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Nem Todos Os Finais São Felizes: Conheça A Tendência Conhecida Como Gênero Sick-lit

Nem Todos Os Finais São Felizes: Conheça A Tendência Conhecida Como Gênero Sick-lit

Olá, queridos leitores! Hoje estou aqui para falar sobre um assunto que não é recente, mas que tem acalorado várias discussões. Vocês já ouviram falar sobre Sick-lit? Pois bem, vou contar a vocês um pouquinho sobre essa tendência da literatura e quais são suas influências em seu público alvo. Vamos lá?

O conceito envolvendo o gênero Sick-lit

O termo Sick-lit é um gênero literário onde pessoas enfrentam diferentes dramas psicológicos como doenças terminais, questões de estupro, automutilação, suicídio, depressão, traumas de infância, transtornos alimentares, bullying e assim por diante. Não quer dizer que não exista a questão do romance, questões familiares e a importância da amizade. Existe, sim, mas junto com os principais, os quais citei acima.

O fato é que esse tipo de leitura vem despertando a atenção há algum tempo, não só de seu público alvo, que são os jovens e adolescentes, mas também de adultos de uma maneira geral.

São livros, onde os finais não são tão felizes, como nos contos de fadas tradicionais, com casais que se amam até o “viveram felizes para sempre”, ou até mesmo das histórias onde os protagonistas são vampiros, lobisomens e bruxas.

Traduzindo ao pé da letra, Sick-lit, significa “literatura doente”, ou seja, nas entrelinhas, algo que pode chocar e incomodar, a ponto de nos fazer refletir sobre o assunto e ate mesmo sobre nossas vidas. Em algum momento, algumas histórias vão nos fazer chorar, outras podem dar aquela sensação de vazio, como se levássemos um soco no estômago, outras vão nos causar revolta. Enfim, o propósito é esse!

Apesar de o gênero ter feito e ainda fazer sucesso, o termo Sick-lit não agrada os autores e escritores. Na opinião de alguns profissionais, na literatura contemporânea, os temas abordados podem não ser bonitos como os contos de fadas, mas são temas reais, que não subestimam os adolescentes e o termo Sick-lit reduz esses temas a algo feio e degradante. E apesar de abordar temas reais, o fato de ter um personagem marcado por algum mal ou doença determinado, ou a morte quase prevista, de preferência nos braços de quem se ama, não é novidade. A morte sempre foi um tema forte na literatura, desde Homero e sua Ilíada.

O que é novidade é o fato desse gênero ter conquistado tantos leitores em tão pouco tempo.

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Escultura da Ilíada, de Homero… a morte sempre existiu como fator iminente.

Segundo Ana Margarida Ramos, mestre em Literatura Romântica Contemporânea e Doutora em Literatura pela Universidade de Aveiro, em Portugal, escrever para jovens e adolescentes não é mais difícil ou mais fácil, é simplesmente diferente, pois quando os jovens descobrem a leitura, tornam-se um público fiel e crítico.

Talvez, o segredo do sucesso desse gênero esteja em, realmente, não subestimar esse público e sua capacidade de se identificar com temas reais, ajudando até a entender e resolver problemas pessoais.

É o que acontece com as famosas sagas “Divergente” e “Jogos Vorazes”, pois passam a impressão de que não acontecem em nosso mundo, mas acontecem e abordam temas sobre crises existenciais e de identidade.

Mais alguns exemplos

Nos últimos anos, a lista de títulos que fizeram sucesso nesse gênero só cresceu. Vamos conhecer alguns, logo a seguir. Mas, antes de prosseguirmos, ao escrever este artigo, me veio à memória uma obra, que não é recente, mas que na época em que foi lançada, fez sucesso. Inclusive, o filme também fez sucesso e esse assunto acabou repercutindo por muitos anos. Quem não se lembra da história de Christiane F.?

Um pouco sobre a obra

O título original do livro, “Wir Kinder vom Bahnhof Zoo”, aqui no Brasil, “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída”. A obra é uma biografia de Christiane Vera Felscherinow, a qual hoje é uma escritora e blogueira alemã, mas na época em questão era uma jovem de 12 anos, que se envolve com drogas, sendo uma delas a heroína, além de LSD e haxixe, começa a fazer usos de medicamentos pesados como Valium e Mandrix e, aos 14 anos, começa a se prostituir, até mesmo para sustentar seus vícios.

A jovem chegou a se manter longe dos vícios durante um tempo, mas em 1983 teve uma recaída.

O filme, baseado na obra, foi exibido em 1981 e, tanto o livro, quanto o filme, fez um sucesso absurdo entre os jovens, até porque para a época, tinha cenas chocantes e história comovente, de fatos reais e de problemas que tomavam uma proporção volumosa e as sociedades ao redor do mundo já estavam enfrentando.

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A garota Christiane F. envolvida em tantos problemas psicológicos e sociais… uma história triste e chocante.

Mas, como já disse anteriormente, dessa época até os últimos 5 anos (aproximadamente 2013, talvez até um pouco antes), esse gênero não era muito difundido e nem havia conquistado um público tão grande. As próximas obras que vou citar, surgiram nesses últimos anos. Vamos conhecê-las?

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As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower): lançado em 2012, nos Estados Unidos e no Brasil, trata-se de uma adaptação do livro de mesmo nome, do escritor Stephen Chbosky. O filme fala de Charlie, um garoto de 15 anos, que tenta se recuperar de uma depressão, por perder seu único amigo que se suicidou com um tiro na cabeça. No colégio onde ingressa, logo no início do filme, começa sua jornada de socialização e recuperação, com a ajuda de dois veteranos que o ajudam a se manter longe dos “populares” da escola. O filme foi classificado pela crítica como uma história dura, mas divertida e sincera.

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A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars): lançado em 2014, no Brasil, Estados Unidos e Portugal, trata-se de um filme baseado no livro de mesmo nome, do escritor John Green. Tanto o filme, quanto o livro, conta a história da jovem Hazel Grace, de 13 anos, que foi diagnosticada com câncer terminal e é forçada por seus pais a participar de um grupo de apoio. Lá, conhece o jovem Augustus, de 18 anos, que tem uma perna amputada e a convence a embarcar em uma aventura atrás do autor do livro Uma Aflição Imperial, indo à procura de muitas perguntas que ficaram sem respostas no decorrer dessa obra.

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Extraordinário (Wonder): lançado em 2017, no Brasil, trata-se de um filme baseado em um livro com o mesmo nome, de R. J. Palacio. Tanto o livro, quanto o filme, conta a história de Auggie, um menino que nasceu com uma síndrome genética, que causa nele uma deformidade facial. Seu grande desafio acontece quando ele tem que frequentar a escola pela primeira vez. Ele assume como missão provar para as pessoas que apesar de sua aparência diferente, é um menino comum, como qualquer outro.

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Garotas de Vidro (Wintergirls): o livro foi lançado em 2009. Trata-se da história de duas garotas, Alison e Cassie, presas em seus corpos os quais elas acham repugnantes, que fazem uma aposta para ver quem conseguia ficar mais magra. Porém, uma manhã, Lisa acorda com a notícia de que Cassie está morta. Agora, Lisa tem que lidar com seu transtorno alimentar, o ego de seu pai que é um renomado escritor, a ausência de sua mãe que é uma cardiologista e vive ocupada e a voz que insiste em se manifestar dentro dela mesma, insistindo para que ela fique cada vez mais magra. Ela se afunda em dietas rigorosas, se autoflagelando várias vezes, perdendo totalmente o referencial entre mentira e realidade.

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Tudo e Todas as Coisas (Everything, Everything): lançado em 2017, o filme trata-se de uma obra inspirada no livro com o mesmo nome do escritor Nicola Yoon. O livro conta a história de uma jovem que, em 17 anos, nunca saiu de casa, devido à uma doença rara, na qual ela apresenta uma alergia a tudo. Sair e respirar o ar, do lado de fora de sua casa, seria sua ruína. As únicas pessoas com que ela mantém contato são sua mãe e sua enfermeira, Carla. Até que ela conhece Olly, o recém chegado vizinho e sente que se apaixonaria por ele, mas isto causaria uma catástrofe em sua vida.

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Como Eu Era Antes de Você (Me Before You): lançado em 2016, no Brasil. O filme conta a história de Louisa Clark, uma jovem alegre e extrovertida, que em seus 26 anos está prestes a perder seu emprego no café local. Desesperada, vai trabalhar como cuidadora de Will Traynor, um ex-banqueiro que vive amargurado, após o acidente que sofreu com uma moto. Apesar de sua família saber que ele nunca recuperaria seus movimentos, devido à uma fratura na medula espinhal, mesmo assim mantém o tratamento com fisioterapia e depositam sua fé em Louisa. Os dois vivem um romance e lá consegue, realmente transformar sua vida, mas acaba descobrindo que ele deu um prazo de seis meses aos seus pais, antes de os mesmos o levarem à Suíssa, para a Clínica Dignitas, para que seja feita Eutanásia. Ele deseja que ela viva uma vida feliz, plena e que consiga realizar seus sonhos, por isso, após sua morte deixa uma pequena fortuna à ela como herança.

Bem, a lista é imensa e, como já disse a vocês, vem aumentado a cada dia, uma vez que o público interessado também aumenta. Confesso a vocês que não é meu gênero favorito, pois prefiro as histórias com castelos e princesas sendo resgatadas, ou então as belas histórias medievais e, também, uma boa obra da literatura inglesa, como Jane Austen, minha favorita. Mas, o fato é que com o passar do tempo, devido aos papéis do homem e da mulher ganharem uma posição diferenciada na sociedade, os problemas ou conflitos familiares e sociais, a literatura também foi forçada a se adaptar.

Até as histórias de princesas, para crianças, são adaptadas, preparando os pequenos para um mundo que enfrentarão. Os mesmo jovens e adolescentes que gostaram um dia de Harry Potter, os vampiros e lobisomens da Saga Crepúsculo, são os mesmos que agora, se prendem na literatura Sick-lit. Isso porque abordam os mesmos conflitos, porém com um toque mais real, sem magias, bruxarias e qualquer outro truque. Os mesmos mundos, mas agora com cenários mais reais.

Cada vez mais, a tendência será a literatura tentar ajudar as pessoas a entenderem os problemas cotidianos e enfrentarem situações de aceitação ou descobrirem a superação. Não que a literatura clássica seja substituída, mas faz-se necessária uma inclusão de novas tendências.

Até a próxima!

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Paula Souza

É Editora e Autora do UniversoNERD.Net. Data Quality Specialist e Editora da empresa Bare Internacional, Professora de Língua Portuguesa e Inglesa, amante de leitura e Literatura, além de gamer nas horas vagas.