh! Duel Links também é gratuito, possibilita a montagem de decks e a aquisição de novas cartas e baralhos com moedas adquiridas in game. Do mesmo modo, disponibiliza uma loja virtual onde é possível comprar utilizando-se dinheiro real. Com menos de um ano de lançamento, o título já comemora mais de 40 milhões de jogadores espalhados pelo mundo. Chega a ser até desnecessário qualquer comentário sobre sua rentabilidade. Concorda, caro nerd?

Infelizmente, esse é o atual cenário mundial dos trading card games. Se paramos bem para pensar antes de responder o principal questionamento dessa série de posts, que foi o de refletir se os jogos de cartas tornaram-se uma cultura nerd que foi esquecida, temos que ser sinceros e responder que “não”. Conforme vimos, o público dessa modalidade ultrapassa facilmente mais de uma centena de milhões de pessoas. Isso, jamais, pode ser considerado como uma cultura em esquecimento!

Todavia, devemos perceber que a forma principal com que os TCG’s são jogados hoje em dia é uma maneira extremamente fria se comparada à sua jogabilidade original, que é de modo presencial, frente a frente com seu oponente, sentindo cada carta por entre os dedos, o cheiro de cada uma delas, contando com a sorte divina para obter cards raros em cada booster aberto ou na vinda da próxima carta em seu turno, e não pela dependência de cálculos logaritmos super complexos que nunca iremos entender…

Entende meu ponto de vista, amigo nerd leitor?

Pode parecer um exagero de saudosismo de minha parte ou algo do tipo. Mas essa é apenas a minha opinião. E a reitero afirmando que algumas coisas nunca deveriam mudar; tampouco, evoluir. RPG e card games são perfeitos exemplos disso.

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Lukas Melo

É Editor e Autor do UniversoNERD.Net. Profissional da área de EaD, aficionado por RPG, hardware e cinema. Porém, não nega outras nerdices.